quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Meditações para cada dia do mês (P. Segneri)

Meditações para cada dia do mês (P. Segneri)

Meditações para cada dia do mês (P. Segneri)

I dia

Salvar a alma

Tenho uma só alma.
1 – salvar a alma... é obrigação minha se eu não penso n’isso, quem deverá pensar?
2 – É obrigação minha e de mim mesmo; refere-se não só a alma, mas também ao corpo; se deixo de tratar deste negócio, não haverá quem quererá ocupar-se e tratar disso.
3 – É afazer meu, de mim, para toda a eternidade; é portanto afazer irremediável, se não o levo ao porto, não terei quem o levará por mim.
Entretanto, como me ocupo deste afazer?
Infelizmente demasiado pouco nele penso.

II dia

Quando, como e onde morrerei?

É certo que tenho de morrer; a sentença foi decretada, e tem tido execução desde Adão para todos os homens.
1 – Mas quando? Não sei o dia; poderei morrer naquela hora...
2 – Onde morrerei? Não sei o lugar: poderia ser aquele que eu procuro, e tenho a ocasião de cometer pecados.
3 – De que modo morrerei? Não sei se de morte vagarosa ou violenta; se com a alma maculada ou pura, não sei...
Entretanto impensadamente costumo cair com facilidade; não evito as ocasiões.

III dia

Anuncio da morte

Se não chegar a morte improvisadamente, um dia também se ninguém queira avisar-me tudo ao redor de mim me anunciará próxima a morte, e me advertirá a fim de dispor-me a bem morrer.
Mas então:
1 – Terei tempo de confessar-me? Ai de mim! O mal já será tão grave que com dificuldade poderei falar.
2 – Estarei em condição de examinar-me? Talvez estarei transtornado pelo medo e pela confusão.
3- Terei coragem para devidamente arrepender-me? Se me achar com a consciência perturbada pelas muitas faltas cometidas, estarei perturbado mas não arrependido.
Que poderei fazer? Acomodar os interesses da alma.

IV dia

Preparar-me par a morte

Que terei eu de fazer para achar-me bem disposto na vinda da morte?
1 – Fazer agora o que certamente naquela hora terei desejado de ter feito.
2 – Fazer durante a vida aquilo que provavelmente não será possível fazer naquela hora.
3 – Fazer sempre tudo o que se deve fazer naquela hora, isto é:
Atos de intensa contrição;
Fugir todas as ocasiões;
Penitência rigorosa dos pecados.
Tenho que tomar como regra de conduta: fazer tudo como se fosse o último dia da vida.

V dia

A situação de um moribundo

Quem se acha no leito de morte na aflição, na tribulação e perturbação daquelas horas; enquanto que percebe que a sua vida está para fechar-se e abrir-se-lhe as portas da eternidade, volve um olhar para o passado, para o presente e para o futuro.
1 – O passado o aflige; tantas boas obras omitidas, tantos pecados cometidos sem ter feito a devida penitência.
2 – O presente o entristece; tantos perigos o circundam e não sabe como evitá-los.
3 – O futuro o espanta: tem de frente a eternidade, diante da qual também os santos tremiam.
O teu pensamento, ó morte, me indica de aproveitar bem o tempo da minha vida.

VI dia

O último momento da vida

Da nossa vida são contados os dias e as horas.
Os ponteiros do relógio marcarão um ponto e aquele será o último momento da nossa vida.
Naquele momento:
1 – a alma separa-se do corpo e ficará separada até o dia do Juízo Universal.
2 – a alma separa-se da vida presente e desde aquele momento estão terminados os prazeres, as honras e as riquezas deste mundo.
3 – a alma segue o caminho da eternidade, também pode naquele instante ou perder-se ou salvar-se para sempre.
Repetimos: atemorizados: Momentum a quo pendet aeternitas. Daquele momento depende toda a eternidade.

VII dia

O comparecimento em presença do Juiz

No momento de sair a alma do corpo, acha-se diante de Deus, sentado no tribunal.
Então enxergarei ao pé da minha cama.
1 – Jesus juiz rigoroso, indignado pelo que não devia fazer, e também pelo que não tenha feito em quanto que tinha obrigação de fazer.
2 – A esquerda o Demônio, rindo-se abre um grande volume a fim de eu ler minuciosamente descritos um por um todos os meus pecados.
3 – A direita o Anjo da guarda, que triste atemorizado apresenta um pequeno livro, no qual estão escritas as insignificantes obras por mim feitas.
Quando ides descansar lembrai-vos desta cena.

VIII dia

Como acontecerá o juízo particular

A deus tudo é noto, á minha memória tudo será relembrado.
1- Será feito um exame minucioso de todo pensamento, de toda palavra, de toda ação; serão acusadores ferozes os demônios me enganaram, os companheiros que desprezei.
2 – O juiz será justíssimo, e me censurará porque não tive vergonha de cometer pecados diante dele que tudo enxergava.
3 – A sentença será irrevogável. Não se aceitam desculpas: não tem lugar apelações, não se pode pedir a graça.
A cada ação que fazeis perguntai-vos qual será a sentença final.

IX dia

Estado da alma depois da morte

Jesus juiz sapientíssimo e justíssimo bem conhece a condição da alma que se apresenta ao seu tribunal e com brevidade pronuncia a sentença.
Qual será a minha sentença?
1- se for de glória, então a alma ricamente revestida das virtudes e dos dons do Senhor, será acompanhada ao Paraíso, onde a receberão com grande festa.
2 – Se for de condenação, então a alma despida de todas as virtudes e de todos os dons de Deus será arrastada pelos demônios com alaridos e zombarias ao Inferno.
3 – Não há salvação, nem remédio e cada qual terá ou uma ou outra sentença.
Entretanto que estou eu fazendo? A qual das duas estou eu preparando-me?

X dia

Estado do corpo depois da morte

Chegando a morte, a alma separa-se do corpo e segue para os seus eternos destinos:
E o corpo?
1 – Como fica? Um cadáver pálido; contrafeito, deforme. Nada enxerga, e não fala; não percebe e não tem moto. Todos cautelosamente o evitam.
2 – Que acontece? Envolvido num lençol, velado por um custode mercenário, pelo horror que excita todos dele se afastam.
3 – Onde vai finalizar? Depois das exéquias celebradas na igreja, dando o sino o último toque com som triste e lúgubre anuncia que foi deixado numa cova no tétrico silêncio do cemitério.
Tantos cuidados com um corpo que terá de acabar assim?

XI dia

O processo à nossa vida

Cada dia que vivo me aproximo da morte, e cada dia é também uma nova página do processo que ao Juízo será feito da vida presente. Então de todas as páginas será dada leitura.
1 – Ler-se-á todo o mal que não devia fazer, contra o qual reclamava a consciência, e punha em guarda o Anjo Custode, mas não obstante se quis fazer.
2 – Ler-se-á todo o bem que se podia fazer, que se era incitado a fazer, e não se quis fazer.
3 – Tudo será considerado, pesado, e será a dada final inapelável senteça.
Qual a sentença que me tenho preparado até agora?

XII dia

Estímulo à penitência

Quem de fato bem merece prêmio e quem faz o mal merece castigo. Isto é indiscutível: Se tenho cometido pecados e quero salvar-me do castigo, devo arrepender-me fazer Penitência.
Mas em que tempo a farei?
1 – Depois de morto? É impossível; então não há mais tempo!
2 – Na hora da morte? É dificílimo: o tempo então é pouco e a alma confundida e demasiada angustiada.
3 – Nenhum outro tempo remanesce e não ser o tempo presente: não temos outro tempo em nosso poder. Então fazê-lo imediatamente ou recear de nunca mais podê-lo corrigir a vida reparar ao mal feito no tempo passado e não fazer mal no tempo vindouro.

XIII dia

Juízo Universal os sinais precursores

Todos os sinais que precedem o Juízo universal são de fé.
1 – Serão muitos. O sol que obscurece, a lua que se eclipsa tingida de negro sangue as estrelas que saem, o mar que brame, a terra, guerras, pestes, discórdias.
2 – Serão inesperados. Quando menos se pensará; quando mais se pecará, quando não haverá mais tempo de emendar-se.
3 – Serão terríveis. Choverá do céu um fogo devorador, e as chamas consumirão homens, animais, plantas; casas, palácios, fortalezas, cidades, reinos, impérios. Todo o mundo. O espanto será geral.
Qual será a sorte dos pecadores?

XIV dia

Juízo Universal o despertar dos cadáveres

Das quatro partes do mundo tocarão as trompas angélicas com terrível fragor; devido aquele som:
1 – Este meu corpo do lugar onde está sepultado deverá ressurgir.
2 – a minha alma terá que reunir-se a este corpo chegando do Paraíso ou do Inferno, do lugar onde se achar.
3 – Ressuscitado o corpo, terá de passar do silêncio do sepulcro à vida que existirá eternamente ou na bem-aventurança do Paraíso ou no desespero do Inferno.
Bendita a penitência! Será a voz de alguns; amaldiçoados os prazeres será o grito de oturos.

XV dia

Juízo Universal a chegada do Juiz

Diz o Evangelho que comparecerá sobre as nuvens com grande majestade e poder Cristo Juiz.
1 – Como Criador ele pedir-me-á conta dos dons da natureza que ele me deu a fim de ganhar o Paraíso, e por mim empregados para merecer o Inferno.
2 – Como Pai – pedir-me-á conta do grande amor que teve para mim, e ao qual tão mal correspondi.
3 – Como Redentor – do sangue preciosíssimo que derramou na Cruz por minha causa e que tantas vezes eu tenho desprezado com as minhas maldades, ainda pedirá conta.
Como poderá o pecador suster o aspecto severo deste grande Juiz?


XVI dia

Os segredos da consciência manifestados

No Juízo universal é manifestada a consciência de todos ante o mundo. Então:
1 – Os pecados serão todos manifestados; nem um só será omitido e todos os conhecerão; qual embaraço será o meu?
2 – Serão manifestados os pecados ocultos; também aqueles que tenho ocultado e desculpado em mim mesmo. Mas qual será a desculpa que poderei apresentar quando aparecerá toda a torpeza?
3 – Aos pecados que cometi contra Deus. Ele confrontará os benefícios que me concedeu, o seu sangue inutilmente derramado, os sacramentos abusados; as graças desprezadas as inspirações abandonadas.
Quanta matéria de trepidação?

XVII dia

Os escolhidos chamados ao Reino

Neste mundo vivem juntos os bons e os maus, réprobos e escolhidos; mortos estão enterrados no mesmo cemitério; mas quando tocarão as trompas do Juízo, sairão os Anjos e expulsarão os malvados do meio dos justos, assim declara o Evangelho. Então:
1 – A direita do Juiz estarão os Escolhidos; encontrarei talvez alguns daqueles de que eu um dia zombei.
2 – A esquerda estarão os condenados, entre eles talvez estarão aqueles com os quais eu mesmo cometi pecados.
3 – De qual parte me encontrarei eu?
Confiai-vos ao vosso Anjo Custode a fim de que naquele dia terrível vos assegure um lugar entre os Escolhidos, mantendo-vos apartados dos réprobos.

XVIII dia

A sentença final

Discutidas as consciências; tornados manifestos os desígnios da Providência de Deus em confronto da maldade dos homens; separados os pecadores do Justo, o Juiz pronunciará a sentença final.
1 – Aquela sentença será irrevogável; não admite nenhum recurso ou apelação.
2 – Aquela sentença será imediatamente executada, não admite suspensão nem dilatação.
3 – Aquela sentença será intimada uma vez e para sempre tanto para a alma como para o corpo. Eterna maldição a quem cometeu pecados e não se converteu. Eterna Bênção aquele que não pecou ou se cometeu pecado, fez a adequada penitência.
Pensemos agora para não chorar naquele tempo.

XIX dia

Preciosidade do tempo

Cada momento de tempo é um tesouro; cada momento de tempo Deus nos pode favorecer, porque uma alma que tenha perdido Deus pode num só momento de arrependimento reconquistá-lo. Que direi eu deste inteiro dia?
1 – Neste dia muitos merecimentos posso adquirir empregando bem cada momento! Mas em vez?...
2 – Este dia passa e nunca mais volta.
3 – Deste dia pois deverei render conta rigorosa ao Senhor que mo concedeu. Não obstante pouco penso nisso. Não é só disto, mas de todos os dias da minha vida e de todos os seus momentos.
Poderemos deste modo calcular o nosso verdadeiro bem?

XX dia

O Inferno

Do inferno se fala, mas se tem medo ao pensar nele; pensando seriamente, serve muito para agitar fortemente as almas entorpecidas. Que é o Inferno?
1 – É um cárcere tétrico onde fica-se fechados para sempre, sem sair um momento para respirar o ar na liberdade.
2 – É uma casa de fogo, onde o condenado sempre arde, e todavia não se consome, e para sempre é atormentado.
3 – É o lugar dos sofrimentos. Devem-se suportar as penas: fome, frio, sono, raiva consternação, ardor em todos os membros sempre e continuadamente; nunca um momento de trégua de descanso, de alívio.
Como resistir-se-á naquele fogo?

XXI dia

Condição dos condenados

São espantosos os tormentos corporais que se experimentam no inferno.
Mas e os tormentos que afligem o espírito? Que se faz no Inferno?
1 – Compreende-se o mal do pecado, que presentemente não se calcula, não se pesa e será um remorso continuo sem esperança e sem conforto.
2 – Sofre-se a pena dos pecados cometidos à qual não se pensa quando o demônio impele a pecar.
3 – Amaldiçoa-se a causa do pecado, aquela ocasião que agora se procura, aquele objeto que presentemente se deseja.
Oh raiva despeitosa e sem remédio!

XXII dia

A salvação eterna é incerta

Qual será a minha sorte?
Pergunta tremenda. A resposta teremos de pedi-la aos sinais das nossas obras que são manifestos.
1 – Tenho pecado? Sei de certo que tenho merecido o inferno mas não sei se tenho verdadeiramente obtido perdão do pecado.
2 – Não tenho pecados? Sei todavia que posso pecar; pior, sei que nos pecados já chorados posso recair, e não tenho certeza de resistir à ocasião e de levantar-me ainda.
3 – Tenho adquirido o costume de pecar? Sei com certeza de seguir a largos passos pelo caminho do inferno: também confessando-me na hora da morte è demasiado fácil recair com o sentido no pecado.
Afastai-vos do caminho do inferno.

XXIII dia

O número dos condenados

Se os escolhidos são poucos conforme declara o Evangelho, os condenados são em grande número.
Por que tão grande número?
1- É fácil perder-se. O caminho do inferno é largo, e muitos andam por este caminho. Assim diz Jesus Cristo. Caminho largo é a vida cômoda e licenciosa.
2 – É difícil salvar-se: A porta do Paraíso é estreita. Isto diz o mesmo Jesus. Poucos entram porque poucos querem ser rigorosos para com si mesmos.
3 – Desde o princípio do mundo como dizem os Santos, a maior parte dos homens vai ao inferno. Maior parte incauta e funesta.
Pertencerei eu a tal maior parte incauta e funesta.
Pertencerei eu a tal maior parte infausta?

XXIV dia

Pesares de um condenado

Como o doente pensa na saúde assim o condenado pensa no Paraíso perdido e diz consigo mesmo:
1 – Deus tem feito o possível para salvar-me. Dons de natureza e de graça: Internas luzes e santas inspirações; promessas de bens eternos, ameaças de eternas penas, mas tudo inútil.
2 – Com pouco teria podido salvar-me. Bastava atalhar aquela ocasião, vencer aquele costume tivesse eu perseverado naquele intento e recorrido à confissão: Bastava pouco e não estaria aqui.
3 – Por um nada quis ser condenado. Por, um prazer de um momento estou aqui sofrendo eternamente. Avisos, remorsos tudo tenho desprezado por um todo capricho.
Se os condenados tivesse uma hora!

XXV dia

O Inferno é eterno

As penas do inferno verdadeiramente não seriam terríveis se não fossem eternas: se deposi de algum tempo e também de muito tempo cessassem. Mas elas são eternas. Continuam a existir em todos os séculos dos séculos diz o Evangelho. O que é então o condenar-se?
1 – É perder o Paraíso, e perdê-lo para sempre.
2 – É arder no fogo, ser envolvido num fogo devorador, ser imersos nos ardores sempiternos. Arder no fogo e arder para sempre.
3 – É desesperar-se, desesperar-se sem resultado, desesperar-se para sempre.
Sempre penas? Sempre! Nunca alívio? Nunca?
Nunca! Sempre; sempre nunca; eis a eternidade.

XXVI dia

Diferir a conversão

Quem tem pecado deve pensar que já está escrito o Decreto de sua condenação eterna. O Inferno o espera, só pode evitá-lo convertendo-se. Quem julga que deve converter-se em outro momento deveria ter certeza destas três coisas:
1 – De ter tempo de converter-se. Mas quem tem certeza do dia de amanhã?
2 – Também tendo tempo, deter sempre a vontade de converter-se. Quem não é disposto hoje menos o será amanhã.
3 – Também convertendo-se de não tornar a cair no pecado. Para quem tem o costume esta causa é de enorme dificuldade.
Pelo caminho do depois vai-se a casa do mal.

XXVII dia

O Paraíso

Se for no Paraíso, entrando:
1 – Receberei todos os bens, sem mistura alguma do mal. Encontrar-me-ei na plena alegria; sem penas nem medo. Oh grande consolação!
2 – Completamente feliz em companhia de Jesus, de Maria, dos Anjos, dos Santos jutnoa aos quais serei contente, sempre em alegrai. Oh que bela companhia!
3 – Gozarei em tão grata companhia de toda a felicidade e gozarei durante toda a eternidade. Todos os bens serão sempre novos, nunca cansarão, e nunca diminuirão, porque são eternos.
Paraíso, Paraíso, exclamarei na aflição?

XXVIII dia

O caminho do Paraíso

Os caminhos do Paraíso são dois: o da inocência e o da Penitência. Qual é o meu?
1 – Tenho conservada a inocência que adquiri no Santo Batismo? Ai! Que talvez a tenho permitida e também feito perder a outros com graves pecados contra a Pureza e as outras virtudes.
2 – Dos pecados cometidos tenho conseguido o perdão mediante a Confissão e a Penitência? Receio de tê-los mal confessados e ainda não descontados.
3 – Ir no Paraíso pelo caminho da inocência não posso; pelo da Penitência ainda não quero. Não tendo outros caminhos. Como me salvarei?
É inútil tergiversar; precisa decidir-se.

XXIX dia

Quanto vale o Paraíso

A aquisição preciosissima e todavia facílima.
1 – Pouco é o que pede o Senhor. Pede só que se cumpra sua lei, a qual é justíssima, e que leve o seu jugo que é suave.
2 – Este é muito auxiliado por Deus. Ele nos concede a graça das suas inspirações; o valor dos seus méritos infinitos. A força dos seus exemplos; auxílio nas tentações, conforto nas aflições.
3 – Este é largamente remunerado; poucas aflições com imenso gáudio, poucas fadigas com galardão infinito, poucas penas com uma glória eterna.
Breve é o padecer; eterno o gozar.

XXX dia

A Eternidade

Depois desta vida começa a Eternidade. Nela não existem nem ontem, nem amanhã; nem passado nem futuro: mas para sempre o dia de hoje, o presente.
A Eternidade espera-me!
1 – Todos os viventes irão na casa da sua eternidade, aquele que cada um com suas ações fabrica-se nesta vida.
2 – O Demônio com prazer, prazer vil, prazer breve me convida a fabricar-me a Eternidade no Inferno e eu néscio consinto.
3 – O Senhor com limitada penitência, com pouca sacrifício me convida a fabricar a Eternidade no Paraíso, e eu não o considero.
Eis onde chega a humana loucura.

XXXI dia

As vozes da consciência

Interroguemos a nossas consciência, e procuremos que nos responda com sinceridade; e aceitemos com lealdade suas repostas.
1 – Qual é o fim que tem tido Deus criando-me?
- Para que eu alcance o Paraíso.
2 – Tenho eu em meu poder os meios necessários para alcançar tal fim?
- Deus me tem fornecido não só meios suficientes, mas a exuberância; dons de natureza, e infinitos dons de graça.
3 – O que tenho feito eu para alcançar o fim?
- o pior que se possa fazer.
Tenho passado a minha vida como se estivesse no mundo não para o Paraíso mas para o Inferno.
Refletimos e emendemo-nos.




segunda-feira, 15 de novembro de 2010

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

Regras para incensação

Regras para a incensação[1]

“Suba à tua presença a minha oração, como incenso,
e seja o erguer de minhas mãos como oferenda vespertina”. Sl 140 (141), 2

‘Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que se acha diante do trono” (Ap 8, 3)[2]

art. 1. Na missa:

  1. Na procissão de entrada. A frente da cruz processional, em lances laterais a direita e a esquerda do turiferário.
  2. No princípio da Missa.  Incensar o altar em ictos (um lance do turíbulo) sucessivos contornando o altar. Se a cruz estiver junto do altar, é incensada antes do altar, caso contrário, o Bispo incensa-a ao passar por diante dela. Também incensa-se a imagem do padroeiro ou santo do dia.
  3. Na procissão do Evangelho (como na entrada) e na proclamação do Evangelho, com três ductos, primeiro ducto ao centro, segundo ducto à esquerda do livro, e terceiro ducto à direita do livro.
  4. Ao ofertório:
1º incensar as oferendas: duas opções:  com três ductos, primeiro ducto ao centro, segundo ducto à esquerda das oblatas, e terceiro ducto à direita das oblatas. Ou com uma cruz.
2º incensar do altar. Incensar o altar em ictos (um lance do turíbulo) sucessivos contornando o altar.
3º incensar a cruz junto ao altar: três ductos em direção do crucifixo.
4º incensar o presidente: três ductos em direção do presidente.
5º incensar o concelebrante: três ductos em direção do concelebrante. Se for mais de um concelebrante: com três ductos, primeiro ducto ao centro, segundo ducto à esquerda dos concelebrantes, e terceiro ducto à direita dos concelebrantes.
Obs – Não se incensa imagens de santos.
  1. à elevação da hóstia e do cálice, depois da consagração. três ductos em direção à hóstia ou ao cálice na elevação. De joelhos.


Art. 2 – Sobre a colocação do incenso. O sacerdote presidente pega a colher da naveta com incenso, tira com ela três vezes incenso da naveta e lança-o três vezes no turíbulo. Feito isto é devolvida a colher ao ministro, o sacerdote presidente faz com a mão direita o sinal da cruz sobre o incenso sendo queimado no turíbulo sem dizer nada.

Art. 3 – a prática da incensação – aquele que incensa segura, com a mão esquerda, a parte superior das correntes que sustentam o turíbulo, e, com a direita, segura as mesmas correntes todas juntas perto do turíbulo, de modo a poder comodamente lançá-lo e puxá-lo para si. Lançá-lo sem mover corpo ou cabeça, com gravidade e decoro, enquanto o movimenta para frente e para trás. A mão esquerda, que segura a parte superior das correntes mantém-na firme e segura diante do peito; a mão e o braço direito move-os calma e lentamente com o turíbulo. Antes e depois da incensação, faz inclinação profunda à pessoa ou ao objeto que é incensado; não porém, ao altar nem às oferendas recebidas para o sacrifico da Missa.

Art. 4 – Quantidade de ictos:


icto
Dois ducto
Três ductos
altar
Ictos sucessivos contornando


Livro dos Evangelhos


X aberto
Santíssimo Sacramento


X fechado
Oblatas na Missa


X aberto
Assembléia no ofertório


X aberto
Relíquia de Santos

X fechado

Relíquia da Santa Cruz


X fechado
Crucifixo do altar


X fechado
Imagens de Santos

X fechado

Círio Pascal


X fechado
sacerdote


X fechado
sacerdotes


X aberto
Autoridade civil oficialmente presente


X fechado
Autoridades civis oficialmente presentes


X aberto (depois do presidente da celebração)
Corpo do defunto
Ictos sucessivos contornando


Procissões
Ictos pendentes a direita e a esquerda do turiferário caminhando


Na dedicação de Igreja
Ictos sucessivos


Observações:
1. Icto – é um lance do turíbulo, ducto dois lances do turíbulo.
2. Caracterização dos ductos:.
X fechado - três ductos na mesma direção do objeto a ser incensado.
X aberto – um ducto ao centro, segundo ducto à esquerda e terceiro ducto à direita.
3. Tricto - Não existe tricto, isto é, incensação que comporte num lance de incensação se jogar três vezes o turíbulo.
4. A teologia que está por trás dos três ductos é que se reconhece a presença de Deus (Santíssima Trindade) no objeto incensado, isto é, na carne, na humanidade (ducto – corpo e alma, ou Cristo em sua humana-divindade).





[1] Conforme Cerimonial dos Bispos: o cerimonial da Igreja. São Paulo: Paulus, 1988. números: 74, 84 a 98.
[2]Sociedade Bíblica do Brasil: Almeida Revista E Atualizada - Com Números De Strong. Sociedade Bíblica do Brasil, 2003; 2005, S. Ap 8:3

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

CRIANÇAS QUE FORAM ABORTADAS E A COMUNHÃO DOS SANTOS

CRIANÇAS QUE FORAM ABORTADAS E A COMUNHÃO DOS SANTOS
1. Texto da comissão teológica internacional
2. Milagre na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe
3. Uma Oração pelas Vítimas de Aborto (sob a intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe)

1. Comissão Teológica Internacional
A esperança de salvação para crianças
que morrem sem ser batizados
 

3.6. Esperança

102. Entre a esperança de que a Igreja tem para o conjunto
da humanidade e quer proclamar novamente ao mundo do
hoje, há uma esperança para a salvação das crianças que
morrem sem o Batismo? Temos cuidadosamente reconsiderada esta
questão complexa, com gratidão e respeito pelo
respostas que foram dadas ao longo da história da
Igreja, mas também com a consciência de que cabe a nós
dar uma resposta coerente para hoje. Refletindo dentro do
uma tradição de fé que une a Igreja através do
as idades, e confiando totalmente na orientação do Espírito Santo
Espírito que Jesus prometeu que levaria seus seguidores "em
toda a verdade "(Jo 16:13), temos buscado a ler o
sinais dos tempos e interpretá-las à luz da
o Evangelho. Nossa conclusão é que os muitos fatores que
temos considerado acima dão teológico sério e
razões litúrgicas para esperar que os bebês não-batizados que
morrer serão salvos e gozam da visão beatífica. Nós
ressaltar que estas são razões para a esperança de oração,
ao invés de fundamentos para o conhecimento certo. Há muito
que simplesmente não foi revelado a nós (cf. Jo 16:12).
Nós vivemos pela fé e esperança no Deus da misericórdia e do amor
que tem sido revelado a nós em Cristo, e do Espírito
move-nos a orar em agradecimento constante e alegria (cf. 1
Tessalonicenses 5:18).

103. Qual tem sido revelado a nós é que a ordinária
caminho da salvação é pelo sacramento do Batismo. Nenhum dos
As considerações acima devem ser tomados como qualificação
a necessidade do batismo ou justificar atraso no
administrar o sacramento. [135] Ao contrário, como queremos
Reafirmamos, em conclusão, eles fornecem fortes razões para
esperança de que Deus vai salvar bebês quando não tenham sido
capaz de fazer por eles o que teríamos desejado fazer,
isto é, para batizá-los na fé e na vida da
Da Igreja.
2. MILAGRE NA BASÍLICA DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

(Resumo do comunicado, de 1º de maio de 2007, do Dr.Jean-Pierre Dickès, presidente da Associação Católica de Enfermeiros e Médicos)
Em 24 de abril, 2007, logo depois da decisão do México de legalizar o aborto:
Após a Missa celebrada na Basílica pelas criancinhas não nascidas, abortadas, quando muitos fiéis fotografavam o quadro da Virgem de Guadalupe, diante do qual uma multidão de peregrinos desfilam num tapete rolante, a imagem de Nossa Senhora començou a se apagar, enquanto uma luz intensa emanava do seu ventre, constituindo um halo brilhante tendo a forma de um embrião. Essa luz provinha realmente do ventre da imagem da Santíssima Virgem Maria e não era um reflexo, nem um artefato.
O engenheiro Luis Girault, que examinou a imagem, confirmou a autenticidade do negativo e especificou que não foi nem modificado nem alterado. Ele revelou que a luz não provinha de nenhum reflexo, mas saia literalmente do interior da imagem da Virgem. A luz era muito branca, pura e intensa, muito diferente dos clarões fotográficos habituais, produzidos pelos flashes. Esta luz era envolvida por um halo com a forma de um embrião. Examinando ainda mais precisamente esta imagem, distingue-se no interior do halo certas zonas de sombra que são características de um embrião humano no seio materno .


3. Uma Oração pelas Vítimas de Aborto
 Santa Mãe de Deus e da Igreja, Nossa Senhora de Guadalupe, fostes escolhida pelo Pai e pelo Filho através do Espírito Santo. Sois a Mulher vestida de sol que dá à luz a Cristo enquanto Satanás, o Dragão Vermelho, espera para devorar vorazmente Vosso Filho. Assim também Herodes procurou destruir Vosso Filho, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, massacrando para isso tantas crianças inocentes. Assim faz hoje o aborto, matando tantas crianças inocentes não-nascidas, e explorando tantas mães em seu ataque contra a vida humana e contra a Igreja, o Corpo de Cristo. Mãe dos Inocentes, louvamos a Deus em Vós pelo Dom que Vos deu em Vossa Imaculada Conceição, Vossa liberdade do pecado; Vossa plenitude de graça, Vossa Maternidade Divina e da Igreja, Vossa Perpétua Virgindade e Vossa Assunção em corpo e alma para o Céu. Ó Auxílio dos Cristãos, pedimo-Vos, protegei todas as mães dos nascituros e os filhos que estão em seus ventres. Rogamos a Vós para que, por Vosso auxílio, termine o holocausto do aborto. Abrandai os corações para que a vida seja reverenciada! Mãe Santíssima, rogamos a Vosso Doloroso e Imaculado Coração por todas as mães e todas as crianças não-nascidas para que possam viver aqui na terra e, pelo Preciosíssimo Sangue derramado por Vosso Filho, possam ter a vida eterna com Ele no Céu. Rogamos também a Vosso Doloroso e Imaculado Coração por todos os abortistas e todos os que apóiam o aborto, para que se convertam e aceitem Vosso Filho, Jesus Cristo, como seu Senhor e Salvador. Defendei todos os Vossos filhos na batalha contra Satanás e todos os espíritos malignos nestas trevas atuais. Desejamos que as inocentes crianças não-nascidas, que morreram sem Batismo, sejam batizadas e salvas. Pedimo-Vos que alcanceis esta graça por elas, contrição, reconciliação e o perdão de Deus para seus pais e seus assassinos. Que seja revelado, mais uma vez, na história do mundo, o poder do Amor Misericordioso. Que ele ponha um fim ao mal. Que ele transforme as consciências. Que Vosso Doloroso e Imaculado Coração revele para todos a luz da esperança. Que Cristo Rei reine sobre nós, sobre nossas famílias, cidades, estados, nações e sobre toda a humanidade. Ó clemente, ó amável, ó doce Virgem Maria, ouvi nossas súplicas e aceitai este brado de nossos corações! Nossa Senhora de Guadalupe, Protetora dos Nascituros, rogai por nós!

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sábado, 3 de abril de 2010

VIGÍLIA PASCAL - ROTEIRO

Paróquia Santa Cruz “Sábado Santo” Vigília Pascal

Celebrante-Ministros sagrados-Acólitos-Ministrantes
(Sábado Santo)

Celebrante: _____________________________________
Cerimoniário: ___________________________________

Comentarista: ___________________________________
I Leitor: ________________________________________
I Salmista: _______________________________________
II Leitor: _______________________________________
II Salmista: _______________________________________
III Leitor: _______________________________________
III Salmista: _______________________________________
IV Leitor: _______________________________________
IV Salmista: _______________________________________
V Leitor: _______________________________________
V Salmista: _______________________________________
VI Leitor: _______________________________________
VI Salmista: _______________________________________
VII Leitor: _______________________________________
VII Salmista: _______________________________________
Leitor da Epístola: _______________________________________
Intencionistas: ___________________________________

Ministrantes
Turiferário: _______________________________________
Naveteiro: ________________________________________
Cruciferário: ______________________________________
Ceroferário: _______________________________________
Ceroferário: _______________________________________
Acólitos: __________________________________________
Coroinhas: _________________________________________
__________________________________________________
Coleta: ____________________________________________
Procissão das Oferendas: ________________________________
Músicos: ____________________________________________
___________________________________________________
Desnudar as Imagens: ___________________________________________
Colocar a toalha: _______________________________________________

PRAEPARANDA

Sacristia

Paramentos para o Celebrante (Brancos)
Cruz processional
Turíbulo
Naveta
Missal

Altar
Sedes para celebrante, ministros sagrados e ministrantes.
Castiçais sobre o altar
Ambão
Candelabro para o Círio Pascal (junto do ambão)
Texto do Precônio no ambão (missal da capela)
Pedestal grande para microfone do celebrante
Pequena mesa para a benção da água (ao lado do ambão)
Sacrário vazio

Credencia I
Jarro, bacia, manustérgio.
Cálice, sanguinho, patena, pala, corporal.
Píxides com partículas
Galhetas com água e vinho
Pavios para acender as velas do altar com a Chama do Círio

Credencia II
Estante para o Missal
Suporte pequeno para microfone do celebrante
Água a ser abençoada
Recipiente com sal

Pátio ou outro lugar conveniente:
Pequena mesa
Círio Pascal
Cinco grãos de incenso (cravos) e um estilete
Pavio para acender o Círio
Lanterna
Velas para os ministrantes
Braseiro ( deverá estar aceso meia hora antes do início da celebração)
Pinça (para por as brasas no turíbulo)
Vela para acender o Círio



Observação:
• Alguém para acender a fogueira (o Turíbulo deverá estar com a brasa vinda da fogueira)
• Queimar o óleo ( batismal e Crisma na fogueira)
• Marcar o Círio
• Vela para acender o Círio
• As velas do altar ficam apagadas até o Glória


DESENVOLVIMENTO DO RITO

A- Ritos - RICA

A1. exame e petição dos candidatos n. 146 p. 65
A2. admissão ou eleição n. 147
A3. oração pelos eleitos n. 148 até 149. p. 168
A4. Exorcismo p. 72 n. 164
A5. Exorcismo p. 76 n. 171
A6. Exorcismo p. 79 n. 178.
A7. Ritos de preparação imediata
p. 81 n. 194
Evangelho p. 84
A8. Recitação do Símbolo p. 85 n. 198, 199 (pegar manual de participação na Eucaristia)
A9. Efeta p. 86 201 Evangelho e rito n. 202
A10 Unção cada um é ungido com o óleo dos catecúmenos, no peito ou em ambas as mãos ou em outras partes do corpo se for oportuno.
130 p. 91



1. Ritos iniciais
O celebrante, os ministros. Sagrados e ministrantes, revestidos, dirigem-se processionalmente na ordem costumeira até o local da benção do fogo ( pátio ou entrada da Igreja).
Saudação e breve exortação do celebrante
Benção do Fogo
O celebrante prepara o Círio Pascal (incisões com estilete, e colocação do ‘cravos’)
O celebrante acende o Círio Pascal
Procissão ( com Círio á frente). Para-se três vezes cantando ‘Eis a Luz de Cristo’. A cada vez os fiéis vão acendendo suas velas no Círio.
Chegando ao altar, o Círio é colocado no candelabro, acendem-se todas as luzes da Igreja, todos tomam os seus alugares e o celebrante (ou cantor) canta, no ambão, o Precônio pascal.
O celebrante recebe um ramo inicia-se a Procissão (Turiferário, cruciferário entre dois ceroferários, ministrantes, celebrante, povo).

2. Liturgia da Palavra
Monição do celebrante
Seguem-se as leituras com os respectivos salmos e orações.
Após a oração depois da última leitura,

3. Liturgia Batismal
Monição do celebrante
Uma pequena mesa é disposta ao lado do ambão, colocando-se sobre ela o recipiente com água a ser abençoada.
Benção da água.
Renovação das promessas Batismo (com velas acesas).
Aspersão do povo.
Omite-se oração dos fiéis

4. Liturgia Eucarística
Como de costume
Oração Eucarística II com prefácio próprio
5. Ritos Finais
Benção solene
Saída como de costume
Observações:
• As velas do altar ficam apagadas até o Glória
• Após o oremos da última leitura o Padre inicia o Glória ( Glória a Deus nas Alturas ‘reto tom’)
• Após a Leitura da Epístola o Pe. Inicia a aclamação, o aleluia(‘reto tom’) seguido pelo povo.

Sábado Santo

1. Comentário
2. Padre saúda o povo
3. Abençoa o Fogo
4. Faz a incisão no Círio
5. Eis a luz de Cristo (procissão a frente do Padre turíbulo e naveta e Padre e acólito (Obs: o acólito pede ao povo para ir acendendo as velas no Círio)).
6. Depois do terceiro “demos graças a Deus” ( acendem-se todas as velas)
7. Chegando ao altar o Padre coloca o Círio no suporte, incensa o Círio e o livro
8. Canta o “Exulte”
9. Liturgia da Palavra (precedida pela oração do Padre)
10. Após o Salmo “ A minha alma tem sede...” segue-se à oração e após o Padre inicia o glória em “reto tom” ( acende-se as velas do altar).
11. Lê-se a oração que segue e a Epístola.
12. Após a leitura o sacerdote entoa o aleluia que é continuado pelo leitor do salmo
13. Segue-se o Evangelho proclamado pelo Padre ( acompanhado só de um turíbulo)
14. Homilia
15. Liturgia batismal (deixar preparado a água perto do batistério) Catecúmenos no primeiro banco com padreinhos
• Exortação – RICA p. 94 213Padre
• Ladainha – canta-se enquanto se aproximam os iluminados
• Oração conclusiva
• Oração sobre a água – quem preside voltado para fonte com mãos postas.
• Benção da água
• (após o Padre dizer: Por Cristo nosso Senhor, lê-se a renuncia e a profissão de fé – somente os catecúmenos).
• Banho Batismal
• Unção depois do Batismo – Crisma no tempo pascal pelo Bispo – no cocuruto
• Veste batismal
• Entrega da luz – presidente tocando o círido dis
• Padrinhos e madrinhas aproximam-se do círio, acendem a vela e entregam a vela para o neófito.
• Renovação das promessas batismais Missal Romano n. 46 (todo o povo)
• Aspersão

16 – Oração da Comunidade
17. liturgia eucarística.
Benção – com aleluia duplo.

quarta-feira, 17 de março de 2010

MISTAGOGIA MOTIVACIONAL: UMA PROPOSTA DE METODOLOGIA CATEQUÉTICA INCULTURADA Introdução

MISTAGOGIA MOTIVACIONAL:

UMA PROPOSTA DE METODOLOGIA CATEQUÉTICA INCULTURADA

Heraldo de Moraes (Pe. Micael de Moraes, sjs)

Resumo

A Mistagogia Motivacional procura a partir do princípio meta-motivacional do amor como Entrega possibilitar ao catequista uma visão orgânica do Mistério e propiciar o encontro do catequizando com Deus a partir da motivação de sua disposição pessoal formada no processo de socialização na sua cultura.

Palavras-chave: Mistagogia, motivação, cultura, metodologia, catequese.

Abstract

The Motivational Mystagogy demand from the metamotivational principle of the love as Delivery enable the catechist a vision of organic Mystery and provide the meeting of those receiving catechesis with God from the motivation of their disposal personnel formed in the process of socialization in their culture.

Keywords: Mystagogy, motivation, culture, methodology, catechesis.

Introdução

A presente tese trabalha o problema metodológico da catequese sob uma perspectiva mistagógica. Na atualidade, encontramos catequistas que não estão preparados para catequizar um público advindo de um mundo globalizado e insensível à simbologia sacramental. Surge a necessidade de formar catequistas que saibam articular o Mistério Revelado com as necessidades mais profundas dos catequizandos numa experiência de fé.

No processo da catequese o catequista depara-se com o problema metodológico. Em primeiro lugar como articular metodologicamente o depositum fidei, isto é, a Revelação, a Liturgia e a vida no Espírito. Em segundo lugar o problema da articulação da educação na fé com o catequizando e sua cultura e por fim a conjugação da motivação desse mesmo catequizando que brota da cultura com o processo da educação na fé.

Na catequese há uma diversidade de metodologias, métodos e técnicas, porém nota-se catequistas despreparados para articular esses elementos, bem como tornar o encontro catequético agradável e eficaz tanto para o próprio catequista como para os catequizandos.

Com a tese se pretende comprovar a necessidade de uma metodologia catequética que ajude o catequizando a penetrar no Mistério, mas que ao mesmo tempo tal metodologia se preocupe com a realidade cultural desse mesmo catequizando.

Surge então a pergunta: Como se ter uma metodologia catequética que se preocupe com a motivação do catequizando, porém sem menosprezar o Mistério Revelado? Como se ter uma metodologia catequética que possibilite ao Mistério atingir o centro da decisão humana?

Procuramos responder a essa pergunta através da Mistagogia Motivacional, isto é, um processo metodológico que ao mesmo tempo se preocupe em conduzir o catequizando ao conhecimento, experiência e vivência do Mistério, todavia o faz a partir da sua disposição pessoal formada na cultura. O Mistério é o objeto da catequese e a missão do catequista é conduzir os catequizandos a imergirem-se nesse Mistério. A Mistagogia introduz o catequizando na linguagem simbólico-sacamental e procura transmitir o conteúdo do Mistério de forma orgânica e sistemática.

A metodologia catequética mistagógica-motivacional parte das interrogações que surgem da disposição pessoal do catequizando e que o estimulam a um justo desejo de transformar a vida a luz do Evangelho. A Mistagogia Motivacional faz a conexão entre a natureza humana com suas aspirações e o Mistério do Amor de Deus que satisfaz plenamente o coração humano.

Neste trabalho procuramos em primeiro lugar construir uma meta-metodologia, isto é, uma metodologia para construir outras metodologias. Buscar um princípio meta-metodológico comum ao Mistério e à motivação humana e a partir desse princípio estabelecer a Mistagogia Motivacional que auxilie na introdução do catequizando no Mistério.

Deduzimos por este trabalho que o Amor como Entrega[1] é o princípio meta-metodológico presente no Mistério e na motivação humana.



[1] A escolha do vocábulo “entrega” se faz porque significa melhor a autocomunicação de Deus na criação e na salvação da humanidade e também a atitude de entrega amorosa do ser humano aos irmãos e a Deus. Nisto consiste o Mistério, no seu amor, Deus entregou seu Filho ao mundo, para que a humanidade pudesse assim se entregar ao Pai pelo Filho no Espírito Santo. Como no sentido paulino: “E vós maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou [paredwken] por ela” (Ef. 5, 25).

MISTAGOGIA MOTIVACIONAL: UMA PROPOSTA DE METODOLOGIA CATEQUÉTICA INCULTURADA Amor Entrega

1. O princípio meta-metodológico do Amor como Entrega

1.1 O princípio meta-metodológico na Pedagogia Divina

A Mistagogia Motivacional tem por modelo a Pedagogia Divina. Pedagogia que é a “forma histórica que Deus seguiu ao longo do tempo para dar-se a conhecer, manifestar seu projeto libertador e chegar ao encontro com a humanidade”.[1] A Santíssima Trindade é uma comunidade perfeita de amor eterno e oblativo, esse amor transborda na criação e chama o ser humano a vida como imagem de Deus, isto é, homem e mulher capazes de serem fecundos, de se entregar um ao outro no amor verdadeiro. Mesmo quando o pecado entra no coração humano, Deus não desiste do ser humano e em Abraão Deus quer chamar o povo a entregar-se a Ele em sua fé. No êxodo o povo faz a experiência de libertação da dominação egípcia e no deserto passa ela experiência da Aliança e da lei, para aprender a amar. Pelos profetas Deus promete a Aliança de amor inscrita no coração humano, Aliança a ser concretizada pelo Messias que vem para salvar o povo dos Pobres e derramará o Espírito para dar um coração humano que saiba amar e não fechado em si mesmo.

Jesus revela o Mistério do amor do Pai em toda a sua existência, em suas palavras, em sua maneira de ser e de se portar.[2] O encontro com Jesus é encontro com o Mistério de Deus que se revela. Como, por exemplo, no itinerário de fé do grupo apostólico, o encontro com os pecadores, daqueles que estão sob a dominação e excluídos do convívio do amor (cf. Mc 2, 17). Foi no encontro pessoal que a disposição interior dos interlocutores foi motivada por Jesus, como Zaqueu (cf. Lc 19,8), que respondendo ao convite de mudar sua disposição pessoal em vista do Reino de Deus. Jesus também se encontrou com a incompreensão humana do Mistério revelado nele, como nos seus conterrâneos nazarenos (cf. Mc 6, 1-6). O cume da obra de salvação é a Entrega de Cristo a seu Pai, o fechamento do ser humano a Deus é sanado pela entrega salvadora de Jesus em seu sacrifício, entrega que atrai e atrairá o ser humano a Deus (cf. Jo 12, 32). Em sua pedagogia de amor ou metodologia mistagógico-motivacional, Jesus leva as pessoas a se abrirem a esta entrega e a viverem em suas vidas. A Igreja procura continuar essa metodologia mistagógica-motivacional.

O anúncio do Evangelho pelos apóstolos favorece a constituição de comunidades, nas quais os seguidores de Jesus vivam o amor mútuo. A Igreja que submerge suas raízes no judaísmo vai adentrando progressivamente no mundo greco-romano. As conversões acontecem e até metade do século II não havia uma instituição especializada para catequizar os convertidos. No século III consolida-se o catecumenato nas principais Igrejas e no século IV surgem as catequeses mistagógicas dos Padres. No processo mistagógico, a Sagrada Escritura narra a evolução desse Mistério no tempo e no espaço, os ritos celebram o Mistério de Deus e inserem o batizado nesse mesmo Mistério, na História da Salvação, e por fim os sacramentos prolongam esse Mistério na vida do fiel (vida moral) e abrem-no à esperança escatológica. Tendo por centro Jesus Cristo como revelação do desígnio amoroso de Deus. Santo Agostinho na sua obra De Catechizandis Rudibus conclui que o catequista se inspire no modo de agir de Deus na revelação de seu plano de amor, na paciência e na compreensão.[3] Com a inserção cristã em todo o tecido da vida civil e cultural, a aproximação Igreja e Estado a partir de 313 e o favor concedido pelos imperadores ao Cristianismo enfraquecerá as motivações que levam ao batismo e por conseqüência o catecumenato começa a desaparecer. A tutela do Estado leva a uma catequese que frisa muito mais a dominação e a submissão, do que a convivência no amor. Uma catequese superficial e pobre de conteúdo que torna o povo cada vez mais ignorante, preso às superstições numa religião mágica. O êxito da Reforma Protestante mostrou a necessidade da instrução na fé das crianças e dos adultos. O Concílio de Trento obriga bispos a providenciar a catequese nas paróquias, caracterizada pelo processo da memorização. No Brasil a catequese nesse período seguia duas linhas, ou a catequese missionária voltada para a conversão dos infiéis ou a catequese tradicional existente em Portugal na época do descobrimento.[4] O século XX é caracterizado pela metodologia catequética, como por exemplo, o método indutivo ou método de Munique, a catequese querigmática, ou no pós-vaticano segundo uma catequese que quer ter por centro o ser humano. No Brasil após as Conferências de Medellín e Puebla, surge o Documento 26 da CNBB, Catequese Renovada, que apresenta a catequese como educação permanente da fé para a comunhão e participação na comunidade, de modo que o catequizando possa unir fé e vida.

Neste início do século XXI, a catequese mais do que se questionar sobre qual metodologia a seguir, tomada como um conjunto de métodos, precisa questionar-se sobre uma meta-metodologia, isto é, um quadro referencial que insira as várias metodologias dentro do panorama histórico e teórico da catequese. Obter não somente um princípio metodológico, que perpassa todo o conteúdo da catequese, mas obter o princípio meta-metodológico das diversas metodologias, que este trabalho considera como a pedagogia do amor ou de Entrega, como princípio único da Revelação de Deus na História.

1.2 Análise sócio-antropológica da dimensão de Entrega do ser humano

Numa perspectiva sócio-antropológica analisamos neste item o amor como Entrega, a partir da parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37), bem como seu contraposto que é a dominação, a partir da parábola do devedor implacável (cf. Mt 18, 21-35) e da parábola dos vinhateiros homicidas (Mt 21, 33-46; Mc 12, 1-12; Lc 20, 9-19), para obtermos um quadro de análise sócio-antropológico do amor como Entrega, isto é, do princípio meta-metodológico da Mistagogia Motivacional.

O Samaritano viu o necessitado, diferentemente do sacerdote e do levita, move-se de compaixão,[5] sobre as feridas põe azeite para suavizar e vinho para desinfetar, o conduz a uma pousada e cuida daquele homem necessitado. Coloca-se a disposição ao recomendar ao dono da pousada que cuide dele e diz “o que gastares a mais, em meu regresso te pagarei” (Lc 10, 35). O amor faz o Samaritano mover-se de compaixão, entregar-se ao cuidado do necessitado, sem se preocupar com barreira religiosa ou política. Um amor que leva o Samaritano a entregar-se ao outro, amar como Entrega que gera vida no próximo, estabelece vínculo, que tem peso eterno e é a essência da Aliança com Deus. Isto é o fazer a vontade de Deus para conseguir a vida eterna, conforme a resposta do jurista. Por fim, o homem livre ama o próximo necessitado. O homem livre consciente de sua própria solidão, por princípio sabe-se necessitado do amor divino e da ajuda de outras pessoas, ele tem consciência de sua própria debilidade. O homem livre sabe-se um necessitado, um pobre. O próprio Jesus identificou em si esta necessidade de ser amado por um ser humano (cf. Jo 21, 16). Esta consciência da própria pobreza é que faz com que o Samaritano vá ao encontro da necessidade do próximo, sejam tais necessidades corporais, psicológicas, afetivas ou espirituais. O homem que ama procura então, satisfazer a necessidade do outro, não suas vontades, mas as suas verdadeiras necessidades, isto é, aquelas destinadas a propiciar a maturidade humana. Concluindo, o homem livre sabe-se pobre, vê o próximo, pressupõe nele o amor e vai ao encontro de sua necessidade, para que este também se torne um homem livre e possa amar. O amor como Entrega consiste em primeiro lugar em ver, em estar atento à realidade do outro. Depois se mover de compaixão, todo o nosso ser estar voltado para auxiliar o outro em sua real necessidade, doar a nossa vida, tempo e qualidades para satisfazer as verdadeiras necessidades do próximo, para que o necessitado tenha vida e possa tornar-se assim um ser humano livre. É preciso estar sempre à disposição, estar presente a cada instante na vida do necessitado. Mas nesse processo estar conscientes do sofrimento que isso gera e assumir tal sofrimento na Cruz do Senhor Jesus Cristo. A Entrega gera vínculos que perduram pela eternidade, uma aliança eterna em Cristo que satisfaz o coração humano. Esse amor-entrega, que procura fazer o bem (cf. At 10, 38), é graça de Deus e é o fundamento da motivação humana, isto é, do mover do coração humano (cf. Lc 10, 33).

Se o amor é a tese, a dominação é antítese do processo da implantação do Reino. Para definir a dominação tomamos por paradigmas as parábolas do devedor implacável (Mt 18, 21-35) e a dos vinhateiros homicidas (Mt 21, 33-46; Mc 12, 1-12; Lc 20, 9 -19). A dominação surge no coração do ser humano que, não aprendendo amar e ser amado, não aceita a sua condição de necessitado e encastela-se. O dominador procura subordinar o outro, absorvê-lo, numa busca de uma falsa união através da hipocrisia. Essa dominação, que pode se transvestir de amor, caracteriza-se principalmente em instrumentalizar o outro na falsa tentativa de satisfazer as próprias necessidades. Tudo isso gera nas relações humanas desconfiança e por fim separação.

1.3 A dimensão de Entrega da Pedagogia Divina na Revelação do Mistério: uma análise teológico-sistemática

A finalidade da catequese é ensinar o catequizando a vivenciar o Mistério Revelado da comunhão da Trindade oferecida ao ser humano. A missão da catequese é ensinar a amar, de tal modo que o catequizando no equilíbrio entre corpo e espírito no ato de amor, eduque o amor eros, para que seja base para que o amor-ágape possa acontecer. Eros e ágape, amor-entrega que como essência da Trindade e da Revelação, torna-se princípio meta-metodológico de uma catequese inculturada.

A Entrega é essencial à vida íntima da Trindade e está impregnada na criação. Jesus, Deus e Homem, é a autocomunicação, a auto-entrega encarnada de Deus e torna a Entrega a lei da Nova Criação inaugurada por Ele no Espírito.[6] O relacionamento de Entrega entre Pai e Filho na Trindade agora pode ser participado por cada ser humano pela graça. O centro da Revelação é pois Deus que em seu Filho e no Espírito comunica a si mesmo, se Entrega, para que o ser humano possa comungar da essência da Trindade. O Espírito leva o crente a viver a Lei de Cristo cumprida a partir da liberdade do serviço mútuo. Por fim, o ser humano é chamado a participar pela graça recebida nos sacramentos da comunhão da Trindade formando a comunhão dos chamados, a Igreja.

O acesso a essa comunhão nos é propiciada por Jesus Cristo no Espírito, neles podemos viver a Entrega perfeita ao Pai. Afirmamos que especificamente a participação nessa Entrega se dá através do sacerdócio de Cristo, isto é, através da participação na Entrega eterna do Ressuscitado ao Pai no Espírito. A transformação obtida por Cristo por sua Entrega ao Pai está aberta à participação de todos os seres humanos, basta aderir a Cristo na obediência da fé (cf. Hb 5, 9). Os fiéis pois são consagrados no sacramento do Batismo como sacerdotes batismais, isto é, associados ao estatuto ou condição sacerdotal de Jesus Cristo, à sua Entrega obediente ao Pai.[7] A Liturgia é o momento do exercício do sacerdócio de Cristo. A Liturgia é celebração do Mistério Pascal, atualização do amor transformante de Deus no interior de cada fiel. Mistério Pascal da paixão, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo que indica antes de tudo o fato da obediência à vontade do Pai que teve como resposta a glorificação de Jesus (cf. Fl 2, 6-11), pois foi ouvido graças à sua piedade (cf. Hb 5,7), esse aniquilamento e glorificação constitui o cume de sua existência e de toda a história da bondade e da misericórdia de Deus em seu amor pelo homem.[8]

Na auto-entrega de Jesus a relação do ser humano com Deus e com o próximo une-se no novo culto. A vida cristã passa a ser um culto oferecido a Deus, o fiel unido à auto-oferta de Jesus na liturgia está habilitado a oferecer a própria vida a Deus no amor ao próximo, torna a sua própria vida um sacrifício de louvor (cf. Rm 12, 1). Essa participação torna o ser humano um sacrifício vivo, um sacerdote real que oferece a Deus sacrifícios agradáveis através de obras de amor.

Concluímos este item com a afirmação de Karl Rahner, que resume de forma magistral a relação da dimensão de Entrega presente em Deus e no ser humano:

O homem chega realmente a si mesmo em genuína autorealização somente quando ousa colocar-se radicalmente em favor dos outros. Ao fazê-lo, acolhe (atemática ou explicitamente) o que entende por Deus enquanto horizonte, garante a radicalidade deste amor, o qual em autocomunicação (existencial e historicamente) se faz o espaço da possibilidade desse amor. Este amor entende-se de maneira íntima e social e, na radical unidade destes dois momentos, ele é o fundamento e a essência da Igreja.[9]



[1] CELAM. Manual de catequética. São Paulo: Paulus, 2007, p. 211.

[2] Cf. CATECISMO da Igreja Católica, 1997. Petrópolis: Vozes, 1998, 516.

[3] Passim. AGOSTINHO. A instrução dos catecúmenos: Teoria e prática da catequese. Petrópolis: Vozes, 2005.

[4] Cf. AZZI, R. Os primórdios da catequese: Arranjos do período colonial e imperial. In: PASSOS, M. (Org). Uma História no plural: 500 anos do movimento catequético brasileiro, p. 16-24.

[5] Do grego splagcnizomai, comover-se. A palavra motivação advém do latim movere, que significa mover.

[6] Cf. KELLER, H. Cristologia. In: SCHNEIDER, T. (Org.). Manual de dogmática. 2ª ed. V.1. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 354.

[7] Cf. FABRIS, R. Carta aos hebreus. In: As cartas de Paulo III. São Paulo: Loyola, 1992, (Bíblica Loyola 6), p. 458

[8] Cf. MARTÍN, Julián López. No Espírito e na Verdade 1: Introdução teológica à liturgia. Petrópolis: Vozes, p. 160.

[9] Curso fundamental da fé. São Paulo: Paulinas, 1989, p. 527.