quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Meditações para cada dia do mês (P. Segneri)

Meditações para cada dia do mês (P. Segneri)

Meditações para cada dia do mês (P. Segneri)

I dia

Salvar a alma

Tenho uma só alma.
1 – salvar a alma... é obrigação minha se eu não penso n’isso, quem deverá pensar?
2 – É obrigação minha e de mim mesmo; refere-se não só a alma, mas também ao corpo; se deixo de tratar deste negócio, não haverá quem quererá ocupar-se e tratar disso.
3 – É afazer meu, de mim, para toda a eternidade; é portanto afazer irremediável, se não o levo ao porto, não terei quem o levará por mim.
Entretanto, como me ocupo deste afazer?
Infelizmente demasiado pouco nele penso.

II dia

Quando, como e onde morrerei?

É certo que tenho de morrer; a sentença foi decretada, e tem tido execução desde Adão para todos os homens.
1 – Mas quando? Não sei o dia; poderei morrer naquela hora...
2 – Onde morrerei? Não sei o lugar: poderia ser aquele que eu procuro, e tenho a ocasião de cometer pecados.
3 – De que modo morrerei? Não sei se de morte vagarosa ou violenta; se com a alma maculada ou pura, não sei...
Entretanto impensadamente costumo cair com facilidade; não evito as ocasiões.

III dia

Anuncio da morte

Se não chegar a morte improvisadamente, um dia também se ninguém queira avisar-me tudo ao redor de mim me anunciará próxima a morte, e me advertirá a fim de dispor-me a bem morrer.
Mas então:
1 – Terei tempo de confessar-me? Ai de mim! O mal já será tão grave que com dificuldade poderei falar.
2 – Estarei em condição de examinar-me? Talvez estarei transtornado pelo medo e pela confusão.
3- Terei coragem para devidamente arrepender-me? Se me achar com a consciência perturbada pelas muitas faltas cometidas, estarei perturbado mas não arrependido.
Que poderei fazer? Acomodar os interesses da alma.

IV dia

Preparar-me par a morte

Que terei eu de fazer para achar-me bem disposto na vinda da morte?
1 – Fazer agora o que certamente naquela hora terei desejado de ter feito.
2 – Fazer durante a vida aquilo que provavelmente não será possível fazer naquela hora.
3 – Fazer sempre tudo o que se deve fazer naquela hora, isto é:
Atos de intensa contrição;
Fugir todas as ocasiões;
Penitência rigorosa dos pecados.
Tenho que tomar como regra de conduta: fazer tudo como se fosse o último dia da vida.

V dia

A situação de um moribundo

Quem se acha no leito de morte na aflição, na tribulação e perturbação daquelas horas; enquanto que percebe que a sua vida está para fechar-se e abrir-se-lhe as portas da eternidade, volve um olhar para o passado, para o presente e para o futuro.
1 – O passado o aflige; tantas boas obras omitidas, tantos pecados cometidos sem ter feito a devida penitência.
2 – O presente o entristece; tantos perigos o circundam e não sabe como evitá-los.
3 – O futuro o espanta: tem de frente a eternidade, diante da qual também os santos tremiam.
O teu pensamento, ó morte, me indica de aproveitar bem o tempo da minha vida.

VI dia

O último momento da vida

Da nossa vida são contados os dias e as horas.
Os ponteiros do relógio marcarão um ponto e aquele será o último momento da nossa vida.
Naquele momento:
1 – a alma separa-se do corpo e ficará separada até o dia do Juízo Universal.
2 – a alma separa-se da vida presente e desde aquele momento estão terminados os prazeres, as honras e as riquezas deste mundo.
3 – a alma segue o caminho da eternidade, também pode naquele instante ou perder-se ou salvar-se para sempre.
Repetimos: atemorizados: Momentum a quo pendet aeternitas. Daquele momento depende toda a eternidade.

VII dia

O comparecimento em presença do Juiz

No momento de sair a alma do corpo, acha-se diante de Deus, sentado no tribunal.
Então enxergarei ao pé da minha cama.
1 – Jesus juiz rigoroso, indignado pelo que não devia fazer, e também pelo que não tenha feito em quanto que tinha obrigação de fazer.
2 – A esquerda o Demônio, rindo-se abre um grande volume a fim de eu ler minuciosamente descritos um por um todos os meus pecados.
3 – A direita o Anjo da guarda, que triste atemorizado apresenta um pequeno livro, no qual estão escritas as insignificantes obras por mim feitas.
Quando ides descansar lembrai-vos desta cena.

VIII dia

Como acontecerá o juízo particular

A deus tudo é noto, á minha memória tudo será relembrado.
1- Será feito um exame minucioso de todo pensamento, de toda palavra, de toda ação; serão acusadores ferozes os demônios me enganaram, os companheiros que desprezei.
2 – O juiz será justíssimo, e me censurará porque não tive vergonha de cometer pecados diante dele que tudo enxergava.
3 – A sentença será irrevogável. Não se aceitam desculpas: não tem lugar apelações, não se pode pedir a graça.
A cada ação que fazeis perguntai-vos qual será a sentença final.

IX dia

Estado da alma depois da morte

Jesus juiz sapientíssimo e justíssimo bem conhece a condição da alma que se apresenta ao seu tribunal e com brevidade pronuncia a sentença.
Qual será a minha sentença?
1- se for de glória, então a alma ricamente revestida das virtudes e dos dons do Senhor, será acompanhada ao Paraíso, onde a receberão com grande festa.
2 – Se for de condenação, então a alma despida de todas as virtudes e de todos os dons de Deus será arrastada pelos demônios com alaridos e zombarias ao Inferno.
3 – Não há salvação, nem remédio e cada qual terá ou uma ou outra sentença.
Entretanto que estou eu fazendo? A qual das duas estou eu preparando-me?

X dia

Estado do corpo depois da morte

Chegando a morte, a alma separa-se do corpo e segue para os seus eternos destinos:
E o corpo?
1 – Como fica? Um cadáver pálido; contrafeito, deforme. Nada enxerga, e não fala; não percebe e não tem moto. Todos cautelosamente o evitam.
2 – Que acontece? Envolvido num lençol, velado por um custode mercenário, pelo horror que excita todos dele se afastam.
3 – Onde vai finalizar? Depois das exéquias celebradas na igreja, dando o sino o último toque com som triste e lúgubre anuncia que foi deixado numa cova no tétrico silêncio do cemitério.
Tantos cuidados com um corpo que terá de acabar assim?

XI dia

O processo à nossa vida

Cada dia que vivo me aproximo da morte, e cada dia é também uma nova página do processo que ao Juízo será feito da vida presente. Então de todas as páginas será dada leitura.
1 – Ler-se-á todo o mal que não devia fazer, contra o qual reclamava a consciência, e punha em guarda o Anjo Custode, mas não obstante se quis fazer.
2 – Ler-se-á todo o bem que se podia fazer, que se era incitado a fazer, e não se quis fazer.
3 – Tudo será considerado, pesado, e será a dada final inapelável senteça.
Qual a sentença que me tenho preparado até agora?

XII dia

Estímulo à penitência

Quem de fato bem merece prêmio e quem faz o mal merece castigo. Isto é indiscutível: Se tenho cometido pecados e quero salvar-me do castigo, devo arrepender-me fazer Penitência.
Mas em que tempo a farei?
1 – Depois de morto? É impossível; então não há mais tempo!
2 – Na hora da morte? É dificílimo: o tempo então é pouco e a alma confundida e demasiada angustiada.
3 – Nenhum outro tempo remanesce e não ser o tempo presente: não temos outro tempo em nosso poder. Então fazê-lo imediatamente ou recear de nunca mais podê-lo corrigir a vida reparar ao mal feito no tempo passado e não fazer mal no tempo vindouro.

XIII dia

Juízo Universal os sinais precursores

Todos os sinais que precedem o Juízo universal são de fé.
1 – Serão muitos. O sol que obscurece, a lua que se eclipsa tingida de negro sangue as estrelas que saem, o mar que brame, a terra, guerras, pestes, discórdias.
2 – Serão inesperados. Quando menos se pensará; quando mais se pecará, quando não haverá mais tempo de emendar-se.
3 – Serão terríveis. Choverá do céu um fogo devorador, e as chamas consumirão homens, animais, plantas; casas, palácios, fortalezas, cidades, reinos, impérios. Todo o mundo. O espanto será geral.
Qual será a sorte dos pecadores?

XIV dia

Juízo Universal o despertar dos cadáveres

Das quatro partes do mundo tocarão as trompas angélicas com terrível fragor; devido aquele som:
1 – Este meu corpo do lugar onde está sepultado deverá ressurgir.
2 – a minha alma terá que reunir-se a este corpo chegando do Paraíso ou do Inferno, do lugar onde se achar.
3 – Ressuscitado o corpo, terá de passar do silêncio do sepulcro à vida que existirá eternamente ou na bem-aventurança do Paraíso ou no desespero do Inferno.
Bendita a penitência! Será a voz de alguns; amaldiçoados os prazeres será o grito de oturos.

XV dia

Juízo Universal a chegada do Juiz

Diz o Evangelho que comparecerá sobre as nuvens com grande majestade e poder Cristo Juiz.
1 – Como Criador ele pedir-me-á conta dos dons da natureza que ele me deu a fim de ganhar o Paraíso, e por mim empregados para merecer o Inferno.
2 – Como Pai – pedir-me-á conta do grande amor que teve para mim, e ao qual tão mal correspondi.
3 – Como Redentor – do sangue preciosíssimo que derramou na Cruz por minha causa e que tantas vezes eu tenho desprezado com as minhas maldades, ainda pedirá conta.
Como poderá o pecador suster o aspecto severo deste grande Juiz?


XVI dia

Os segredos da consciência manifestados

No Juízo universal é manifestada a consciência de todos ante o mundo. Então:
1 – Os pecados serão todos manifestados; nem um só será omitido e todos os conhecerão; qual embaraço será o meu?
2 – Serão manifestados os pecados ocultos; também aqueles que tenho ocultado e desculpado em mim mesmo. Mas qual será a desculpa que poderei apresentar quando aparecerá toda a torpeza?
3 – Aos pecados que cometi contra Deus. Ele confrontará os benefícios que me concedeu, o seu sangue inutilmente derramado, os sacramentos abusados; as graças desprezadas as inspirações abandonadas.
Quanta matéria de trepidação?

XVII dia

Os escolhidos chamados ao Reino

Neste mundo vivem juntos os bons e os maus, réprobos e escolhidos; mortos estão enterrados no mesmo cemitério; mas quando tocarão as trompas do Juízo, sairão os Anjos e expulsarão os malvados do meio dos justos, assim declara o Evangelho. Então:
1 – A direita do Juiz estarão os Escolhidos; encontrarei talvez alguns daqueles de que eu um dia zombei.
2 – A esquerda estarão os condenados, entre eles talvez estarão aqueles com os quais eu mesmo cometi pecados.
3 – De qual parte me encontrarei eu?
Confiai-vos ao vosso Anjo Custode a fim de que naquele dia terrível vos assegure um lugar entre os Escolhidos, mantendo-vos apartados dos réprobos.

XVIII dia

A sentença final

Discutidas as consciências; tornados manifestos os desígnios da Providência de Deus em confronto da maldade dos homens; separados os pecadores do Justo, o Juiz pronunciará a sentença final.
1 – Aquela sentença será irrevogável; não admite nenhum recurso ou apelação.
2 – Aquela sentença será imediatamente executada, não admite suspensão nem dilatação.
3 – Aquela sentença será intimada uma vez e para sempre tanto para a alma como para o corpo. Eterna maldição a quem cometeu pecados e não se converteu. Eterna Bênção aquele que não pecou ou se cometeu pecado, fez a adequada penitência.
Pensemos agora para não chorar naquele tempo.

XIX dia

Preciosidade do tempo

Cada momento de tempo é um tesouro; cada momento de tempo Deus nos pode favorecer, porque uma alma que tenha perdido Deus pode num só momento de arrependimento reconquistá-lo. Que direi eu deste inteiro dia?
1 – Neste dia muitos merecimentos posso adquirir empregando bem cada momento! Mas em vez?...
2 – Este dia passa e nunca mais volta.
3 – Deste dia pois deverei render conta rigorosa ao Senhor que mo concedeu. Não obstante pouco penso nisso. Não é só disto, mas de todos os dias da minha vida e de todos os seus momentos.
Poderemos deste modo calcular o nosso verdadeiro bem?

XX dia

O Inferno

Do inferno se fala, mas se tem medo ao pensar nele; pensando seriamente, serve muito para agitar fortemente as almas entorpecidas. Que é o Inferno?
1 – É um cárcere tétrico onde fica-se fechados para sempre, sem sair um momento para respirar o ar na liberdade.
2 – É uma casa de fogo, onde o condenado sempre arde, e todavia não se consome, e para sempre é atormentado.
3 – É o lugar dos sofrimentos. Devem-se suportar as penas: fome, frio, sono, raiva consternação, ardor em todos os membros sempre e continuadamente; nunca um momento de trégua de descanso, de alívio.
Como resistir-se-á naquele fogo?

XXI dia

Condição dos condenados

São espantosos os tormentos corporais que se experimentam no inferno.
Mas e os tormentos que afligem o espírito? Que se faz no Inferno?
1 – Compreende-se o mal do pecado, que presentemente não se calcula, não se pesa e será um remorso continuo sem esperança e sem conforto.
2 – Sofre-se a pena dos pecados cometidos à qual não se pensa quando o demônio impele a pecar.
3 – Amaldiçoa-se a causa do pecado, aquela ocasião que agora se procura, aquele objeto que presentemente se deseja.
Oh raiva despeitosa e sem remédio!

XXII dia

A salvação eterna é incerta

Qual será a minha sorte?
Pergunta tremenda. A resposta teremos de pedi-la aos sinais das nossas obras que são manifestos.
1 – Tenho pecado? Sei de certo que tenho merecido o inferno mas não sei se tenho verdadeiramente obtido perdão do pecado.
2 – Não tenho pecados? Sei todavia que posso pecar; pior, sei que nos pecados já chorados posso recair, e não tenho certeza de resistir à ocasião e de levantar-me ainda.
3 – Tenho adquirido o costume de pecar? Sei com certeza de seguir a largos passos pelo caminho do inferno: também confessando-me na hora da morte è demasiado fácil recair com o sentido no pecado.
Afastai-vos do caminho do inferno.

XXIII dia

O número dos condenados

Se os escolhidos são poucos conforme declara o Evangelho, os condenados são em grande número.
Por que tão grande número?
1- É fácil perder-se. O caminho do inferno é largo, e muitos andam por este caminho. Assim diz Jesus Cristo. Caminho largo é a vida cômoda e licenciosa.
2 – É difícil salvar-se: A porta do Paraíso é estreita. Isto diz o mesmo Jesus. Poucos entram porque poucos querem ser rigorosos para com si mesmos.
3 – Desde o princípio do mundo como dizem os Santos, a maior parte dos homens vai ao inferno. Maior parte incauta e funesta.
Pertencerei eu a tal maior parte incauta e funesta.
Pertencerei eu a tal maior parte infausta?

XXIV dia

Pesares de um condenado

Como o doente pensa na saúde assim o condenado pensa no Paraíso perdido e diz consigo mesmo:
1 – Deus tem feito o possível para salvar-me. Dons de natureza e de graça: Internas luzes e santas inspirações; promessas de bens eternos, ameaças de eternas penas, mas tudo inútil.
2 – Com pouco teria podido salvar-me. Bastava atalhar aquela ocasião, vencer aquele costume tivesse eu perseverado naquele intento e recorrido à confissão: Bastava pouco e não estaria aqui.
3 – Por um nada quis ser condenado. Por, um prazer de um momento estou aqui sofrendo eternamente. Avisos, remorsos tudo tenho desprezado por um todo capricho.
Se os condenados tivesse uma hora!

XXV dia

O Inferno é eterno

As penas do inferno verdadeiramente não seriam terríveis se não fossem eternas: se deposi de algum tempo e também de muito tempo cessassem. Mas elas são eternas. Continuam a existir em todos os séculos dos séculos diz o Evangelho. O que é então o condenar-se?
1 – É perder o Paraíso, e perdê-lo para sempre.
2 – É arder no fogo, ser envolvido num fogo devorador, ser imersos nos ardores sempiternos. Arder no fogo e arder para sempre.
3 – É desesperar-se, desesperar-se sem resultado, desesperar-se para sempre.
Sempre penas? Sempre! Nunca alívio? Nunca?
Nunca! Sempre; sempre nunca; eis a eternidade.

XXVI dia

Diferir a conversão

Quem tem pecado deve pensar que já está escrito o Decreto de sua condenação eterna. O Inferno o espera, só pode evitá-lo convertendo-se. Quem julga que deve converter-se em outro momento deveria ter certeza destas três coisas:
1 – De ter tempo de converter-se. Mas quem tem certeza do dia de amanhã?
2 – Também tendo tempo, deter sempre a vontade de converter-se. Quem não é disposto hoje menos o será amanhã.
3 – Também convertendo-se de não tornar a cair no pecado. Para quem tem o costume esta causa é de enorme dificuldade.
Pelo caminho do depois vai-se a casa do mal.

XXVII dia

O Paraíso

Se for no Paraíso, entrando:
1 – Receberei todos os bens, sem mistura alguma do mal. Encontrar-me-ei na plena alegria; sem penas nem medo. Oh grande consolação!
2 – Completamente feliz em companhia de Jesus, de Maria, dos Anjos, dos Santos jutnoa aos quais serei contente, sempre em alegrai. Oh que bela companhia!
3 – Gozarei em tão grata companhia de toda a felicidade e gozarei durante toda a eternidade. Todos os bens serão sempre novos, nunca cansarão, e nunca diminuirão, porque são eternos.
Paraíso, Paraíso, exclamarei na aflição?

XXVIII dia

O caminho do Paraíso

Os caminhos do Paraíso são dois: o da inocência e o da Penitência. Qual é o meu?
1 – Tenho conservada a inocência que adquiri no Santo Batismo? Ai! Que talvez a tenho permitida e também feito perder a outros com graves pecados contra a Pureza e as outras virtudes.
2 – Dos pecados cometidos tenho conseguido o perdão mediante a Confissão e a Penitência? Receio de tê-los mal confessados e ainda não descontados.
3 – Ir no Paraíso pelo caminho da inocência não posso; pelo da Penitência ainda não quero. Não tendo outros caminhos. Como me salvarei?
É inútil tergiversar; precisa decidir-se.

XXIX dia

Quanto vale o Paraíso

A aquisição preciosissima e todavia facílima.
1 – Pouco é o que pede o Senhor. Pede só que se cumpra sua lei, a qual é justíssima, e que leve o seu jugo que é suave.
2 – Este é muito auxiliado por Deus. Ele nos concede a graça das suas inspirações; o valor dos seus méritos infinitos. A força dos seus exemplos; auxílio nas tentações, conforto nas aflições.
3 – Este é largamente remunerado; poucas aflições com imenso gáudio, poucas fadigas com galardão infinito, poucas penas com uma glória eterna.
Breve é o padecer; eterno o gozar.

XXX dia

A Eternidade

Depois desta vida começa a Eternidade. Nela não existem nem ontem, nem amanhã; nem passado nem futuro: mas para sempre o dia de hoje, o presente.
A Eternidade espera-me!
1 – Todos os viventes irão na casa da sua eternidade, aquele que cada um com suas ações fabrica-se nesta vida.
2 – O Demônio com prazer, prazer vil, prazer breve me convida a fabricar-me a Eternidade no Inferno e eu néscio consinto.
3 – O Senhor com limitada penitência, com pouca sacrifício me convida a fabricar a Eternidade no Paraíso, e eu não o considero.
Eis onde chega a humana loucura.

XXXI dia

As vozes da consciência

Interroguemos a nossas consciência, e procuremos que nos responda com sinceridade; e aceitemos com lealdade suas repostas.
1 – Qual é o fim que tem tido Deus criando-me?
- Para que eu alcance o Paraíso.
2 – Tenho eu em meu poder os meios necessários para alcançar tal fim?
- Deus me tem fornecido não só meios suficientes, mas a exuberância; dons de natureza, e infinitos dons de graça.
3 – O que tenho feito eu para alcançar o fim?
- o pior que se possa fazer.
Tenho passado a minha vida como se estivesse no mundo não para o Paraíso mas para o Inferno.
Refletimos e emendemo-nos.