terça-feira, 4 de julho de 2017

ESQUEMA GERAL CELEBRAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS SEM DISTRIBUIÇÃO DA COMUNHÃO

ESQUEMA GERAL
CELEBRAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS SEM DISTRIBUIÇÃO DA COMUNHÃO

Os textos das orações e das leituras tomam-se habitualmente do Missal e do Lecionário. (CDAP, n. 35)O leigo que orienta a reunião comporta-se como um entre iguais. Não deve usar palavras que pertencem ao presbítero ou ao diácono. (CDAP, n. 35) Não deve usar a cadeira presidencial, mas prepare-se antes uma outra cadeira fora do presbitério. (CDAP, n. 40)
Ao preparar a celebração cuide-se da conveniente distribuição dos serviços, por exemplo, para as leituras, para os cânticos etc., e da disposição e arranjo dos lugares. (CDAP, n. 40)

RITOS INICIAIS

Somente o moderador diz:
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
O povo responde:
Amém.

Opções

1
Bendito seja o Deus, Pai de toda a consolação, que manifestou a sua misericórdia para conosco



Ou


2
Irmãos, bendizei a Deus em sua bondade e nos (ou vos) convida para a mesa da Palavra do Senhor.


O povo responde:
Bendito seja Deus para Sempre.

No início desta celebração , peçamos a conversão do coração fonte de reconciliação e comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs.

Opções
Ato Penitencial
1
1. Senhor, que viestes salvar os corações arrependidos:
Piedade, piedade, piedade de nós! (bis)
2. Ó Cristo, que viestes chamar os pecadores humilhados: Piedade, piedade, piedade de nós!3. Senhor, que intercedeis por nós junto a Deus Pai que nos perdoa: Piedade, piedade,   piedade de nós!
2
Senhor, que sois o caminho que leva ao Pai, tende piedade de nós.
R//. Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, que sois verdade que ilumina os povos, tende piedade de nós.
R//. Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, que sois a vida que renova o mundo, tende piedade de nós.
R//. Senhor, tende piedade de nós.
Moderador: Deus, todo Poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza a vida eterna. Amém.

Moderador: Oremos
(momento de silêncio)

Oração do dia conforme a Liturgia diária.

Amém.   

LITURGIA DA PALAVRA

Primeira leitura. Sentados.

Conforme primeira leitura da Liturgia Diária

Palavra do Senhor.
 Graças a Deus.

Salmo Responsorial
Conforme Liturgia Diária

— Versículo
— Responsório

Estrofes lidas


Aclamação ao Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Versículo

Evangelho

Ouçamos irmãos e irmãs o Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus ou Marcos ou Lucas ou João

Leitura conforme Liturgia Diária

V/. Palavra da Salvação. 
R/. Glória a vós, Senhor.

Sentados. O moderador faça uma exortação Segue-se silêncio para interiorização. 

Faz-se a Oração dos fiéis ou Universal, que os fiéis procuram responder conforme indicado pelo moderador conforme Liturgia Diária.


Introdução à Oração da Comunidade
1
Irmãos, elevemos as nossas preces a Deus Pai todo-poderoso, que deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade
2
Irmãos, nesta oração pública e comum que agora iniciamos ninguém rogue apenas por si, nem só pelos seus, mas roguemos todos ao Cristo Senhor por todo o povo.
3
Advento: Irmãos, esperando ardentemente a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, imploremos com mais fervor a sua misericórdia.
4
Quaresma: Caros Irmãos, é preciso rezar em todo tempo; mas sobretudo nestes dias da Quaresma devemos elevar nossa oração a Deus, em fervorosa vigília com o Cristo.
5
Tempo Pascal: Caros irmãos, nesta alegria pascal invoquemos a Deus, com mais fervor para que, tendo atendido às preces e súplicas do seu amado Filho, considere também nossas humildes orações.
6
Irmãos, reunidos para celebrar a Palavra de Deus, roguemos ao Deus todo-poderoso que o mundo inteiro seja lavado na fonte de toda bênção e toda vida.
7
Irmãos, aqui reunidos para recordar os benefícios de nosso Deus, roguemos que ele inspire os nossos pedidos, para que possa atender às nossas súplicas.
Depois da oração universal (sem concluí-la) o moderador convida à ação de graças pela qual os féis exaltam a glória de Deus e a sua misericórdia. Isto pode fazer-se com um salmo (99, 112, 117, 135, 147, 150), ou um hino ou cântico (Magnificat), ou também com uma prece litânica, que o moderador, de pé com os fiéis voltados para o altar, diz juntamente com todos eles. Esta ação de graças não deve ter, de modo nenhum, a forma duma oração eucarística.(CDAP, n. 45).
- A minh'alma engrandece ao Senhor, 
e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador, 
- pois, ele viu a pequenez de sua serva, 
eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita.
- O Poderoso fez por mim maravilhas 
e Santo é o seu nome! 
- Seu amor, de geração em geração, 
chega a todos que o respeitam.
- Demonstrou o poder de seu braço, 
dispersou os orgulhosos. 
- Derrubou os poderosos de seus tronos 
e os humildes exaltou.
- De bens saciou os famintos 
e despediu, sem nada, os ricos. 
- Acolheu Israel, seu servidor, 
fiel ao seu amor,
- como havia prometido aos nossos pais, 
em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre.
- Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, 
como era no princípio, agora e sempre. Amém. 
Segue-se o Pai-nosso, com o devido convite.

Moderador:
Opções
Monição ao Pai nosso
1
Rezemos, com amor e confiança a Oração que o Senhor nos ensinou:
2
Nossa prece prossigamos, implorando a vinda do Reino de Deus:
3
Recolhamos agora nossos louvores e pedidos com as palavras do próprio Cristo, e digamos:
4
Confirmemos agora nossos louvores e pedidos pela oração do Senhor:
5
Mais uma vez louvemos a Deus e roguemos coma as mesmas palavras de Cristo:

Pai nosso que estais nos céus,
santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino,
seja feita a vossa vontade,
assim na terra como no céu;
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas,
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido;
e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.

Pode-se seguir o rito da paz conforme

Saudemo-nos em Cristo Jesus

Oração final na Féria ou Festa do Senhor.
Concedei, ó Deus, ao Povo Cristão, conhecer a fé que professa e amar a Liturgia que celebra. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Ou

Oração final nas Festas dos Santos

Ó Deus, fazei que o coração de vosso povo esteja sempre voltado para vós; e não deixeis de guiar com a vossa graça os que ajudais com tão grandes protetores. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


Conclusão (traçando o sinal da cruz)

O Senhor nos abençoe,
nos livre de todo o mal
e nos conduza à vida eterna. Amém.

domingo, 30 de abril de 2017

Esplendor Litúrgico

RETIRO – ESPLENDOR LITÚRGICO – JULHO/2014

Jo 12, 1-8
Mt 26, 6-13
Mc 14, 3-9
Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus para Betânia, onde estava Lázaro, a quem ele ressuscitara dentre os mortos. 2 Deram-lhe, pois, ali, uma ceia; Marta servia, sendo Lázaro um dos que estavam com ele à mesa. 3 Então, Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo. 4 Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, o que estava para traí-lo, disse: 5 Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres? 6 Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava. 7 Jesus, entretanto, disse: Deixa-a![1] Que ela guarde isto para o dia em que me embalsamarem; 8 porque os pobres, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes.

6 Ora, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, 7 aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa. 8 Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que este desperdício? 9 Pois este perfume podia ser vendido por muito dinheiro e dar-se aos pobres. 10 Mas Jesus, sabendo disto, disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Ela praticou boa ação para comigo. 11 Porque os pobres, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes; 12 pois, derramando este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento. 13 Em verdade vos digo: Onde for pregado em todo o mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.

3 Estando ele em Betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o leproso veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro com preciosíssimo perfume de nardo puro; e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus. 4 Indignaram-se[2] alguns entre si e diziam: Para que este desperdício[3] de bálsamo? 5 Porque este perfume poderia ser vendido por mais de trezentos denários e dar-se aos pobres. E murmuravam [4]contra ela. 6 Mas Jesus disse: Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo. 7 Porque os pobres, sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem, mas a mim nem sempre me tendes. 8 Ela fez o que pôde: antecipou-se a ungir-me para a sepultura. 9 Em verdade vos digo: onde for pregado em todo o mundo o evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.


ENCÍCLICA ECCLESIA DE EUCHARISTIA
Nos Evangelhos Sinópticos, a narração continua com o encargo dado por Jesus aos discípulos para fazerem uma cuidadosa preparação da « grande sala », necessária para comer a ceia pascal (cf. Mc 14, 15; Lc 22, 12), e com a descrição da instituição da Eucaristia. Deixando entrever, pelo menos em parte, o desenrolar dos ritos hebraicos da ceia pascal até ao canto do « Hallel » (cf. Mt 26, 30; Mc 14, 26),
Mc 14, 14-16
14 segui-o e dizei ao dono da casa onde ele entrar que o Mestre pergunta: Onde é o meu aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? 15 E ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado e pronto; ali fazei os preparativos. 16 Saíram, pois, os discípulos, foram à cidade e, achando tudo como Jesus lhes tinha dito, prepararam a Páscoa. καὶ ἐξῆλθον οἱ μαθηταὶ καὶ ἦλθον εἰς τὴν πόλιν καὶ εὗρον καθὼς εἶπεν αὐτοῖς καὶ ἡτοίμασαν (aoristo) τὸ πάσχα.


Mt 26, 17-19
17 No primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, vieram os discípulos a Jesus e lhe perguntaram: Onde queres que te façamos os preparativos para comeres a Páscoa? 18 E ele lhes respondeu: Ide à cidade ter com certo homem e dizei-lhe: O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos. 19 E eles fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa. 19 καὶ ἐποίησαν οἱ μαθηταὶ ὡς συνέταξεν αὐτοῖς ὁ Ἰησοῦς καὶ ἡτοίμασαν τὸ πάσχα.
o relato, de maneira tão concisa como solene, embora com variantes nas diversas tradições, refere as palavras pronunciadas por Cristo sobre o pão e sobre o vinho, assumidos por Ele como expressões concretas do seu corpo entregue e do seu sangue derramado. Todos estes particulares são recordados pelos evangelistas à luz duma prática, consolidada já na Igreja primitiva, da « fracção do pão ». O certo é que, desde o tempo histórico de Jesus, no acontecimento de Quinta-feira Santa são visíveis os traços duma « sensibilidade » litúrgica, modulada sobre a tradição do Antigo Testamento e pronta a remodular-se na celebração cristã em sintonia com o novo conteúdo da Páscoa.
48. Tal como a mulher da unção de Betânia, a Igreja não temeu « desperdiçar », investindo o melhor dos seus recursos para exprimir o seu enlevo e adoração diante do dom incomensurável da Eucaristia. À semelhança dos primeiros discípulos encarregados de preparar a « grande sala », ela sentiu-se impelida, ao longo dos séculos e no alternar-se das culturas, a celebrar a Eucaristia num ambiente digno de tão grande mistério. Foi sob o impulso das palavras e gestos de Jesus, desenvolvendo a herança ritual do judaísmo, que nasceu a liturgia cristã. Porventura haverá algo que seja capaz de exprimir de forma devida o acolhimento do dom que o Esposo divino continuamente faz de Si mesmo à Igreja-Esposa, colocando ao alcance das sucessivas gerações de crentes o sacrifício que ofereceu uma vez por todas na cruz e tornando-Se alimento para todos os fiéis? Se a ideia do « banquete » inspira familiaridade, a Igreja nunca cedeu à tentação de banalizar esta « intimidade » com o seu Esposo, recordando-se que Ele é também o seu Senhor e que, embora « banquete », permanece sempre um banquete sacrificial, assinalado com o sangue derramado no Gólgota. O Banquete eucarístico é verdadeiramente banquete « sagrado », onde, na simplicidade dos sinais, se esconde o abismo da santidade de Deus: O Sacrum convivium, in quo Christus sumitur! - « Ó Sagrado Banquete, em que se recebe Cristo! » O pão que é repartido nos nossos altares, oferecido à nossa condição de viandantes pelas estradas do mundo, é « panis angelorum », pão dos anjos, do qual só é possível abeirar-se com a humildade do centurião do Evangelho: « Senhor, eu não sou digno que entres debaixo do meu tecto » (Mt 8, 8; Lc 6, 6).
49. Movida por este elevado sentido do mistério, compreende-se como a fé da Igreja no mistério eucarístico se tenha exprimido ao longo da história não só através da exigência duma atitude interior de devoção, mas também mediante uma série de expressões exteriores, tendentes a evocar e sublinhar a grandeza do acontecimento celebrado. Daqui nasce o percurso que levou progressivamente a delinear um estatuto especial de regulamentação da liturgia eucarística, no respeito pelas várias tradições eclesiais legitimamente constituídas. Sobre a mesma base, se desenvolveu um rico património de arte. Deixando-se orientar pelo mistério cristão, a arquitectura, a escultura, a pintura, a música encontraram na Eucaristia, directa ou indirectamente, um motivo de grande inspiração.
Tal é, por exemplo, o caso da arquitectura que viu a passagem, logo que o contexto histórico o permitiu, da sede inicial da Eucaristia colocada na « domus » das famílias cristãs às solenesbasílicas dos primeiros séculos, às imponentes catedrais da Idade Média, até às igrejas, grandes ou pequenas, que pouco a pouco foram constelando as terras onde o cristianismo chegou. Também as formas dos altares e dos sacrários se foram desenvolvendo no interior dos espaços litúrgicos, seguindo não só os motivos da imaginação criadora, mas também os ditames duma compreensão específica do Mistério. O mesmo se pode dizer da música sacra; basta pensar às inspiradas melodias gregorianas, aos numerosos e, frequentemente, grandes autores que se afirmaram com os textos litúrgicos da Santa Missa. E não sobressai porventura uma enorme quantidade de produções artísticas, desde realizações de um bom artesanato até verdadeiras obras de arte, no âmbito dos objectos e dos paramentos utilizados na celebração eucarística?
Deste modo, pode-se afirmar que a Eucaristia, ao mesmo tempo que plasmou a Igreja e a espiritualidade, incidiu intensamente sobre a « cultura », especialmente no sector estético.
50. Neste esforço de adoração do mistério, visto na sua perspectiva ritual e estética, empenharam-se, como se fosse uma « competição », os cristãos do Ocidente e do Oriente. Como não dar graças ao Senhor especialmente pelo contributo prestado à arte cristã pelas grandes obras arquitectónicas e pictóricas da tradição greco-bizantina e de toda a área geográfica e cultural eslava? No Oriente, a arte sacra conservou um sentido singularmente intenso do mistério, levando os artistas a conceberem o seu empenho na produção do belo não apenas como expressão do seu génio, mas também como autêntico serviço à fé. Não se contentando apenas da sua perícia técnica, souberam abrir-se com docilidade ao sopro do Espírito de Deus.
Os esplendores das arquitecturas e dos mosaicos no Oriente e no Ocidente cristão são um património universal dos crentes, contendo em si mesmos um voto e – diria – um penhor da desejada plenitude de comunhão na fé e na celebração. Isto supõe e exige, como na famosa pintura da Trindade de Rublëv, uma Igreja profundamente « eucarística », na qual a partilha do mistério de Cristo no pão repartido esteja de certo modo imersa na unidade inefável das três Pessoas divinas, fazendo da própria Igreja um « ícone » da Santíssima Trindade.
Nesta perspectiva duma arte que em todos os seus elementos visa exprimir o sentido da Eucaristia segundo a doutrina da Igreja, é preciso prestar toda a atenção às normas que regulamentam aconstrução e o adorno dos edifícios sacros. A Igreja sempre deixou largo espaço criativo aos artistas, como a história o demonstra e como eu mesmo sublinhei na Carta aos Artistas; (100) mas, a arte sacra deve caracterizar-se pela sua capacidade de exprimir adequadamente o mistério lido na plenitude de fé da Igreja e segundo as indicações pastorais oportunamente dadas pela competente autoridade. Isto vale tanto para as artes figurativas como para a música sacra.
51. O que aconteceu em terras de antiga cristianização no âmbito da arte sacra e da disciplina litúrgica, está a verificar-se também nos continentes onde o cristianismo é mais jovem. Tal é a orientação assumida pelo Concílio Vaticano II a propósito da exigência duma sã e necessária « inculturação ». Nas minhas numerosas viagens pastorais, pude observar por todo o lado a grande vitalidade de que é capaz a celebração eucarística em contacto com as formas, os estilos e as sensibilidades das diversas culturas. Adaptando-se a condições variáveis de tempo e espaço, a Eucaristia oferece alimento não só aos indivíduos, mas ainda aos próprios povos, e plasma culturas de inspiração cristã.
Mas é necessário que tão importante trabalho de adaptação seja realizado na consciência constante deste mistério inefável, com que cada geração é chamada a encontrar-se. O « tesouro » é demasiado grande e precioso para se correr o risco de o empobrecer ou prejudicar com experimentações ou práticas introduzidas sem uma cuidadosa verificação pelas competentes autoridades eclesiásticas. Além disso, a centralidade do mistério eucarístico requer que tal verificação seja feita em estreita relação com a Santa Sé. Como escrevia na exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Asia, « tal colaboração é essencial porque a Liturgia Sagrada exprime e celebra a única fé professada por todos e, sendo herança de toda a Igreja, não pode ser determinada pelas Igreja locais isoladamente da Igreja universal ».(101)
52. De quanto fica dito, compreende-se a grande responsabilidade que têm sobretudo os sacerdotes na celebração eucarística, à qual presidem in persona Christi, assegurando um testemunho e um serviço de comunhão não só à comunidade que participa directamente na celebração, mas também à Igreja universal, sempre mencionada na Eucaristia. Temos a lamentar, infelizmente, que sobretudo a partir dos anos da reforma litúrgica pós-conciliar, por um ambíguo sentido de criatividade e adaptação, não faltaram abusos, que foram motivo de sofrimento para muitos. Uma certa reacção contra o « formalismo » levou alguns, especialmente em determinadas regiões, a considerarem não obrigatórias as « formas » escolhidas pela grande tradição litúrgica da Igreja e do seu magistério e a introduzirem inovações não autorizadas e muitas vezes completamente impróprias.
Por isso, sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística. Constituem uma expressão concreta da autêntica eclesialidade da Eucaristia; tal é o seu sentido mais profundo. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios. O apóstolo Paulo teve de dirigir palavras àsperas à comunidade de Corinto pelas falhas graves na sua celebração eucarística, que tinham dado origem a divisões (skísmata) e à formação de facções ('airéseis) (cf. 1 Cor 11, 17-34). Actualmente também deveria ser redescoberta e valorizada a obediência às normas litúrgicas como reflexo e testemunho da Igreja, una e universal, que se torna presente em cada celebração da Eucaristia. O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor à Igreja. Precisamente para reforçar este sentido profundo das normas litúrgicas, pedi aos dicastérios competentes da Cúria Romana que preparem, sobre este tema de grande importância, um documento específico, incluindo também referências de carácter jurídico. A ninguém é permitido aviltar este mistério que está confiado às nossas mãos: é demasiado grande para que alguém possa permitir-se de tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu carácter sagrado nem a sua dimensão universal.

O ESPLENDOR LITÚRGICO – AUTOBIOGRAFIA PE GILBERTO

O Louvor de Deus para nós deve ser manifestado sobretudo no Esplendor Litúrgico, pois a Liturgia na Igreja de Deus tem grande importância e é expressão de toda a verdade em que a Igreja acredita. O Louvor de Deus se expressa carinhosamente na Liturgia, por isso nas nossas Constituições a Liturgia vem em primeiro lugar, pois é a forma mais concreta, mais autêntica e mais eclesiástica de louvar a Deus. As orações, na missa, são todas carismáticas; convém perceber que nós sempre nos dirigimos a Deus Pai, fazemos um pedido por Nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo.
Em minha formação seminarística, vivi envolto por esse Esplendor Litúrgico, tanto no Seminário Menor como também no Seminário Maior. No Seminário Maior o Esplendor Litúrgico era algo muito importante e muito bonito. Nas Vésperas cantadas havia seis rapazes usando capas magnas, na frente do povo, convidando-os para cantar, em seguida a incensação e depois a bênção do Santíssimo Sacramento finalizando as Vésperas, tudo era muito bonito.
É simples entender isso. Se nós falhamos nesse Esplendor Litúrgico, falhamos também na condução dessa Liturgia, rezamos mal se não rezamos com interesse ou rezamos rapidamente, esquecemos da presença divina e do povo que está na nossa frente. Pelo Esplendor Litúrgico, nós tomamos um conhecimento maior das coisas que fazemos diante de Deus e do povo, para que o povo de Deus possa louvar mais primordialmente a Deus. Então a Liturgia da igreja é o supra-sumo, por assim dizer, da nossa expressão de amor a Deus.
O Esplendor Litúrgico seria também nas suas últimas consequências, dando todo um toque de profundidade em toda a Liturgia. Que na adoração a Jesus Sacramentado, faça-se com que essa espiritualidade carismática apareça aos olhos do povo como uma coisa santa e necessária para esse povo de Deus. O povo precisa muito de criatividade, precisa de coisas bonitas, de cores, de velas, de flores, de cânticos, porque o povo de Deus somente vai pelo que lhe é tangível, pelo que vê, pelo que sente, pelas práticas que fazemos.
O salvista tem por missão formar o povo na Liturgia, é um dos pontos que a nossa Constituição fala, principalmente do Esplendor Litúrgico. A movimentação que acontece no altar, a reverência ao Santíssimo, a saída para um lado e para o outro, enfim, tudo isso é captado pelo povo. Eu não digo um teatro propriamente dito, mas se aproximando dessa realidade palpável e visível de uma espécie de um “Teatro de Deus”. O povo se encanta com essas coisas, seria muito interessante que o salvista dessem cursos de Liturgia para o povo, dessem aulas ao povo para que cada vez mais entendam aquilo que se faz no altar, porque muitas vezes pensamos que o povo entende, mas, às vezes, não está entendendo, então é preciso explicar.
Os grupos de orações que fazemos com o povo de Deus são muito importantes, são momentos lindos que afervoram muito o povo dão um sentido eclesial à nossa vida e à nossa vida de oração. Portanto, é importante levar ao povo essa adoração, como algo simples; quanto mais simples, mais intuitiva. Não pode se alongar muito, porque o povo se distrai facilmente, então para retê-lo na atenção, não se deve prolongar em muitas coisas, deve ser feita de modo mais concreto e mais rápido. Não podemos deixar de fazer isso, mesmo que outros padres ou pessoas não aceitem esse modo de louvar a Deus como nós o fazemos.


TIPO IDEAL DO QUE CELEBRA A LITURGIA DE MODO SALVISTA
A Família Salvista quer, no Louvor de Deus, propiciar o encontro da pessoa com Deus, que se dá sobretudo na Liturgia. Por isso, o Instituto empregará e usará de todo o esplendor litúrgico, levando o Povo de Deus à santidade e à perfeição em Cristo.

1.      Uso correto e pleno das rubrica, de modo a haurir toda a força salvífica da Sagrada Liturgia, sem cair no rubricismo ou no tradicionalismo vazios (Const 98 200: O Instituto sempre empregará e usará de todo o esplendor litúrgico para o Louvor de Deus, no uso apropriado das vestes, objetos, cantos, no desenvolvimento harmonioso do rito e das rubricas, e no uso mesmo do latim e do canto gregoriano, quando isto for útil e apropriado para o Louvor de Deus e para a edificação dos fiéis). 
2.      Utilização dos dons de forma ordenada (1 Cor 14 39 Portanto, meus irmãos, procurai com zelo o dom de profetizar e não proibais o falar em outras línguas. 40 Tudo, porém, seja feito com decência e ordem).
3.      Participação do povo, inclusive com expressão corporal (Entre alguns povos, o canto é instintivamente acompanhado por palmas balançando, rítmica e movimentos de dança por parte dos participantes. Tais formas de expressão externo pode ter um lugar nas ações litúrgicas destes povos na condição de que eles são sempre a expressão da oração comunitária verdadeira de adoração, oferecendo louvor e súplica, e não simplesmente uma performance. (INSTRUÇÃO: inculturação e LITURGIA ROMANA Congregação para o Culto Divino ea Disciplina dos Sacramentos

Quarta instrução para a correta aplicação da Constituição Conciliar sobre a Liturgia emitido em 29 de março de 1994. N. 42)
4.      União do Novo com o Antigo, valorizando o que há de bom no antigo, preservando e atualizando de forma nova.
5.      Obediência às normas e leis litúrgicas.
6.      Alegria Cristã ao celebrar, aceitando-se como ser humano e abrindo-se para a graça.





[1] αφιημι aphiemi
de 575 e hiemi (enviar, uma forma intensiva de eimi, ir);
1) enviar para outro lugar
1a) mandar ir embora ou partir
1a1) de um marido que divorcia sua esposa

[2] αγανακτεω aganakteo
de agan (muito) e achthos (mágoa, pesar, similar à base de 43); v
1) estar indignado, movido pela indignação, estar muito ofendido, descontente, desagradado, insatisfeito.

[3] γινομαι ginomai perfeito
prolongação e forma da voz média de um verbo primário TDNT - 1:681,117; v
1) tornar-se, i.e. vir à existência, começar a ser, receber a vida

[4] εμβριμαομαι embrimaomai
de 1722 e brimaomai (falar de modo bravo); v
1) encarregar com séria admoestação, instruir com rigor, criticar duramente

sábado, 15 de agosto de 2015

MISTAGOGIA MOTIVACIONAL:

CENTRO UNIVERSITÁRIO ASSUNÇÃO

PONTIFICIA FACULDADE DE TEOLOGIA

NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO



HERALDO DE MORAES
(PE. MICAEL DE MORAES, SJS)











MISTAGOGIA MOTIVACIONAL:
UMA PROPOSTA DE METODOLOGIA CATEQUÉTICA INCULTURADA







Tese apresentada como exigência parcial para obtenção do título de doutor em Teologia Prática à comissão julgadora da Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, sob a orientação do Pe. Dr. Francisco Martins.

 

 

 

São Paulo – 2007



Comissão julgadora


















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“Motivados pelo amor
queremos ater-nos à verdade e
crescer em tudo até atingirmos
aquele que é a Cabeça, Cristo”.

Ef 4, 15  
PAULO VI. Lecionário para as missas dos santos,
dos comuns, para diversas necessidades e votivas.
São Paulo: Paulus, 1997, p. 434.







Quis ut Deus?

Sermo sancti Gregórri Papae, Hom. 34 in Evang.
In: Breviarium Romanum, Romae: Desclée & socii. 1961, tomus alter. p. 923








Agradecimentos


Ao meu pai Geraldo (in memoriam) e a minha mãe Maria e a toda a minha família.

A minha “Nazaré”, Cordeirópolis e à Paróquia Santo Antonio, na qual ministrei catequese por treze anos.

À Fraternidade Javé Salvador, Instituto Missionário Servos de Javé Salvador, em especial ao nosso pai e fundador Pe. Gilberto Maria Defina, sjs, (in memoriam), que quis sacerdotes santos e sábios.

A Sua Santidade, o Papa Bento XVI e à Diocese de Santo Amaro, na pessoa do seu bispo Dom Fernando Antonio Figueiredo, OFM, ao seu presbitério e ao Povo de Deus que sirvo.

Aos meus professores, ao meu orientador Pe. Francisco e a toda a Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção.   

À Adveniat e a todos que de alguma forma contribuíram para que este trabalho fosse realizado.

Enfim, que o meu agradecimento seja esta tese, para que ajude o povo de Deus possa ser motivado ao centro do Mistério de nossa fé: “Deus é amor” (1 Jo 4, 8).










MISTAGOGIA MOTIVACIONAL:

UMA PROPOSTA DE METODOLOGIA CATEQUÉTICA INCULTURADA

Sumário


Introdução........................................................................................................................................8

I. Capítulo - Alguns aspectos históricos da metodologia catequética como processo mistagógico-motivacional...................................................................................................................................13

1. A pedagogia divina vetero-testamentária.......................................................................13
2. Jesus: o Mistério se faz carne.........................................................................................16
3. Catequese apostólica.......................................................................................................19
4. Catequese mistagógica....................................................................................................22
5. Catequese medieval........................................................................................................26
6. Catequese Tridentina.....................................................................................................29
6.1 Catequese Tridentina na Europa .....................................................................29
6.2 Catequese Tridentina no Brasil........................................................................31
7. Século XX......................................................................................................................32
7.1 O século da metodologia catequética...............................................................32
7.2 O século da metodologia catequética no Brasil................................................34

II. Capítulo – Uma perspectiva motivacional para a metodologia catequética..............................39

1. Catequese: pedagogia da fé em ato.................................................................................39
2. Disposições pessoais e graça..........................................................................................40
3. A motivação....................................................................................................................44
3.1 Alguns aspectos da formação da teoria da motivação......................................44
3.2 O processo da motivação das disposições pessoais.........................................48
4. Metodologia catequética e Mistagogia Motivacional.....................................................50
4.1 Metodologia catequética e disposição pessoal..................................................51
4.2 Metodologia catequética e motivação das disposições pessoais......................53
4.3 Mistagogia Motivacional..................................................................................55

III. Capítulo – Análise sócio-antropológica da dimensão de Entrega do ser humano....................59

1. O princípio meta-metodológico da Mistagogia Motivacional........................................59
2. O amor como Entrega.....................................................................................................63
2.1 Amar é aliança eterna........................................................................................65
2.2 O homem livre ama o próximo necessitado......................................................66
2.3 Amor cristão é Entrega.....................................................................................68
3. A dominação...................................................................................................................70
3.1 Dominar é encastelar-se....................................................................................72
3.2 O dominador escravizado quer escravizar o próximo dependente...................74
3.3 Dominar é instrumentalizar o outro..................................................................76
IV. Capítulo – A dimensão de Entrega da Pedagogia Divina na Revelação do Mistério: uma análise teológico-sistemática..........................................................................................................81
1. O amor eros e o amor como Entrega no ser humano uno...............................................82
2. O amor-entrega: uma análise teológico-sistemática.......................................................86
3. A participação na dimensão de Entrega da Trindade: o sacerdócio de Cristo................93

V. Capítulo - A Mistagogia Motivacional como metodologia catequética inculturada ..............101

1. Inculturação..................................................................................................................101
1.1 Conceito de Cultura........................................................................................102
1.2 O processo de inculturação.............................................................................104
1.3 Inculturação no Magistério da Igreja..............................................................106
2. Mistagogia Motivacional como instrumento de inculturação catequética....................108
2.1 Evangelização, catequese e cultura................................................................108
2.2 Mistagogia Motivacional como princípio de uma catequese inculturada ......113
2.3 Por uma nova metodologia catequética..........................................................118
VI. Capítulo - Mistagogia Motivacional: Aplicação de uma nova metodologia catequética.......121
1. O objeto da catequese...................................................................................................121
1.1 O Mistério: objeto da catequese......................................................................121
1.2 Uma catequese Mistagógica ...........................................................................125
2. O sujeito da catequese...................................................................................................128
2.1 Disposições pessoais motivadas do catequizando..........................................128
2.2 Estilo de comportamento motivacional do catequista.....................................130
2.3 O encontro catequético: a relação catequista e catequizando.........................133
3. Sugestões para uma catequese inculturada...................................................................134
4. Aplicação da Mistagogia Motivacional a outras realidades eclesiais...........................138
4.1 Pastorais.........................................................................................................138
4.2 Movimentos e associações.............................................................................141
4.3 Novas iniciativas eclesiais..............................................................................142
Conclusão.....................................................................................................................................145
Bibliografia...................................................................................................................................149
           



Introdução

“A catequese é uma educação da fé”.[1] O ser humano está em constante estado de conhecimento e crescimento, por isso a catequese começa no ventre materno, permanece durante toda a vida até a última entrega na morte.
Porém, hoje se depara com a dificuldade de comunicação na catequese. Entre os catequistas, muitas vezes, é apontada a necessidade de formação para poder viver a própria vocação, para poder levar as pessoas ao amadurecimento na fé cristã. Por outro lado, os catequizandos advém de um mundo globalizado e agitado por muitas preocupações. Como, então, ajudar no crescimento da fé cristã de um público tão complexo?
Nessa complexidade notamos que a dificuldade maior é com relação à metodologia catequética. Na catequese há uma diversidade de metodologias, métodos e técnicas, porém nota-se catequistas despreparados metodologicamente para tornar o encontro catequético agradável e eficaz tanto para o próprio catequista como para os catequizandos. Por isso, o objeto a ser analisado neste trabalho é a metodologia catequética, que às vezes cai em dois extremos: por um lado a catequese se torna uma escola, no modelo da antiga Escolástica medieval ou mesmo quando se aplica métodos atuais da psicologia educacional, por outro lado a catequese se torna um momento de encontro sem metodologia e sem objetivos claros.
Há poucos estudos sobre metodologia catequética e certamente não temos respostas para toda a problemática levantada, porém, com este trabalho, se pretende comprovar que há a necessidade de uma metodologia catequética que ajude o catequizando a penetrar no Mistério, mas que ao mesmo tempo tal metodologia se preocupe com a realidade cultural desse mesmo catequizando.
Surge então a pergunta: Como se ter uma metodologia catequética que se preocupe com a motivação do catequizando, porém sem menosprezar o Mistério Revelado? Como se ter uma metodologia catequética que possibilite ao Mistério atingir o centro da decisão humana?
            Esta tese procura responder a essa pergunta através da Mistagogia Motivacional, isto é, um processo metodológico que ao mesmo tempo se preocupe em conduzir o catequizando ao conhecimento, experiência e vivência do Mistério, todavia o faz a partir da sua disposição pessoal formada na cultura.
            Para realizar esse trabalho, parte-se do pressuposto de que a Mistagogia Patrística, com os devidos limites históricos e metodológicos, possui princípios que podem ser atualizados. E o primeiro é a catequese como introdução do ser humano no Mistério revelado em Cristo Jesus. Não se atendo somente na explicação dos ritos, mas numa dimensão maior do Mistério, como realidade do Reino de Deus entre nós. Em segundo lugar, tal Mistagogia busca introduzir o catequizando no Mistério, contemplando a pedagogia divina[2] na História da Salvação, numa perspectiva motivacional toma-se a dimensão de Entrega[3] como um fator essencial dessa pedagogia divina e que pode ser assumido na metodologia catequética. Em terceiro lugar, numa visão hodierna, não se pode prescindir da vida de cada catequizando, por isso deve ser motivacional, precisa levar em conta as disposições pessoais de cada catequizando, e ajudá-lo assim a entrar no Mistério. Pode-se pensar então, de modo inculturado, isto é, pensar na disposição pessoal formada em cada cultura e conhecer essa disposição.  Portanto, a Mistagogia Motivacional parte da cultura do catequizando, para poder levá-lo ao encontro com Cristo, tornando o catequizando um agente comprometido do Reino de Deus.      
Essa tese busca estudar a problemática levantada em seis capítulos, procurando sempre aliar o mistagógico ao motivacional.
No primeiro capítulo procuramos analisar alguns aspectos da pedagogia de Deus na História que revelou aos seres humanos o Mistério, cujo cume é o encontro com Cristo. Analisamos como a Mistagogia Motivacional de Jesus foi vivida pela Igreja. Numa visão diacrônica, partindo da história da catequese estudamos o catecumenato, a Mistagogia Patrística, a Cristandade, a catequese pós Reforma e Concílio de Trento, e o Concílio Vaticano II e também a catequese no Brasil. Neste capítulo buscamos vislumbrar a catequese como mistagogia, isto é, como introdução da pessoa no Mistério, no encontro com Cristo em comunidade. Tivemos por objetivo neste capítulo obter o que há positivo e aplicável a uma metodologia catequética eficaz.
Em segundo lugar, sob uma perspectiva sincrônica analisa-se o aspecto motivacional. Numa visão interdisciplinar, se analisa a teoria atual da motivação e disposição pessoal que são fundamentais para entender um verdadeiro processo de educação na fé. Como tal teoria pode ser adequada à catequese, isto é, constituindo uma teoria motivacional aplicável à mistagogia catequética.
Tomando por princípio que o “método faz parte do conteúdo, e que o conteúdo também faz parte do método. Assim, não é possível desvincular o problema metodológico da preocupação com o conteúdo”, [4] e que o ensino catequético deve primar pela a unicidade e organicidade na compreensão do Mistério, procuramos obter o princípio comum da motivação humana e da Revelação do Mistério.
            Por isso toma-se como princípio meta-metodológico da Mistagogia Motivacional o amor como Entrega. A dimensão de Entrega é considerada como uma dimensão essencial da pedagogia divina na Revelação do Mistério e da motivação humana.  Tal perspectiva é analisada no terceiro capítulo sob uma ótica antropológica, a antropologia do Dom e do amor humano como Entrega, bem como seu contraposto que é a dominação, para obtermos um quadro de análise sócio-antropológico do amor como Entrega como princípio da motivação humana.
No quarto capítulo a Entrega é analisada no processo da Revelação de Deus na História em Jesus Cristo. Pretendemos demonstrar que esse amor é o centro da Revelação e que também é a essência do sacerdócio de Cristo, e é a participação, a comunhão nesse sacerdócio que propicia a Salvação. Para assim se ter visão da catequese como a transmissão da Revelação na comunhão do Sacerdócio de Cristo, que têm por essência o amor-entrega. Assumimos então a Entrega como centro da Mistagogia Motivacional.
            A Mistagogia Motivacional pretende ser uma metodologia catequética inculturada. Por isso, no quinto capítulo analisamos o processo de inculturação e aplicamos os pressupostos da Mistagogia Motivacional ao processo de uma catequese inculturada, isto é, a partir da própria cultura do catequizando levá-lo ao encontro com Cristo. Para enfim se obter os passos metodológicos da catequese inculturada sob a luz da Mistagogia Motivacional.
 O resultado desse processo metodológico é um quadro de propostas concretas que possibilitem uma verdadeira Mistagogia Motivacional para uma metodologia catequética inculturada, para auxiliar a prática catequética e ajudar catequistas e catequizandos a vivenciarem o Mistério Revelado em Jesus Cristo. Por isso, no sexto capítulo estabelecemos a aplicação de alguns pontos metodológicos e sugestões para uma catequese verdadeiramente mistagógica e motivacional. Para tal intento tomamos por base o objeto e o sujeito da catequese, bem como a atividade catequética realizada na ação pastoral, nos movimentos e em outras realidades eclesiais.
Temos consciência dos limites deste trabalho. Sabemos da dificuldade que catequistas e catequizandos padecem na apreensão do Mistério e da desmotivação que muitas vezes grassa na catequese. Porém pretendemos com esta tese contribuir de alguma maneira para possibilitar a catequistas e catequizandos ter a frente o liame entre o Mistério Revelado e a plena motivação do ser humano formada na cultura que é o amor como Entrega, e sua aplicabilidade pastoral. Do mesmo modo sabemos ser necessário um maior aprofundamento sobre a metodologia catequética, sua relação com o Mistério e a motivação humana, como também outras implicações que esperamos serem aprofundadas por outros estudiosos.
É nosso desejo que cada vez mais, os participantes do processo catequético possam mergulhar no Mistério Revelado e ter nesse Mistério a resposta para todos os seus questionamentos e necessidades, de tal modo que a alegria de ser cristão seja o impulso para a implantação do Reino de Deus no coração de cada ser humano.


Capítulo I - Alguns aspectos históricos da metodologia catequética como processo mistagógico-motivacional


            Neste capítulo, queremos contemplar alguns aspectos da pedagogia de Deus na História que revelou aos seres humanos o Mistério, cujo cume é o encontro com Cristo, tendo por primeira característica da pedagogia divina o amor, pois Deus, motivado por sua bondade, se aproxima do ser humano para se autocomunicar.[5] Analisamos também, como a metodologia mistagógica-motivacional contida na pedagogia divina foi vivida pela Igreja na pedagogia catequética de forma geral, algumas vezes com êxito, outras vezes não.[6]

1. A pedagogia divina vetero-testamentária
Deus é amor em si mesmo (cf. 1 Jo 4, 16). A Santíssima Trindade é a comunidade perfeita do amor eterno e oblativo, na unidade do Deus vivo. Amor que transborda na criação, pois na criação Deus sai de si mesmo. Portanto, a motivação primeira de Deus na criação é o amor. 
O pináculo da criação é o ser humano. Deus chama Adão e Eva a participar de seu amor-doação. Deus os criou à sua “imagem” (Gn 1, 27), portanto capazes de serem fecundos e poderem se entregar um ao outro no amor verdadeiro, isto é, o amor que tem por objeto o bem do outro.[7] Porém, o pecado entra no coração do ser humano através do desejo de ser como Deus (cf. Gn 3, 5).  O ser humano, com uma visão auto-suficiente, perde a ligação com a Fonte da vida, e recusa ser feliz na entrega ao outro, mas fecha-se num auto-amor egoísta.[8]
Entretanto, Deus não desiste do ser humano e procura chamá-lo à sua vocação primeira que é amar e ser amado na entrega ao outro. Por isso, Deus chama Abraão (cf. Gn 12, 1-9) e a ele promete terra e descendência, isto é, um povo (cf. Gn 17, 1-8). Naquele tempo no horizonte existencial, a terra é vista como a viabilização da existência e a descendência como o prolongamento da existência para o futuro, portanto posse da terra e descendência são a viabilização de existência na atualidade e no futuro. É exatamente terra e descendência que Deus assegura em sua promessa pessoal e é obtido no cumprimento da promessa como dádiva divina.[9]
Com Abraão inicia-se a experiência de um Deus que funda Israel como povo crente. Nessa Revelação, do mesmo modo que Abraão entrega-se em sua fé a Deus (cf. Gn 22, 1-14), o povo de Israel é convidado à mesma entrega e também na entrega ao outro encontrar a salvação como um povo.[10]
O povo de Israel sempre teve a consciência de ser chamado por Deus, um povo vocacionado. Na experiência exodal, o povo liderado por Moisés é convocado a deixar a dominação egípcia e entregar-se ao Deus vivo no deserto em busca da Terra prometida (cf. Ex 5, 1). “Nas histórias sobre a saída do Egito adensam-se as próprias experiências de Israel, feitas durante as muitas décadas de sua evolução. A experiência do grupo do Egito sob Moisés torna-se o paradigma individualizado daquilo que todo o Israel havia vivenciado [...] A redenção da miséria da casa da escravidão se torna constitutiva para Israel como povo de Deus, como comunhão dos libertos”.[11] O povo, consciente dessa libertação, aceita a Aliança e o estilo de vida que corresponde a sua vocação.[12] Israel passa pela experiência do deserto, da Aliança e da Lei, para aprender a amar. Muitas vezes endurece o coração, mas precisou compreender que é chamado a ser povo e isto implica no amor a Deus e ao próximo, a essência da Aliança (cf. Ex 20, 1-21).
Na Terra, Israel continua seu aprendizado de amor ministrado pela Pedagogia Divina. O povo deveria ter apenas o amor de Deus como lei e servidores de Deus que o conduzissem. Porém, como os outros povos, Israel quer ter um rei. O profeta Samuel adverte sobre o perigo da dominação, na qual o rei se serviria do povo e não seria um servo do povo segundo Deus (cf. 1 Sm 8, 10-22).
Deus através dos profetas, sempre chamou seu povo de volta à Aliança primeira. Muitas vezes o povo é comparado a uma prostituta (cf. Os 2, 1-15) que traiu seu Deus e se entregou a dominação de outros deuses. Todavia, o Deus de ternura e misericórdia (cf. Ex 34, 6) assume seu Povo e promete que a Aliança de Amor (cf. Jr 31, 3) será uma nova Aliança inscrita no coração do ser humano (cf. Jr 31, 31-34).
A Aliança concluída por Deus e as condições colocadas por Ele supõem que a História seja conduzida pela vontade divina, em função das atitudes do povo escolhido. É a palavra de Deus que faz a História e a torna inteligível. Nessa perspectiva, a profecia de Natã (cf. 2 Sm 7) “regaliza” a Aliança, a experiência de Israel repousará sobre o rei, o rei atual e em seguida um rei escatológico. Essa profecia é o ponto de partida de uma teologia profética, uma promessa para o futuro.[13] A Aliança nova no amor será concretizada pelo Servo (cf. Is 42, 1-9), o Messias que vem para salvar o povo dos Pobres (cf. Sf 2, 3) e derramará o Espírito para vivificar esse povo, dando-lhe um coração humano que saiba amar e não fechado em si mesmo (cf. Ez 11, 19).
Jesus representa a nova e a eterna Aliança de Deus com seu Povo, o rosto humano de Deus que vem para revelar a motivação primeira de Deus: amar.

2. Jesus: o Mistério se faz carne
O Mistério escondido desde os séculos e gerações (cf. Cl 1, 26), foi-nos revelado em Cristo Jesus (cf. Cl 4, 3). Deus em sua bondade manifesta o Mistério de sua vontade, isto é, reunir todas as coisas em Cristo (cf. Ef 1, 9), a fim de que os seres humanos, estreitamente unidos pela caridade, compreendam o Mistério de Deus (cf. Cl 2, 2).
Jesus revela o Mistério do amor do Pai em toda a sua existência, em suas palavras, em sua maneira de ser e de se portar.[14]  Por isso, o encontro com Jesus é encontro com o Mistério de Deus que se revela, o amor de Deus que vem ao encontro do ser humano numa Entrega encarnada.
            A revelação do Mistério do amor de Deus acontece nos vários encontros que Jesus tem com diversas categorias de pessoas. Nesses encontros, Jesus através de seu estilo de comportamento motivacional, isto é, seu modo de ser, procura suscitar no coração das pessoas a conversão e a fé pela qual o ser humano se entrega a Deus. Dom da fé que torna essas pessoas anunciadoras do Mistério em suas próprias vidas.
            Jesus utilizou-se da pedagogia divina do amor com os doze apóstolos. Jesus os chama e convida para que se tornem pescadores de homens, a reação dos chamados é o desprendimento da vida que levavam, representada pelas redes, para entrega no seguimento (cf. Mc 1, 17-18). Após o primeiro contato, inicia-se o processo do conhecimento e do crescimento, como o demonstra o chamado “dia de Cafarnaum”. Jesus ensina, cura os doentes e declara que evangelizar é o centro de sua missão (cf. Mc 1, 21-39). Jesus escolhe os doze para que ficassem com ele, para depois enviá-los a pregar (cf. Mc 3, 13). É na intimidade com o Mestre que eles aprenderão a serem discípulos e enviados. No envio dos Doze, Jesus recomenda que a missão seja feita com simplicidade e confiança em Deus (Cf. Mt 10, 7-15).
            O crescimento interior do grupo dos doze comporta eventuais crises, isto é, para crescer era necessário passar por problemas, dúvidas, inquietações, decepções etc. Os apóstolos deveriam atender as necessidades dos pobres e sofridos, quando da multiplicação dos pães, os apóstolos sugerem que Jesus despedisse as multidões, porém Jesus lhes diz: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6, 37). Os apóstolos são chamados a servir, mas no itinerário de crescimento na fé se pensa em ser o maior, em dominar, em ter o poder. Por isso, diante de uma discussão de quem seria o maior, Jesus exorta: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9, 35). O fruto do itinerário é o reconhecimento de Jesus como Salvador, que se traduz em testemunho apostólico de dar a própria vida ao serviço dos irmãos, inclusive no martírio. Esta é a maturidade apostólica que se consegue ao seguir o Senhor Jesus.             
Outros encontros pedagógicos com Jesus aconteceram. O encontro pode ser através da pregação, na qual Jesus procura mudar a disposição interior dos ouvintes, levá-los a uma compreensão correta da lei, para que assim aprendam a amar. Por exemplo, o discípulo do Reino de Deus não deve se contentar com “não matar”, mas não é permitido nem se encolerizar com seu irmão (cf. Mt 5, 21-22).
            Jesus foi ao encontro dos pecadores e dos que estão doentes, daqueles que estão sob a dominação e excluídos do convívio do amor (cf. Mc 2, 17).
Outras vezes, foi no encontro pessoal que a disposição interior foi motivada por Jesus. Nesses encontros, Jesus acolhe efetiva e afetivamente as pessoas, como por exemplo, as crianças (cf. Lc 18, 15), bem como acolhe as demonstrações de afeto, como as da pecadora arrependida (cf. Lc 7, 36-50).
Outros exemplos. Jesus entra de modo ousado na vida do pecador Zaqueu (cf. Lc 19, 1-10), sem se importar com o olhar da multidão. Por outro lado, Zaqueu, respondendo ao convite de Jesus, muda suas disposições pessoais em vista do Reino de Deus, apresentando os sinais concretos de que quer aprender a amar no dom ao outro, conforme ele mesmo diz: “Senhor, eis que dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo” (Lc 19, 8).
            Jesus no contato com a hemorroíssa (cf. Lc 8, 40-56) não despreza a sua fé incipiente ou mágica, mas a acolhe misericordiosamente, transformando uma crença mágica numa fé que salva,[15] levando aquela mulher à plena dignidade de uma filha de Deus (cf. Lc 8, 48). No caso da Samaritana se evidencia a incompreensão humana diante do Mistério do amor de Deus (cf. Jo 4, 1-42). Mas a paciente pedagogia divina não somente satisfaz às suas aspirações humanas, mas também as suscita.[16] Jesus quer fazer aquela mulher crescer, a partir de sua disposição pessoal, quer levá-la a se modelar ao projeto de Deus, tornando-a uma testemunha do Reino (cf. Jo 4, 39). No centurião, Jesus encontra a abertura plena à salvação, pois o centurião acredita plenamente na eficácia da Palavra (cf. Lc 7, 1-10).
            Entretanto, Jesus também se encontrou com a incompreensão humana do Mistério relevado nele. Os conterrâneos nazarenos de Jesus (cf. Mc 6, 1-6) tentam enquadrar Jesus dentro de seus parâmetros de “filho do carpinteiro” e se prendem aos milagres como extravagâncias divinas, por isso não se abrem ao amor de Deus e por conseqüência fecham-se à autodoação de Deus.
            Jesus anuncia a salvação e através de sinais demonstra o amor de Deus pelos homens. O cume dessa obra de salvação é a Entrega de Cristo a seu Pai por nossos pecados. Jesus amou o ser humano até o extremo (cf. Jo 13, 1). Por sua vez, o fechamento do ser humano a Deus é sanado pela Entrega salvadora de Jesus em seu sacrifício. Essa auto-entrega na Cruz é que atrai e atrairá o ser humano ao amor de Deus, como diz o próprio Jesus: “quando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12, 32).
            A cruz se torna Fonte da Vida para todo ser humano. Antes de morrer, Jesus institui o memorial de sua Entrega, e cada ser humano deve ser atraído a este mistério do amor de Deus presente na Eucaristia, como centro da vida da Igreja e da Catequese. Cada ser humano é, pois, chamado a amar como Cristo amou, isto é, na Entrega ao outro, na graça da autodoação (cf. Jo 13, 34). Esse é o Mistério ao qual cada ser humano deve motivar-se, aprendendo do Mestre a se entregar ao próximo e a Deus.
Portanto, Jesus, através de seu estilo de comportamento motivacional, revela o Mistério do amor-entrega de Deus ao ser humano. Em sua pedagogia de amor ou metodologia mistagógico-motivacional, Jesus leva as pessoas a se abrirem a esta Entrega e a viverem em suas vidas.
Cristo Ressuscitado envia sua Igreja para levar a boa nova do Reino: o amor eterno de Deus que dá a vida ao ser humano (cf. Mc 16, 15-18). Nos próximos itens analisamos como a Igreja viveu e anunciou esse mandato do Mestre na Catequese. 

3. Catequese apostólica
            Os apóstolos são enviados, cheios do Espírito Santo, para anunciarem o Evangelho, que o Filho de Deus morreu e ressuscitou, que “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).  Os apóstolos são enviados também para levarem a efeito o que anunciavam através do Sacrifício e dos Sacramentos, pelos quais o ser humano é inserido no Mistério Pascal.[17]
            A evangelização consistia no querigma e na catequese. O querigma era o anúncio do Messias, convite à conversão e obtenção da resposta da fé sob a moção do Espírito Santo. A catequese[18] por sua vez, era tida como o aprofundamento, um conhecimento mais sólido sobre o Caminho, isto é, sobre o seguimento de Jesus Cristo. Por exemplo, a distinção entre os que necessitavam dos primeiros rudimentos da fé e aqueles já versados na doutrina da justiça, entre as criancinhas e os adultos na fé (cf. Hb 5, 12-13). Porém, as fronteiras entre essas duas ações, anúncio e catequese, não eram perfeitamente delimitáveis, muitas vezes foi necessária uma volta ao processo da conversão daqueles que já estão na catequese, por isso, anúncio e catequese ainda hoje, são considerados partes integrantes da evangelização.[19]    
            A pedagogia de Jesus motivou seus discípulos a viverem seus ensinamentos e plantou a semente da sua comunidade, a Igreja, para transmitir a mensagem da salvação.[20] O anúncio do Evangelho pelos apóstolos favorece a constituição de comunidades, nas quais os seguidores de Jesus viviam o amor mútuo, na fidelidade à doutrina apostólica e na oração. Essa vivência do Evangelho provocava a admiração de todo o povo, judeus e pagãos, e o conseqüente desejo em participar do grupo dos cristãos (cf. At. 2, 42-47).
            No processo catequético da época apostólica, São Paulo pode ser considerado como um protótipo desse período. São Paulo era de família judia, se torna fariseu e depois cristão. Conversão que acontece num encontro com o Ressuscitado, que São Paulo reconhece que foi iniciativa do próprio Cristo.[21]
            O conteúdo da catequese paulina é o Mistério que já não está mais escondido, mas foi revelado. O que pagãos e judeus sempre buscaram foi revelado em Jesus Cristo (cf. Cl 1, 27). Jesus Cristo se torna então, o centro da catequese paulina: Deus enviou seu Filho para salvar a humanidade, destruindo o pecado e a morte, tornando-se o princípio da salvação para todo ser humano. Entretanto, esse Mistério revelado (cf. Ef. 3, 1-12), isto é, o desígnio de amor e redenção de Deus para com seres humanos, é apresentado por São Paulo como o sentido último da História da Salvação.[22]
São Paulo tinha uma preocupação particular com a disposição pessoal reta das pessoas na sua relação com o Mistério. Um exemplo são os participantes da reunião litúrgica de Corinto (cf. 1 Cor 11, 17-34), pessoas que pecam desprezando os irmãos mais pobres não discerniam a própria intenção para assim comungar com o Mistério, podiam assim se condenar nessa atitude de fechamento ao outro e tentar comungar o Mistério do amor. São Paulo quer construir comunidade, por isso na mesma carta exorta a Igreja de Corinto apresentando o modelo de comunidade como um corpo articulado (Cf. 1 Cor 12), no qual a doação mútua na caridade seria a virtude maior (cf. 1 Cor 13). 
A preocupação paulina visava também a disposição dos ouvintes da pregação ou da catequese, essa disposição deveria ser diversa de acordo com o público. Aos judeus São Paulo procurava demonstrar que Cristo era o Messias, pois tiveram a lei por pedagoga (cf. Gl 3, 24), por outro lado, aos pagãos a catequese paulina frisava a nulidade dos ídolos e procurava fazê-los reconhecer a lei moral cristã.[23]
São Paulo, como catequista, exerce o acolhimento pessoal do catequizando. O relacionamento de São Paulo com as pessoas era paternal e afetivo, considerava-se como pai (cf. 1 Cor 4, 15) e sofria as dores de parto para gerar cristãos (cf. Gl 4, 19). Também acolhia os sentimentos de apreço (cf. Gl 4, 15) e de afeto de seus catequizandos (cf. At. 20, 36-38).
Em tudo isso, São Paulo queria que os seus catequizandos experimentassem o Mistério na sua pessoa de catequista. Pois, o apóstolo sabia da “importância de ver o Evangelho demonstrado pelo comportamento, em outras palavras, de ver a graça operando imediatamente, que reconhecia sua responsabilidade de ser um modelo para os tessalonicenses (1 Ts 1, 6)”.[24]  No relacionamento pessoal os catequizandos poderiam assim experimentar o Mistério, e continuar em suas vidas a proclamação existencial da graça atuando neles pela Palavra proclamada e acolhida na liberdade dos Filhos de Deus.[25]

4. Catequese mistagógica
            A Igreja que submerge suas raízes no judaísmo vai adentrando progressivamente no mundo greco-romano. As conversões acontecem e até metade do século II não havia uma instituição especializada para catequizar os convertidos. No século III consolida-se o catecumenato nas principais Igrejas e no século IV surgem as catequeses mistagógicas dos Padres.
            Esse período é caracterizado por um grande número de obras de catequese de cunho catecumenal e mistagógico. No século I os principais documentos são a Didaqué e a Carta de Barnabé. No século II as Demonstrações de Santo Irineu e a Primeira apologia de São Justino. A Tradição Apostólica de Hipólito marca o século III, na qual contém os princípios do catecumenato. Os séculos IV e V são o cume desse período com diversas obras mistagógicas, as Catequeses de São Cirilo de Jerusalém, as Homilias catequéticas de Teodoro de Mopsuéstia, as Catequeses batismais de São João Crisóstomo, os Tratados sobre os sacramentos e Sobre os mistérios de Santo Ambrósio e o De Chatechizandis Rudibus de Santo Agostinho.  
O catecumenato, em suas etapas, possuía aspectos doutrinal, espiritual e ritual. Não separados entre si, mas integrados na introdução do catecúmeno no Mistério. O desígnio do amor de Deus é contemplado na catequese bíblica, dogmática (símbolo) e sacramental (mistagogia), articulado na História da Salvação vista como um todo. Por outro lado, a pedagogia divina é apresentada numa visão diacrônica (bíblica), sincrônica (dogmática) e atuante (mistagógica). Deus que se revelou na História e em Jesus Cristo pode assim tocar o ser humano no encontro sacramental. Enfim, o objetivo do catecumenato é ultrapassar, progressivamente, diferenças humanas de classe e cultura consideradas superficiais em relação à unidade em Cristo.[26]
Os séculos III e IV são considerados a “idade de ouro da catequese”.[27] Nesse período surge a mistagogia como um método de iniciação cristã que relaciona os vários ritos com os eventos da salvação descritos na Sagrada Escritura.[28] A tipologia bíblica é aplicada à liturgia. Em primeiro lugar se descrevia o rito, tomava-se o texto bíblico relacionado com o rito e se refletia sobre o evento de salvação que era trazido pelo texto bíblico. Por fim se procedia a aplicação à liturgia do texto bíblico como evento da salvação.[29]
No processo mistagógico, a Sagrada Escritura narra a evolução desse Mistério no tempo e no espaço, os ritos celebram o Mistério de Deus e inserem o batizado nesse mesmo Mistério, na História da Salvação, e por fim os sacramentos prolongam esse Mistério na vida do fiel (vida moral) e abrem-no à esperança escatológica. Tendo por centro Jesus Cristo como revelação do desígnio amoroso de Deus.[30] 
Uma obra exemplar do processo mistagógico é De Catechizandis Rudibus, de autoria de Santo Agostinho (387-430). Por volta de 405, o diácono Deogratias não se conformava com a desmotivação dos candidatos ao catecumenato. Em resposta a suas angustias Santo Agostinho escreve De Catechizandis Rudibus, um tratado teórico e prático sobre a catequese, no qual o catequista expunha em forma de narração a História da Salvação, de tal modo que pudesse fazer com que os catequizandos passassem da fé à esperança e da esperança à caridade com ênfase na alegria, isto é, na plena motivação do catequizando.[31]
Santo Agostinho aconselha Deogratias a ter por base na catequese a narração da História da Salvação. Santo Agostinho não vê a História como uma sucessão de intervenções arbitrárias de Deus, mas como o desígnio amoroso de Deus que se revela. Nessa História, a razão do Filho de Deus se fazer homem foi exatamente para revelar o Mistério do amor de Deus.[32] O amor revelado nas Escrituras e em Jesus Cristo tem por motivo final a constituição da Igreja. Essa revelação do amor desperta interesse no catequizando, na medida em que este se sabe amado por Deus, daquele que amou primeiro e que quer ser ou espera ser correspondido.[33] O objetivo da narração é então suscitar no catequizando o amor, revelar o amor, pois a meta é a caridade. Portanto, as antigas Escrituras e o advento de Cristo tem por fim o amor.[34]
A pessoa do catequista para Santo Agostinho deve deixar transparecer esse amor de Deus derramado em seu coração. Porém, quando acontece a desmotivação do catequizando, o catequista deve entender o seu próprio estilo de comportamento motivacional, pois o catequista é ouvido com prazer quando o seu trabalho agrada a ele mesmo, nesse ponto a elocução é tocada pela alegria e se torna mais fácil e inteligível.[35] Tanto mais agradável será a narração quanto mais motivado estiver o catequista, de tal modo que tudo o que o catequista disser ou fizer, seja feito de tal forma que aquele que ouvindo, creia, e, crendo espere e, esperando, ame, [36] e assim possa desenvolver no catequizando o desejo do cristianismo. Enfim, esse amor é Entrega, de tal modo que Santo Agostinho afirma, que a “única certeza que temos: a certeza de que devemos entregar-nos com o coração cheio de piedade, e com a mais sincera caridade, ao que quer que façamos pelo próximo”.[37]
O catequista deve se preocupar com os seus catequizandos e suas disposições pessoais. O catequista deve conhecer profundamente seus ouvintes, suas vida e sua cultura, as motivações, a compreensão e a atenção das pessoas que recebem a instrução.[38] A mensagem deve variar de acordo com a diversidade dos destinatários, apesar da mesma caridade se dever a todos, a todos não se aplica o mesmo remédio, enquanto para uns é severa, para outros carinhosa, de nenhum inimiga, de todos é mãe.[39] O catequista precisa se preocupar com o conforto de seus ouvintes e ajudá-los a vencer o respeito humano.[40] Mesmo quando encontrar disposições pessoais que são incorretas, como se aproximar do sacramento por causa de privilégios, é da própria mentira que se deve partir, “não para desmenti-la, por evidente, mas para fazer com que se alegre em ser tal qual deseja parecer”.[41] Portanto, o catequista se inspire no modo de agir de Deus na revelação de seu plano de amor, na paciência e na compreensão.

5. Catequese medieval
            Com a inserção cristã em todo o tecido da vida civil e cultural, a aproximação Igreja e Estado a partir de 313[42] e o favor concedido pelos imperadores ao Cristianismo enfraquecerá as motivações que levam ao batismo e por conseqüência o catecumenato começa a desaparecer.
            Carlos Magno (747-814) promove a reforma da liturgia e exige na preparação dos sacerdotes, a exata compreensão do Credo e do pai-nosso, tendo em vista a pregação, que se torna a forma principal de catequese nesse período.[43] Também se insiste na explicação da missa, porque o povo começa a distanciar-se cada vez mais do Mistério celebrado. A pregação acontece nas igrejas e nas escolas dos mosteiros. Posteriormente, pregadores de ordens mendicantes utilizam exemplos da vida comum e buscam a participação do público, através da possibilidade de fazer perguntas ou aplausos. Entretanto, tal pregação afasta-se da Bíblia e se torna cada vez um ensinamento moral. A língua utilizada é o vernáculo e para auxiliar os pregadores há coleções de sermões, comentário bíblicos e coleções de frase de Padres da Igreja e outros autores.[44] 
            A catequese assume também outras formas. Em primeiro lugar a família, os pais e padrinhos devem ensinar os rudimentos da fé aos filhos. Também o sacramento da penitência era utilizado para interrogar o penitente sobre o pai-nosso e o credo. Nas universidades, os teólogos ensinam a arte de pregar e de entender a sagrada Escritura. Entretanto, o povo vai ficando cada vez mais relegado à ignorância, tendo por último recurso a chamada bíblia pauperum, que consiste em quadros sobre a vida de Cristo para serem contemplados ou Catedrais tomadas como bíblias de pedra.[45]  
            Quanto ao método, há tentativas de sistematizar a doutrina em sete pontos, como por exemplo, o setenário: sete petições do pai-nosso, sete dons do Espírito Santo ou sete pecados capitais. Porém, por influência da teologia científica, a catequese vai ficando cada vez mais discursiva e a preocupação maior é reter na memória o decálogo e listas de virtudes e de vícios.[46] Nesse método, por causa da influência carolíngia, há uma ênfase muito grande no subjetivo, ou seja, no “salve a tua alma”.
            Quanto ao conteúdo, a catequese medieval tem por centro Jesus Cristo, principalmente em sua paixão redentora, e a Igreja é vista não tanto como mãe, mas como instituição Jurídica.
A tutela do Estado leva a uma catequese que frisa muito mais a dominação e a submissão, do que a convivência no amor. Uma catequese superficial e pobre de conteúdo que torna o povo cada vez mais ignorante, preso às superstições numa religião mágica. Por outro lado, a catequese medieval deu muita importância à catequese doméstica e à força educacional da comunidade, bem como conseguiu manter um minimum através das fórmulas fixas do credo e do pai-nosso.[47]
Um exemplo de catequista do período medieval é Santo Tomás de Aquino (1226-1274). O Doutor Angélico se notabilizou pela profunda doutrina e também pelo amor a Deus. Como maior exemplo da escolástica medieval, o seu método caracterizava-se por uma linguagem simples e servia-se de exemplos da vida comum. Com uma catequese sistemática, como na Summa Theologica, que tem a criatura humana proveniente de Deus e que tem por destino o próprio Deus. O homem como última criatura criada volta à Fonte da Vida no Mistério da encarnação do Verbo. Em todos os dados provenientes da Revelação o teólogo tenta encontrar o desígnio de Deus. A teologia, bem como a catequese, é um saber uno, pois em si tudo se vê considerado do ponto de vista de Deus e tem por objetivo contemplar a Deus que conhecemos e amamos, e todo agir cristão brota dessa contemplação.[48]
Santo Tomás tinha um caráter humilde, paciente e afável, sem jamais usar palavras grandiloqüentes e afetadas. Como mestre ganha a confiança de seus alunos e não os impede de falar e brincar com ele.[49] Caracterizava-se pela simplicidade, sobriedade e ausência de sutileza escolástica. Tomás admite que os oradores necessitam de uma arte que possa tocar a afetividade, porém adverte contra qualquer frivolidade. Sua pregação era concreta, baseada na experiência cotidiana e preocupada com a Justiça, impregnada da mentalidade de seu tempo, porém marcada por um amor profundo pela Palavra de Deus. Conseguia como ninguém realizar o vínculo efetivo entre teologia e pregação.[50] Enfim, a preocupação de Santo Tomás é com o essencial, a caridade: Toda a lei de Cristo tende à caridade.[51]
No século XIV com a decadência da cristandade medieval e as divisões na Igreja, a formação que já era precária, diminui cada vez mais. Os cristãos procuram pregadores, que muitas vezes os levam à heresia. Fatos como o descobrimento da América, a invenção da imprensa, a ânsia por conhecimento e liberdade suscitada pelo Iluminismo criam o ambiente propício para o surgimento da Reforma Protestante.
6. Catequese Tridentina
            Neste item, a Catequese Tridentina é caracterizada pela doutrinação dos fiéis e pelos catecismos como sistematização da fé. No Brasil a Catequese Tridentina foi instituída somente no século XVIII em meio à catequese missionária e tradicional.

6.1 Catequese Tridentina na Europa
             O êxito da Reforma Protestante mostrou a necessidade da instrução na fé das crianças e dos adultos. Nesse intuito o Concílio de Trento (1545-1563) obriga os bispos a providenciar a catequese para as crianças em todas as paróquias.
Os catecismos são colocados no centro da atividade catequética como manuais do conhecimento da fé, privilegiando a dimensão intelectual. Enquanto, Lutero publica seu catecismo (1529), a reação da Igreja é a publicação de compêndios concisos da doutrina cristã, como o catecismo de São Pedro Canísio (1555) e por ordem do Concílio o Catecismo Romano, por São Pio V (1566).[52]
O método consistia na leitura do texto do catecismo e sua explicação, primando pela memorização. O objetivo principal da catequese era o conhecimento das verdades cristãs. A Igreja se coloca em estado de evangelização, tendo a catequese como “ensino da doutrina cristã, que privilegia a dimensão verdade-conhecimento e é inculcada como dever necessário para se salvar”.[53]
Os séculos XVII e XVIII se caracterizam pelo absolutismo, a consolidação dos estados nacionais e o Barroco. Sob a influência do Iluminismo, surge a catequese escolar que procura substituir a doutrina sobre a Revelação por um ensino antes de tudo moral, o objetivo da religião é a moralização do ser humano. O método utilizado é o socrático ou heurístico que consistia no diálogo, o catequista mediante perguntas procurava estimular a colaboração da criança partindo das possibilidades da mesma.[54]
  Apesar da tentativa do método heurístico, a catequese neste período continua a inspirar-se no modelo tridentino. A pregação é tida como prática pastoral privilegiada, na qual procurava-se integrar na prédica conteúdos catequéticos explícitos. Uma forma especial de pregação e de catequese eram as missões populares, sob três formas: o despertar religioso, o regresso à prática cristã e a vida moral digna. Os séculos XVII e XVIII são os séculos de ouro das missões populares.[55] 
O século XIX caracteriza-se pelo embate de duas correntes catequéticas: histórico-teológica e neo-escolástica. A corrente histórico-teológica aceita o interesse iluminista pelo homem, adota a criatividade litúrgica e a história bíblica pelo seu significado dogmático e salvífico. Todavia, a corrente histórico-teológica é sufocada pela neo-escolástica, que apregoa que o catequista é um arauto do evangelho e que o Cristianismo é doutrina de salvação, o objetivo da catequese é então a educação religiosa. Ligada a esta corrente está a retomada da catequese paroquial e o método de Saint Sulpice, que faz da catequese uma obra de conversão e de salvação cristã. [56]
A Igreja nesse período procura manter um diálogo com a sociedade tentando compreender as mudanças que nela ocorre, porém tem dificuldades, por isso recorre aos métodos tradicionalmente aprovados do passado.


6.2 Catequese Tridentina no Brasil
A sociedade no Brasil-Colônia caracterizava-se por uma sociedade rural, com centros urbanos restritos e a predominância de uma população iletrada. O primeiro governo geral é instituído em 1549 e o primeiro bispado em Salvador (Bahia) em 1552.
A Igreja no Brasil-Colônia adota duas linhas de catequese: a catequese missionária voltada para converter infiéis e a catequese tradicional existente em Portugal na época do descobrimento.
A catequese missionária era ministrada junto aos indígenas para incorporá-los à cristandade sob o controle do rei, subjulgando-os ao império e à civilização cristã. Os jesuítas utilizavam um método que considerava os processos específicos da cultura indígena, através de uma catequese oral, gestual, musical e teatral. Houve até tentativas de fazer conviver meninos lusitanos com meninos indígenas, para que assim estes pudessem aprender os costumes portugueses. Tal experiência foi proibida por Dom Sardinha, justificando a possibilidade dos meninos portugueses se transformarem em pagãos.[57] Por outro lado, utilizou-se de métodos coercitivos “que causavam nos índios uma reação de medo e criavam nos cristãos a impressão de uma atitude enganosa dos silvícolas que pareciam aceitar os novos estilos de vida”.[58] A experiência missionária foi encerrada com a expulsão dos jesuítas (1759).
A catequese tradicional caracterizava-se pela transmissão da fé, do culto e da piedade, que sacralizava a vida por um conjunto de verdades. Catequese que era ministrada em Portugal desde o século XII e que não tinha sofrido influência do Concílio de Trento. O método era diversificado: familiar, comunitário (através de símbolos, imagens e ritos), espontâneo (convivência dos portugueses com a população), paroquial (ensino dado pelos padres) ou a guerra santa (pela imposição da fé).[59]
A primeira tentativa de introduzir a catequese tridentina foi em 1707 com a Constituição do Arcebispado da Bahia, mas foi somente no século XIX com o desenvolvimento da cultura cafeeira que cria condições para o desenvolvimento urbano, a criação de uma sociedade burguesa e a valorização da cultura letrada por causa da influência iluminista. Nessa época o episcopado brasileiro substitui a catequese tradicional pela catequese tridentina desvinculada do poder civil. Catequese apologética e de caráter defensivo a tudo o que se considerava “moderno”. O método era essencialmente doutrinal, que procura identificar fé com conhecimento, através do método didático de perguntas e respostas, desconsiderando a vida da criança.[60] No final do século XIX, a vinda dos imigrantes europeus vem favorecer ainda mais a mentalidade de uma catequese tridentina.      

7. Século XX
            A catequese do século XX é caracterizada pela preocupação com o método e com o aprendizado do catequizando. No Brasil a questão metodológica advém principalmente após o Concílio Vaticano II, e em especial com o documento Catequese Renovada.

7.1 O século da metodologia catequética
            O século XX é caracterizado pela urbanização, a descritiniazação das massas e o modernismo condenado por São Pio X, com a defesa intransigente da fé e da doutrina cristã. O método tridentino de explicação e memorização vai caindo em descrédito, porque há o predomínio da dimensão intelectiva e a separação entre fé e vida, porém esse modelo ainda permanece. O século XX é o século dos congressos e semanas de catequese. Há uma procura intensa por novos métodos catequéticos através do movimento catequético.
            Nas primeiras décadas do século XX surge o método indutivo ou método de Munique. Ao verificar que não bastava a memorização das fórmulas como no método tridentino, influenciado pela psicologia e pelas ciências da educação, o método indutivo procurava um método individualizado no qual “incorpora-se à catequese a didática dos graus formais: a apresentação do tema, intuitiva, feita mediante narrações ou comparações; a explicação, que procede do concreto ao geral, e se faz em diálogo com os catequizandos; a aplicação à vida concreta, que permite certa verificação prática do conteúdo da catequese”.[61]
            Após a Segunda Guerra Mundial surge o método querigmático que tem a catequese não um conjunto de doutrinas, mas como o anúncio (querigma) do evangelho. O catequista não é um professor, mas testemunha que transmite a boa nova. O centro da catequese é a pessoa de Jesus Cristo. A catequese prima pelo conteúdo mais do que pelo método e se torna uma catequese bíblica, querigmática, evangelizadora, cristocêntrica e testemunhal.[62]
            Com o advento do Concílio Vaticano II busca-se uma renovada pedagogia de fé que leve a uma compreensão aprofundada da doutrina e a apresentação dessa doutrina adaptada ao homem do nosso tempo. O método catequético tem por centro o homem e não somente a Palavra (método querigmático). O fim dessa catequese está em amadurecer a fé. Quanto ao conteúdo a catequese deve ser dialógica, personalística, missionária, inspirada na encarnação e possuir dimensões bíblica, litúrgica e eclesial.[63]
            Na esteira da renovação conciliar surgem congressos catequísticos, novos centros e institutos de catequética. O Sínodo de 1974 e a exortação Pastoral Evangelii Nuntiandi questionam a aptidão da Igreja para evangelizar. O Sínodo dos bispos de 1985 pede a confecção de um Catecismo para a Igreja Católica que será publicado pelo Papa João Paulo II em 1992, que procura superar o risco de superficialidade ou reducionismos individualistas. Em 1997 surge o Diretório Geral para a catequese que recolhe todo o progresso pós Concílio Vaticano II.[64]
            A metodologia catequética após o Concílio Vaticano II, na perspectiva da Nova Evangelização, caracteriza-se por ser comunitária, cristocêntrica, antropológica e libertadora.[65]

7.2 O século da metodologia catequética no Brasil
O Brasil sempre foi dependente da catequese européia. No início do século o processo de romanização continua num esquema que tentava prevenir contra qualquer indício de modernidade.
Com o advento da Ação Católica, conforme o desejo do Papa Pio XI, a catequese toma um perfil de cruzada, formando quadros leigos para o apostolado. A catequese vai operar num clima de reconquista da sociedade para Cristo, através da revalorização da Bíblia com abertura à problemática social. A renovação pedagógica deste período tem na questão metodológica um dos pontos críticos, através da implantação do método de Munique no Brasil, priorizando a indução, surge uma infinidade de correntes catequéticas.[66]  Nesse período, o padre Pedro Álvaro Negromonte, Diretor do Ensino da Religião na Arquidiocese do Rio de Janeiro, escreve várias obras para renovação da catequese que embora continue com o conteúdo tridentino procurava renovar na apresentação e no método.[67]
O Concílio Vaticano II, por ser um concílio eminentemente pastoral traz dimensões novas para a catequese, determinando a elaboração de um diretório sobre a catequese do povo cristão.[68] Em 1968 acontece a Conferência do Episcopado Latino Americano em Medellín, juntamente com a Semana Internacional de Catequese na mesma cidade, aponta para uma evangelização mais realista dentro do contexto sócio-político da América Latina. Propunha então uma catequese que pudesse operar mudanças para a libertação do ser humano.[69] Medellín atenta para uma unidade do plano de Deus para vencer tendências maniqueístas através da integração entre o projeto salvífico de Deus e as aspirações do ser humano, para isso acontecer a catequese deve assumir as angústias e esperanças do homem latino-americano.[70]   
O Segundo Congresso Catequético Internacional em 1971, declara a inutilidade de distinguir evangelização e catequese, já o Sínodo de 1975 e a Exortação apostólica Evangelii Nuntiandi apontam a catequese como uma das vias da evangelização e recomenda um ensino religioso sistemático e a educação dos hábitos da vida religiosa.[71] Na Exortação apostólica Catechesi Tradendae, o Papa João Paulo II enfatiza o elo entre doutrina e vida, aquela como comunicação do Mistério vivo de Deus, [72] por isso a catequese deveria renovar os seus métodos, buscando novos meios de transmitir a mensagem.[73]
Na América Latina a terceira Conferência do Celam em Puebla (1979), põe o eixo de suas orientações no binômio comunhão/participação. No Brasil, influenciados pelos Institutos Superiores de Pastoral Catequética (ISPAC) procurou-se a renovação da pastoral catequética a fim de passar do catecismo para a pastoral catequética, isto é, uma educação permanente da fé de modo inculturado.[74]   
Na esteira do Concílio Vaticano II, de Medellín e de Puebla, surge o documento da CNBB Catequese Renovada. A catequese é apresentada como educação permanente da fé para a comunhão e participação na comunidade de fé. Tal educação é um processo progressivo ordenado, orgânico e sistemático. Entretanto o ensino deve permanecer fiel ao sólido fundamento da fé cristã, baseado na Sagrada Escritura e na Tradição.[75] Para que a catequese seja eficiente ela deve inculturar-se, procurando absorver e integrar culturas diferentes.[76] Enfim, propiciar que o catequizando possa unir fé e vida. Quanto à problemática dos métodos o documento reconhece que a existência de uma pluralidade de métodos é sinal de vida e riqueza, [77] porém tais métodos devem propiciar a interação entre a experiência da vida e as formulações da fé, [78] evitando-se toda e qualquer improvisação. Porém o documento Catequese Renovada é criticado sobre o conteúdo da catequese, as acusações são de que o documento privilegia o método sobre o conteúdo, procurando igualar a Revelação em Cristo com as manifestações de Deus na história.[79]  
A Conferência Episcopal de Santo Domingo (1992) foi caracterizada pela problemática da inculturação. A Nova Evangelização busca uma catequese que se interesse pela subjetividade e que seja afetiva. No Brasil as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora de 1992 a 2002, quer-se retornar a uma dimensão querigmática na pastoral, incluindo a catequese. Por fim, em 2004 a Assembléia Geral da CNBB aprova o Diretório Nacional para a Catequese.
O início do Terceiro Milênio é marcado por uma catequese que procura ter o amor de Deus como ponto de partida, [80] apresentada como um todo orgânico[81] numa hierarquia de verdades, [82] com um método que leve em conta a experiência humana[83] e a situação dos catequizandos.[84]  
A metodologia catequética nos primeiros séculos procurou manter a pedagogia do amor revelada em Jesus Cristo. A mistagogia patrística também buscou ministrar essa metodologia no encontro com o Mistério revelado e celebrado. Porém durante os séculos seguintes a ênfase na dimensão intelectual e a influência do poder político levaram a uma metodologia que algumas vezes pendia para o intelectual (tridentina, escolástica etc.) ou para o encontro personalista (querigmática, Saint Sulpice), com certa tendência à dominação. Após o Concílio Vaticano II houve o perigo do antropocentrismo e a dificuldade de uma visão orgânica da mensagem cristã.[85] Neste início do século XXI, a catequese mais do que se questionar sobre qual metodologia a seguir, tomada como um conjunto de métodos, precisa questionar-se sobre uma meta-metodologia, isto é, um quadro referencial que insira as várias metodologias dentro do panorama histórico e teórico da catequese. Obter não somente um princípio metodológico, que perpassa todo o conteúdo da catequese, [86] mas obter o princípio meta-metodológico das diversas metodologias, que este trabalho considera como a pedagogia do amor ou de Entrega, como princípio único da Revelação de Deus na História.


Capítulo II – Uma perspectiva motivacional para a metodologia catequética


            Após termos delineado como a Pedagogia Divina procurou motivar para o Mistério o ser humano no decorrer da História da Salvação, neste capítulo procuramos entender o processo de motivação das disposições pessoais e como tal processo constitui a mistagogia-motivacional.

1. Catequese: pedagogia da fé em ato
            Deus, em sua pedagogia, vai desvelando na História o seu desígnio de amor pela humanidade, cujo cume é Jesus Cristo. A Igreja buscou sempre continuar a comunicação desse desígnio através da catequese. Por essa razão, a catequese é a comunicação da divina revelação, comunicação esta inspirada na pedagogia de Deus.[87]
            Nesse processo de comunicação podemos tomar como exemplo, a Teologia Catequética presente no episódio de Jesus entre os samaritanos (cf. Jo 4, 1-42). Nessa perícope podemos notar como Jesus em primeiro lugar se preocupa com a disposição pessoal da Samaritana, no diálogo catequético leva em conta sua cultura, seus sentimentos e necessidades. Em segundo lugar, através de seu estilo de comportamento motivacional, Jesus procura levar a Samaritana à motivação plena no encontro com o Mistério nele. Por fim, esse processo culmina na transformação da Samaritana numa mistagoga que leva os outros samaritanos a encontrarem-se com Cristo.
            Nos próximos itens refletiremos esse processo do conhecimento da disposição pessoal, o processo da motivação desta e enfim a constituição de perspectiva motivacional para a metodologia catequética.
2. Disposições pessoais e graça
            Antes de nos aprofundarmos nas disposições pessoais é preciso analisar a visão de ser humano que Jesus e o homem semita possuía. O semita não parte da percepção/visão, mas do que sente e experimenta dentro de si; por isso para definir o ser humano o semita utiliza-se de quatro termos básicos:
-          Néfes: o ser humano que experimenta a necessidade, a fome, a sede, desejo de afeto e encontro (representado por néfes – garganta).
-          Basar: o ser humano finito. O ser humano ao experimentar a não realização de um desejo e assim toma consciência de sua finitude (basar – carne no sentido de fraqueza e impotência humana. O ser humano é carne).
-          Ruah: O semita experimenta a vitalidade dentro de si: força, coragem, energia, representado pela figura da respiração (ruah).
-          Leb: O semita experimenta também dentro de si a percepção, o pensamento, entendimento que conduzem à consciência e à capacidade de entrega. Tudo isso condensado em Leb (coração).[88]
O ser humano não possui esses elementos, ele é esses quatro elementos. O semita tem assim, uma visão integral do ser humano. A morte, por exemplo, é vista não como separação, mas o ser humano que passa para outra situação. Porém, na análise do ser humano na cultura grega partiu-se da contraposição corpo/alma, isto é, o que é possível ver no ser humano e perceber por outros sentidos é designado “soma/corpo” ao passo que a “psyché/alma” é definida mediante a negação daquele: a alma é invisível e intangível, imortal e imaterial.[89]
Atualmente, estudos recentes da neurobiologia vêm trazer essa concepção unitária de ser humano. Damásio, que dirige um dos principais centros de estudos neurológicos dos Estados Unidos, parte do ser humano na sua integridade e demonstra que a ausência de emoção pode destruir a razão. Aponta que o erro do racionalista Descartes é a: “separação abissal entre o corpo e a mente, entre a substância corporal, infinitamente divisível, [...] de um lado, e a substância mental, indivisível [...] de outro. Especificamente a separação das operações mais refinadas da mente, para um lado e da estrutura e funcionamento do organismo biológico, para outro”.[90]        
Por isso, na análise da disposição pessoal do ser humano, é necessária uma visão de ser humano uno de corpo e alma.[91] Nessa visão, o coração é visto como fundo do ser (cf. Jr 31, 33) no qual o ser humano decide-se ou não por Deus.[92] É do coração, do mais profundo da pessoa humana, que brotam a fé e a conversão, envolvendo a pessoa por inteira.[93] A Igreja semeia a fé nos corações dos catecúmenos e catequizados, para fecundar as suas experiências mais profundas, isto é, suas disposições pessoais.[94]
Após explanarmos a visão bíblica de ser humano, é necessário nos ater ao processo de análise da disposição pessoal. Para vislumbrar tal processo é necessário utilizarmos a sociologia como ciência auxiliar.
O processo de socialização caracteriza-se pela “transmissão e assimilação de padrões de comportamento, normas, valores e crenças, bem como o desenvolvimento de atitudes e sentimentos coletivos pela comunicação simbólica”.[95] Nessa visão, a catequese é um dos componentes da socialização do indivíduo[96] e também se utiliza do símbolo para comunicar a verdade.
Para o sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002), o processo da socialização seria a formação do habitus, isto é, “sistemas de disposições duráveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes, isto é, como princípio gerador e estruturador das práticas e das representações”.[97]  
Bourdieu declara que a escolha do termo disposição foi empregada no conceito de habitus (sistema de disposições) por duas razões: disposição exprime o resultado de uma ação organizadora (estrutura) e por outro lado exprime uma maneira de ser, um estado habitual (predisposição, tendência, propensão etc).[98] 
No processo de socialização o indivíduo vai adquirindo, no campo social em que ele convive e nas relações simbólicas que mantém, inclinações para perceber, sentir, fazer e pensar. Tais inclinações são interiorizadas a modo de disposições pessoais, que se tornam princípios inconscientes de ação, percepção e reflexão.[99] Tais princípios conferem regularidade e objetividade às práticas sociais dos indivíduos.
O processo de formação do habitus funciona como uma série cronologicamente ordenada de estruturas. O habitus formado na família é a base para a formação do habitus na catequese ou na escola, o habitus familiar e escolar é a base para o habitus da convivência social ou profissional, etc. De reestruturação em reestruturação forma a biografia sistemática do indivíduo, sua disposição pessoal.[100] Nesse processo a comunidade cristã ajuda na formação das disposições pessoais na medida em que acolhe os catecúmenos e os iniciados para sustentá-los e formá-los na fé.[101] Como traz o Diretório Nacional de Catequese, “a catequese tem início no ventre materno. Descobre as primeiras raízes da fé no ambiente familiar, desenvolve-se na comunidade e solidifica-se no engajamento comunitário e processo formativo das etapas subseqüentes”.[102]
            Como veremos, numa perspectiva mistagógico-motivacional, é preciso: em primeiro lugar conhecer a própria disposição pessoal e a sua formação; na medida em que o catequista conheça a própria disposição pessoal e o processo de sua formação poderá conhecer a disposição pessoal dos catequizandos e o processo da formação das respectivas disposições pessoais, tanto individual como grupal, para assim poder ministrar a catequese de modo eficaz.
            A graça de Deus não fica alijada do processo da formação do habitus ou disposição pessoal. O próprio Bourdieu toma esse termo da escolástica que concebia o hábito como um modus operandi, ou seja, como uma disposição estável para se operar numa determinada direção, como diria Santo Tomás de Aquino: Habitus é “uma disposição da qual um ser é bem ou mal disposto em si ou relativamente a outro”.[103]
O Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a liturgia, Sacrosanctum Concilium, após discorrer sobre a liturgia como cume e fonte de toda a ação da Igreja e proclamar que pela eficácia da liturgia se obtém a santificação do homem e a glorificação de Deus; [104] a mesma Constituição segue dizendo que para se obter essa eficácia da liturgia, isto é a imersão no Mistério celebrado, os fiéis precisam se acercar da “Sagrada Liturgia com disposições de reta intenção”[105] e assim poderem cooperar com a graça.
Nessa mesma linha Rahner já afirmava que “o sinal sacramental, para ser eficaz, pressupõe sempre uma atividade da graça não sacramental no sujeito do sacramento, em forma de ‘disposição’ que quase sempre surge sem a imediata cooperação da hierarquia”.[106] Por isso, um catequista terá em mente que a graça já atuava na vida de seu catequizando na formação da disposição pessoal deste, e sua missão de catequista é cooperar para que essa disposição pessoal seja motivada para levar o mesmo catequizando a imergir no Mistério.

3. A motivação
            Neste item queremos traçar as linhas básicas da teoria da motivação e a partir dessa teoria analisar o processo da motivação das disposições pessoais em função da Mistagogia Motivacional.

3.1 Alguns aspectos da formação da teoria da motivação
            Neste item queremos vislumbrar alguns aspectos da teoria da motivação. O estudo da motivação vem sendo explorado por várias ciências, em especial a administração e a psicologia.
            Na Antiguidade, encontramos o hedonismo e o idealismo que buscam os fatores básicos da motivação humana: para o primeiro o homem não ama a dor, mas o prazer, para o segundo a virtude e o saber constituem a motivação mais alta.[107]
            No final do século dezenove e início do século vinte, sob a influência do evolucionismo darwinista, William McDougall (1871-1938), professor da Universidade de Oxford e um dos pioneiros da psicologia social, afirma que o instinto seria uma disposição inata que conduziria o organismo a perceber os objetos e impulsionaria o comportamento humano. Portanto, o instinto determinaria o hábito, que depois determinaria a variabilidade de nossa conduta. Com Sigmund Freud (1868-1939), surgem a teoria dos motivos inconscientes que impelem o homem a agir. O inconsciente é apresentado como a grande força que determina o comportamento humano. [108] 
Surge a Psicologia da aprendizagem. Edward Thorndike, como o criador da lei do efeito para a aprendizagem, afirmava que respostas em situações agradáveis ocorrem mais freqüentemente do que em situações de desconforto. Pavlov foi outro cientista, que através do processo de condicionamento, o organismo responderia aos estímulos do experimentador; as duas variáveis motivacionais seriam a excitação e a inibição. Outra linha seria as teorias hedonísticas de Young, segundo as quais os incentivos determinam o despertar afetivo, o qual desperta o comportamento e influencia a aprendizagem.  Young, em 1936, foi quem escreveu a primeira obra dedicada à motivação. Delineia-se também a Psicologia da motivação através dos cientistas da personalidade humana. Na linha da psicológica clássica iniciada por Wundt, destacam-se hoje pela sua importância Allport e Maslow.[109]
Na área da ciência da administração, Frederick W. Taylor dava importância ao motivo financeiro, na luta contra o desperdício, na minimização dos insumos, alcançada através da análise científica do trabalho, visando à produtividade e ao salário justo. As investigações de Hawthorne por sua vez, evidenciaram a participação e representaram o ponto de partida para estudos dos pequenos grupos formais e informais e para o movimento das relações humanas. Maslow, Herzberg & McClelland, enfatizaram a realização como fator principal da motivação no trabalho. Vroom discorre sobre a teoria da expectativa ou valência. Mais recentemente surge com Douglas McGregor, a teoria x e y, com a tese do primado do homem como ser responsável, merecedor de respeito e capaz de emitir seus próprios julgamentos.[110]
Dentre as diversas teorias, atualmente três delas se destacam:
- “A teoria dos dois fatores” de Herzberg. Frederick Herzberg sugeriu que no trabalho em equipe existem dois grupos importantes de fatores relevantes à motivação. Os fatores de higiene, que não chegam a estimular, mas que precisam ser pelo menos satisfatórios para não se tornarem a causa da desmotivação das pessoas. Se tais fatores estiverem em ordem, os fatores motivadores em si podem funcionar: o trabalho em si, responsabilidade, senso de realização, reconhecimento e perspectiva de evolução.
- “A teoria da expectativa” de Vroom. V.H. Vroom formulou a teoria da expectativa, afirmando que existem duas partes que compõem a motivação: os desejos individuais e as expectativas de alcançá-los. Vroom utiliza a palavra “valência” para descrever o nível do desejo das pessoas. Por exemplo, o indivíduo, com alto nível de valência, precisa sentir que um desejo específico pode ser satisfeito.
- “A pirâmide de necessidades” de Maslow. Abraham Maslow, psicólogo americano, acreditava que todos os indivíduos apresentavam uma hierarquia de necessidades que precisavam ser satisfeitas. Após ter conseguido satisfazer as necessidades fisiológicas, o indivíduo procuraria satisfazer as necessidades de segurança, depois as necessidades sociais até atingir a satisfação das necessidades de auto-estima e de auto-realização. Entretanto se as necessidades situadas em um nível inferior, que deixam repentinamente de ser atendidas, o indivíduo direcionará novamente sua motivação para elas.[111]
Maslow ainda distingue entre motivação de deficiência e motivação de crescimento. As necessidades de deficiência constituem carências dos indivíduos que precisam ser supridas de fora e por outros indivíduos para conservar a saúde, evitar ou curar doenças. Entretanto, a motivação humana é constante, infinita, flutuante e complexa. O indivíduo é um todo organizado e integrado. Por isso, é o indivíduo como um todo que se motiva e não apenas uma parte dele, e a satisfação, atinge também todo o indivíduo.[112]
A partir disso, nota-se as deficiências e as limitações da teoria comum da motivação, caracterizada por necessidades de deficiência, isto indica uma base para uma teoria da meta-motivação ou motivação de crescimento.
O crescimento não é apenas satisfação das necessidades básicas, mas também sob forma de motivações específicas para o próprio desenvolvimento, tais como: tendências à criatividade, capacidades e talentos especiais. As necessidades básicas são uma condição prévia e necessária para as necessidades de crescimento.[113] O desafio maior da motivação consiste em libertar as energias das potencialidades para a auto-realização, o crescimento como pessoa e a integridade do ser. Entretanto, a realização de tais motivações só pode ser desenvolvida a partir da satisfação razoável das necessidades básicas ou de deficiência.[114]
Diante desses aspectos da teoria da motivação, queremos admitir neste trabalho alguns aspectos. Em primeiro lugar, a atualidade da pirâmide das necessidades de Maslow, bem como a teoria dos dois fatores de Herzberg, na medida que, é necessário sempre ter a frente que o ser humano deve ser atendido em suas necessidades básicas até a sua auto-realização, que admitimos como o Amor de Entrega. Em segundo lugar, é o indivíduo por inteiro que se motiva. Por fim, muitas das teorias sobre a motivação se fixaram nas motivações de deficiência, é necessário, pois partir para a meta-motivação, a motivação de crescimento que quer possibilitar a auto-realização do ser humano.


3.2 O processo da motivação das disposições pessoais
            O catequista fica diante de seus catequizandos, muitas vezes como o diácono Deogratias reclamava a Santo Agostinho, que na catequese não havia alegria e o tédio invadia os ouvintes.
            Numa linguagem atual, esses catequizandos estavam desmotivados. Neste item queremos refletir sobre o processo da motivação das disposições pessoais, a partir do conceito de motivação, motivo e estilo de comportamento motivacional.
            A motivação é a força interior que leva o individuo a agir. A motivação é um estado interno que ativa ou movimenta, representada por todas as condições de esforço ou desempenho interno, descrita como aspirações, desejos, estímulos, impulsos etc. [115] Motivação é a ação de motivar, isto é, suscitar nas disposições interiores o desejo de imergir no Mistério do amor de Deus. Nesse processo o desejo leva a pessoa a agir.
            Motivar vem do latim “movere”, mover, por em movimento, por isso fica evidenciada a importância do motivo, isto é, aquilo que move, dirige ou canaliza do comportamento em direção a objetivos.
O processo motivacional é formado por três elementos interdependentes: as necessidades, que surgem em um estado de deficiência, seja fisiológica ou psicológica; os estímulos ou motivos que surgem a fim de aliviar tais necessidades, orientando a deficiência para o objetivo, que é aquilo que alivia a necessidade e reduz o estímulo.[116]
            Tais motivos podem ser primários (fisiológicos) que brotam do próprio instinto de preservação ou sobrevivência. Uma outra categoria são os motivos secundários ou sociais que precisam ser aprendidos, e variam de pessoa à outra e de um grupo social a outro.[117]   Tanto os motivos primários e os secundários movem o indivíduo a aliviar a necessidade ou deficiência, como foi visto no item anterior na pirâmide das necessidades de Maslow até a auto-realização. Auto-realização plena que neste trabalho tomamos como o amor de Deus no Mistério revelado.
            O motivo como algo externo leva o ser humano, a partir de sua própria experiência ou disposição pessoal, a tomar decisões de satisfação de suas necessidades. “Motivo e decisão constituem dois elementos de uma situação: o primeiro é a situação como fato; a segunda, empreendida”, [118] é recíproca a relação entre fato motivador (motivo) e ato motivado que brota da decisão do sujeito motivado. “A motivação não deveria ser tratada como um constructo com existência própria isolada da experiência do ser que o assume num ato consciente e decisório”.[119]
            Poderia-se cair em alguns erros no processo da motivação das disposições pessoais. Algumas pessoas procuram motivar outras com estímulos externos sem levar em conta as verdadeiras necessidades do indivíduo. Procura-se mover o sujeito através de um sistema de recompensa e punição. Não se consegue “motivar” ninguém, não existe uma fórmula que garanta a motivação, porque a “motivação vem das necessidades humanas e não daquelas coisas que satisfazem essas necessidades”.[120] O indivíduo é um todo integrado, por isso é o indivíduo como um todo que se motiva, e “não apenas parte dele, e a satisfação conseqüentemente, atinge o indivíduo todo”.[121]
Diante disso, qual seria então a função do agente motivador no processo de motivação das disposições pessoais. É necessário a tal agente conhecer aquilo que se chama Estilo de Comportamento Motivacional, isto é, “o reconhecimento da direção que cada pessoa possa tomar na busca dos seus próprios esquemas produtores ou fatores de satisfação”.[122]
Há uma tendência de acreditar que os demais agem por razões idênticas às nossas, distorcendo a percepção das verdadeiras motivações do outro. Para se evitar a desmotivação causada pela imposição a outros da própria perspectiva, é necessário conhecer o próprio estilo motivacional para facilitar o entendimento da fragilidade das outras pessoas e como são diferentes entre si, facilitando assim o respeito mútuo. É preciso entender que as inclinações das outras pessoas levam suas marcas pessoais, advindas de suas experiências e disposições pessoais, e que não se consegue mudar os outros conforme a nossa vontade.
Podemos concluir que a motivação é algo intrínseco, é um processo interno ao indivíduo. O motivo leva o indivíduo a tomar a decisão de se abrir à satisfação das próprias necessidades. O agente motivador consegue ajudar na motivação do outro na medida que conhece o próprio estilo de comportamento motivacional, e entender assim o processo da motivação das próprias disposições pessoais e ajudar o outro a se abrir na satisfação das próprias necessidades. O agente motivador através de uma sensibilidade interpessoal evita assim qualquer tentativa de motivar o outro através de recompensa ou punição numa atitude dominadora. Esse processo se coaduna com o que traz o Diretório Nacional de Catequese sobre uma pedagogia interior do coração, “a catequese procura a síntese entre o conhecimento intelectual e a experiência amorosa da vida em Deus”.[123]     

4. Metodologia catequética e Mistagogia Motivacional
            Neste último item queremos relacionar a teoria da motivação das disposições pessoais e a metodologia catequética que tem por objeto o Mistério de Deus Revelado, para assim traçar os pressupostos básicos da Mistagogia Motivacional.

4.1 Metodologia catequética e disposição pessoal
No encontro pessoal com Deus o ser humano vem com toda a sua história pessoal e social. Jesus sabia disso. Por isso, no encontro com Deus em sua pessoa, Jesus utilizava desse conhecimento para evangelizar. Tanto que, Jesus é apresentado pelo evangelista João como aquele que não precisa do testemunho do ser humano, porque conhecia a disposição pessoal do ser humano, isto é, “ele conhecia o que havia no homem” (Jo 2, 25).
Jesus no diálogo com a Samaritana, leva em consideração a nacionalidade dela (cf. Jo 4, 22), sua condição social (cf. Jo 4, 17-18) e seu trabalho (cf. Jo 4, 7). Em primeiro lugar Jesus apresenta-se como sedento (cf. Jo 4, 7), demonstra conhecer os samaritanos e seus problemas com o povo de Israel (cf. Jo 4, 21) e as dificuldades pessoais da Samaritana, que representa assim a idolatria presente no povo samaritano (cf. Jo 4, 15- 20).
Num outro episódio, no encontro com seus conterrâneos, Jesus também demonstra conhecer a disposição pessoal deles (Mc 6, 1-6). Os conterrâneos de Jesus esperavam um Messias poderoso, por isso não concebiam um Messias filho de carpinteiro. Eles não conseguem transpor a humanidade de Jesus e ver assim a ação de Deus. Jesus por sua vez, conhecendo a disposição pessoal dos ouvintes, proclama que um profeta é desprezado em sua terra (cf. Mc 6, 4).
A catequese procura conhecer a disposição pessoal daquele que quer entrar no diálogo da salvação. Procura entender como foi formada tal disposição, pois é no mais profundo da pessoa humana que brotam a fé e a conversão, de tal modo que a pessoa inteira possa aderir a Jesus Cristo.[124] Encontro que possibilite com que a própria pessoa conheça as suas mais importantes experiências pessoais e sociais.[125]
Este processo de conhecimento das disposições pessoais ajuda o catequista na inculturação e na adaptação do Evangelho às culturas. Auxilia na adaptação do Evangelho, no que se refere em dar atenção às pessoas, ou na própria inculturação, no sentido de atenção aos contextos culturais, porque em ambas as situações, propicia o conhecimento da cultura de um povo e da assimilação desta pelos catequizandos.[126]
Inculturação que se trata da “penetração do Evangelho nos recônditos das pessoas e dos povos, alcançando-os de maneira vital, em profundidade, isto é, até às suas raízes, a cultura e as culturas do homem”.[127] Assumir as riquezas culturais compatíveis com a fé, bem como purificar ou transformar as disposições pessoais e estilos de vida contrários ao Reino de Deus. Tal inculturação não é apenas uma assimilação intelectual do conteúdo da fé, mas é a transformação do coração que muda a conduta do indivíduo. A catequese gera uma união entre fé e vida, e produz assim frutos de santidade. [128]
O catequista precisa estar consciente que a graça o precede no conhecimento e na formação das disposições pessoais dos catequizandos. Ao mesmo tempo deve estar consciente de que o Evangelho não nasce de um húmus cultural humano, mas também não pode ser isolado das culturas nas quais se inseriu no princípio e nos séculos seguintes. Porém, necessita distinguir os germes evangélicos que podem estar presentes nesta mesma cultura.[129]
O catequista também é chamado a conhecer o ser humano por dentro, isto é, sua disposição pessoal, para que assim possa ministrar uma catequese verdadeiramente inculturada e que motive o catequizando. Uma catequese que proporcione os conhecimentos do Mistério de maneira prática-experencial. De tal modo que o catequista, numa convivência vital com o catequizando, possa introduzi-lo no Mistério do amor de Deus e transformar a disposição pessoal deste.

4.2 Metodologia catequética e motivação das disposições pessoais
Não basta conhecer as disposições pessoais, é necessário motivá-las. Jesus, no diálogo com a Samaritana, parte de uma necessidade humana como a sede, primeiramente a própria (cf. Jo 4, 7) e depois da Samaritana (cf. Jo 4, 15) procura levar tal motivação ao anseio maior do Dom de Deus (cf. Jo 4, 14).  
Jesus sempre procurou motivar as pessoas de tal modo que seu estilo de comportamento motivacional pudesse tocar os corações para que estes pudessem se abrir ao Mistério de Deus nele. Um outro exemplo é Zaqueu, o convite de Jesus para ir a sua casa faz com que Zaqueu sinta a solidariedade amorosa de Jesus e transforme a sua decisão em reparar os roubos e fazer o bem aos pobres (cf. Lc 19, 8).
O conhecimento das disposições pessoais do catequizando ajudará o catequista a anunciar o Mistério do amor de Deus revelado na História numa verdadeira mistagogia. O catequista procurará demonstrar que o Mistério vem ao encontro dos mais profundos anseios do coração daquele ao qual ele anuncia. Como Jesus, parte dos desejos e necessidades presentes no coração humano para anunciar que hoje a salvação entra nesse coração (cf. Lc 19, 9).
O coração bem disposto acolhe a semente da Palavra de Deus e assim produz muito fruto (cf. Mc 4, 20). O mergulho no Mistério faz com que a pessoa assuma as atitudes próprias do Mestre, um novo homem e uma nova mulher que ama as pessoas e se torna assim um novo semeador do Reino de Deus, um novo catequista. Assim a Samaritana deixa suas tarefa e corre para anunciar aos samaritanos o encontro com o Messias e os convida a fazer o mesmo (cf. Jo 4, 28). O processo se repete com eles de tal modo que os samaritanos podem exclamar: “Já não é por causa de teus dizeres que cremos. Nós próprios o ouvimos, e sabemos que esse é verdadeiramente o salvador do mundo” (Jo 4, 42).
A partir das disposições pessoais surgem interrogações que estimulam o ser humano a um justo desejo de transformar a própria existência através da luz do Evangelho. A catequese procurará fazer a íntima conexão entre a natureza humana e as suas aspirações, mostrando que o encontro com o Mistério satisfaz plenamente o coração humano.[130]
O encontro com o Mistério do amor de Deus na fé faz com que, “aquela ânsia, freqüentemente inconsciente e sempre limitada, de conhecer a verdade sobre Deus, sobre o próprio homem e sobre o destino que o espera. É como uma água pura que reaviva o caminho do homem peregrino em busca de seu lar”.[131]  A motivação é ação da graça de Deus que antecede e ajuda nos atos humanos. O Espírito Santo, através do dom da fé, move o coração humano e o dirige para Deus, dando-lhe a graça de consentir e de crer na verdade.[132]
Considerando a motivação das pessoas, isto é, o que move suas disposições pessoais, a catequese procura penetrar nas pessoas, estimulando uma atitude de radical conversão a Deus de tal modo que aconteça um pleno amadurecimento do amor.[133]  Todo esse processo leva em conta a pessoa e sua disposição, mas também o Mistério revelado ao qual a pessoa é chamada a imergir através da graça como veremos a seguir. 



4.3 Mistagogia Motivacional
            Até esse momento apresentamos o catequizando, sua disposição pessoal e a necessidade de motivar essa disposição pessoal. Neste item queremos analisar o Mistério do amor de revelado em Jesus Cristo que move a disposição pessoal do catequizando. Por isso, queremos propor uma mistagogia que leve em consideração a motivação das disposições pessoais dos catequizandos.
            Mistagogia é um termo advindo da língua grega, composto do substantivo mystes (mistério), que talvez derive do verbo myo (fechar os lábios) e do verbo ago (conduzir). Significa a introdução de uma pessoa no conhecimento de uma verdade oculta.[134] Como já foi visto no primeiro capítulo, o Mistério é revelado na História cujo cume dessa Revelação é Jesus Cristo. Os Padres da Igreja foram iniciadores sábios dos convertidos ao Mistério Cristão. Esse processo de iniciação foi a Mistagogia cristã.
Nesta catequese “a narração (narratio) das maravilhas realizadas por Deus e a espera (expectatio) do retorno de Cristo acompanhavam sempre a exposição dos mistérios da fé”.[135] Tendo o Mistério de Cristo como centro de todos os demais elementos da Mistagogia.[136] Este encontro com Cristo é mediado pela linguagem simbólica, de tal modo que a comunhão com Jesus Cristo leva o catequizando a celebrá-lo nos sacramentos, em especial na Eucaristia.[137]   
            O homem no encontro com Cristo pode assim tornar claro seu próprio mistério. O Mistério do Amor do Pai é assim manifestado plenamente ao homem e lhe descobre a sublimidade de sua vocação. Isso vale não somente aos cristãos, mas a todos os homens que procuram a Deus de coração sincero. Por Cristo, no Espírito Santo, o ser humano descobre sua vocação na vida divina e o enigma da morte e da dor é iluminado pelo Mistério Pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo.[138]           
Porém, vivemos hoje tempos de secularização, a nova evangelização necessita educar o ser humano nos valores pessoais e positivos do Mistério da pessoa humana a partir do Mistério do Amor de Deus revelado em Jesus Cristo.[139]  O contexto da secularização dificulta também a entrada na trama simbólica e ao acesso à salvação pelas vias rituais. Torna-se necessário uma educação para o simbólico, com uma progressiva iniciação às “atitudes interiores e exteriores que caracterizam a vida litúrgica”.[140]
Atualmente, torna-se necessário auxiliar as pessoas no processo de conhecer o mistério do Reino de Deus, suas promessas e exigências. Para que isso se efetive, a Igreja tem no Catecumentato batismal o modelo de toda a catequese, os elementos da mistagogia catecumenal deve inspirar a catequese e o significado metodológico dos mesmos. Mistagogia que é de responsabilidade de toda a comunidades cristã, impregnada pelo mistério da Páscoa de Cristo e um lugar privilegiado de inculturação. Mistagogia que seja um processo formativo e uma verdadeira escola de fé.[141]   
Este trabalho objetiva constituir uma metodologia que auxilie a catequese na adaptação da transmissão da Revelação aos catequizandos. Por isso, propomos uma Mistagogia Motivacional, isto é, um processo formativo que motive as disposições pessoais dos catequizandos e possa assim conduzi-los ao Mistério Revelado. Por isso, traçamos alguns princípios que formam essa Mistagogia Motivacional.
Em se tratando de metodologia o catequista necessita de um suficiente conhecimento de seus interlocutores, suas necessidades, sentimentos, cultura, valorizando a experiência que cada pessoa traz, para possibilitar a concretização do princípio de interação fé e vida.[142] Como já foi demonstrado, [143] é necessário pois conhecer as disposições pessoais dos catequizandos, sua formação e constituição, tanto pessoal como do grupo. O catequista conhecendo seu próprio estilo motivacional, sua formação e processo motivacional próprio, vai poder estimular os catequizandos a mergulharem no Mistério do Amor de Deus revelado em Jesus Cristo a partir de próprias interrogações destes. 
A Mistagogia Motivacional propiciará uma catequese verdadeiramente inculturada, porque trabalhará com as disposições pessoais formadas no processo de socialização, e confrontará essa socialização com o Mistério de Deus revelado em Jesus Cristo. Por isso, é necessário conhecer a cultura e o processo de socialização desta e o Mistério de Deus Revelado. Conhecer as sementes do Verbo já presentes na cultura e os sinais de pecado nela existente.
A catequese é uma formação orgânica e sistemática da fé, e procura assim o aprofundamento vital e orgânico do Mistério de Cristo, [144] uma fé professada, celebrada, vivida e orada.[145]  A Mistagogia, através da introdução do catequizando na linguagem simbólica e sacramental, procurará transmitir o conteúdo do Mistério de forma orgânica, de tal modo que cada catequizando possa ver na Revelação a solução para os profundos questionamentos de sua vida.
Para que a transmissão do Mistério seja uma verdadeira Mistagogia e transmitido de maneira orgânica e sistemática, não pretendemos neste trabalho fixar uma metodologia específica. Pois, “na transmissão da fé, a Igreja não possui um método próprio, nem um método único, mas sim, à luz da pedagogia de Deus, discerne os métodos do tempo, assume com liberdade de espírito ‘tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor’ (Fl 4, 8); a variedade dos métodos é um sinal de vida e uma riqueza”.[146] Considerando, porém, que não é possível adotar qualquer método, mas sim um processo de transmissão adequado à natureza da mensagem, às suas fontes e linguagem, e à condição da comunidade, [147] propomos não um método, e mais que uma metodologia, propomos um princípio meta-metodológico, isto é, um princípio-guia de toda metodologia cristã, que auxilie o catequista na escolha do método e seja um princípio na transmissão da Revelação.
O princípio meta-metodológico do amor como Entrega, presente na Revelação de Deus na História, é o princípio norteador de toda a Pedagogia Divina, constitui o princípio básico de todo estilo de comportamento motivacional, fonte da alegria do catequista na transmissão da fé, a base da socialização e da formação da disposição pessoal, princípio da inculturação do Evangelho e enfim a essência do Mistério de Deus revelado em Jesus Cristo. Por isso, na próxima parte estaremos analisando o princípio meta-metodológico da Entrega, através da análise sociológica e teológica da formação desse princípio. E poder tê-lo assim como condutor do processo catequético e da Mistagogia Motivacional. 


Capítulo III – Análise sócio-antropológica da dimensão de Entrega do ser humano

        

            Neste capítulo queremos analisar primeiramente o que é o princípio meta-metodológico. Em seguida analisamos tendo como ciências auxiliares a Sociologia e a Antropologia o amor como Entrega, a partir da parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37), bem como seu contraposto que é a dominação, a partir da parábola do devedor implacável (cf. Mt 18, 21-35) e da parábola dos vinhateiros homicidas (Mt 21, 33-46; Mc 12, 1-12; Lc 20, 9-19), para obtermos um quadro de análise sócio-antropológico do amor como Entrega, isto é, do princípio meta-metodológico da Mistagogia Motivacional.

1. O princípio meta-metodológico da Mistagogia Motivacional
            Como vimos, a pedagogia de Deus na História tem por princípio o amor, a Entrega para salvação do ser humano. Tendo a catequese como educação permanente da fé, essa pedagogia precisa ser exercida no processo catequético. Mas de que catequese estamos falando?
            Neste trabalho tomamos a catequese como uma variedade de atividades. Desde a catequese infantil para a preparação para Primeira Eucaristia, como os cursos para padrinhos de batismo ou a formação dos candidatos ao sacerdócio que se preparam para o sacerdócio ministerial. Muitas formas na história foram assumidas pela catequese, sejam as grandes homilias ou sermões dos Santos Padres, o Catecumenato, as aulas de religião ou a formação dos membros de movimentos e pastorais. Catequese nos internatos ou nas missões populares. Em todo esse processo catequético que abarca a vida das pessoas desde o nascimento na catequese familiar até a preparação para a morte, a pedagogia de Deus procura adaptar-se e ir ao encontro das necessidades humanas. Deus na sua infinita bondade abraça o ser humano na sua indigência e quer salvá-lo.   
Entretanto, essa pedagogia possui a sua metodologia? Como falar de método ou metodologia numa realidade tão vasta?
Nesse processo catequético amplo, pode-se partir de Deus para chegar a Cristo ou vice-versa. O método catequético pode ser descendente, que parte dos documentos da fé, ou pode ser ascendente, que parte das situações humanas. No caso da pastoral latino-americana temos o método ver, julgar e agir. Métodos predominantemente cognitivos, ou que destacam o afetivo ou ainda métodos de caráter ativo.[148] No problema metodológico pode-se cair ainda numa dualidade: o individualismo ou o holismo. O individualismo deve explicar tudo pelo interesse consciente ou inconsciente, por outro lado o holismo pela pressão social e cultural, explícita ou implícita.[149] Essa dualidade coloca o ser humano num dilema, ou se confia inteiramente ou se desconfia inteiramente.  
Além da diversidade de métodos catequéticos e das diversas combinações dos elementos constitutivos de cada método, há em cada método uma infinidade de técnicas de comunicação e de animação, instrumentos e materiais utilizáveis e outros fatores que envolvem o processo catequético, como por exemplo, as pessoas envolvidas, os objetivos a atingir, meios concretos disponíveis e o tempo que se tem.[150] 
Nessa diversidade, nenhuma metodologia, método ou técnica dispensa a pessoa do catequista, é ele na relação pessoal com o destinatário, como testemunha do evangelho propiciará o encontro do catequizando com Deus na sua própria pessoa.
Por isso, considerando que na transmissão da fé a Igreja não possui um método próprio ou um método único, mas à luz da pedagogia de Deus, discerne-se os métodos do tempo.[151] E tendo diante dos olhos a tensão entre conteúdo e método, tomamos por princípio que o “método faz parte do conteúdo, e que o conteúdo também faz parte do método. Assim, não é possível desvincular o problema metodológico da preocupação com o conteúdo”.[152] Afirmamos que o princípio meta-metodológico do amor como Entrega, é o princípio fundamental da pedagogia divina, portanto presente no conteúdo da fé, e é o princípio que guiará cada catequista na escolha dos métodos ou técnicas apropriados.
            Por isso ainda, diante de uma realidade tão vasta da catequese, procuramos neste capítulo traçar o princípio meta-metodológico fundamental da catequese que é o amor como Entrega. Princípio de toda a metodologia[153] catequética, e por conseqüência de cada um dos métodos[154] que compõem essa metodologia. A Entrega como é princípio dos métodos, tal princípio deve ser o sustentáculo de cada técnica[155] catequética e estar presente na escolha dos instrumentais.  Conforme o esquema abaixo:






Técnicas e instrumentais

       Métodos

    Metodologias

Princípio meta-metodológico (O amor como Entrega)

Porém nunca se pode esquecer que embora a metodologia, os métodos, as técnicas, os instrumentais e a pessoa do catequistas sejam importantes, “nada substitui a ação silenciosa e discreta do Espírito Santo”.[156]
O próprio papa Bento XVI, tomou o amor como tema de sua primeira encíclica, Deus Caritas est.[157] Em seus pronunciamentos o Sumo Pontífice afirma que é a “caridade, a alma da missão”, [158] um dos objetivos centrais da nova evangelização é ensinar a amar, [159] escolheu como tema para o dia das missões de 2006 “A caridade, alma da missão” e afirma que “o amor que Deus tem por cada pessoa constitui, de fato, o coração da experiência e do anúncio do Evangelho, e todos que o acolhem se convertem por sua vez em testemunhas”.[160] Finalmente, afirma o Papa Bento XVI, “para a Igreja, a caridade não é uma espécie de atividade de assistência social que também se poderia deixar a outros, mas pertence à sua natureza e é manifestação irrenunciável de sua própria essência”.[161]
Em nossa perspectiva de uma metodologia mistagógica motivacional tomamos o Amor como a essência do Mistério de Deus revelado e o princípio e fim da motivação humana. Por isso, neste capítulo queremos então, seguindo os passos do Papa Bento XVI, através da análise sócio-antropológica da dimensão de Entrega do ser humano, recuperar o verdadeiro significado da palavra amor, palavra muitas vezes desgastada e conceituada de forma errônea. Amor que é dom de si, como afirma o Papa, no domingo de Ramos de 2006: “O amor é entrega de nós mesmos e, por este motivo, é o caminho da vida autêntica simbolizada pela Cruz”.[162]

2. O amor como Entrega
            O que é amar? Essa pergunta não é feita com muita freqüência. Parece que hoje todos sabem o que é amar e a palavra amor é usada a todo o momento e nas mais diversas situações. Por isso neste item, queremos refletir de forma simples, mas tentando obter uma definição clara e precisa sobre o que é amor cristão. Amor que é, como já dissemos anteriormente, a base da motivação humana e a essência da Revelação Divina.[163]
            Para analisarmos o amor de forma cristã, neste item assumimos como paradigma a Parábola do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37), da qual tomamos o itinerário para definirmos o amor como Entrega.
Um legista aproxima-se de Jesus e pergunta o que deve fazer para “herdar a vida eterna” (Lc 10, 25). O herdar está ligado à terra prometida no cumprimento da Aliança (cf. Gn 12, 7). O acento é colocado no que fazer, na práxis para herdar a eternidade, a promessa do Altíssimo. Jesus pergunta sobre a Lei e o legista responde com amar a Deus e amar o próximo como a si mesmo, respectivamente tomados de Dt 6, 5 e Lv. 19, 18. Partimos do pressuposto de que amar é práxis permeada de eternidade. Amar como Entrega torna-se sacrifício que estabelece aliança ancorada no eterno.
            O legista levanta a questão: “Quem é o meu próximo?” (Lc 10, 29) Com esta questão, o legista queria delimitar o próximo ao israelita, e assim excluir o estrangeiro ou como doutores da lei que queriam excluir também os pecadores.[164] Essa é a deixa para que Jesus conte a parábola do Bom Samaritano. Um homem, um ser humano, é atacado, despido e ferido por bandidos, está em situação de necessidade. Sacerdote e levita vêem a necessidade, mas passam adiante, a lei não permite a impureza de tocar um morto e tornar o sacerdote e o levita impuros para o culto (cf. Lv 21, 1), a não ser que fosse um parente próximo, um irmão (cf. Lv 21, 2). Nesse ponto da narração aparece um Samaritano, considerado um mestiço e herege (cf. Jo 8, 48), mas vai ao encontro da necessidade do ser humano (cf. Lc 10, 29-33). O Samaritano sabe-se livre para amar o homem necessitado.
O Samaritano viu o necessitado, diferentemente do sacerdote e do levita, move-se de compaixão, [165] sobre as feridas põe azeite para suavizar e vinho para desinfetar, o conduz a uma pousada e cuida daquele homem necessitado. Coloca-se a disposição ao recomendar ao dono da pousada que cuide dele e recomenda “o que gastares a mais, em meu regresso te pagarei” (Lc 10, 35). O amor faz o Samaritano mover-se de compaixão, entregar-se ao cuidado do necessitado, sem se preocupar com barreira religiosa ou política. Enfim um amor que leva o Samaritano a entregar-se ao outro.
2.1 Amar é aliança eterna
            Marcel Mauss (1872-1950), antropólogo e sociólogo francês, na sua obra Ensaio sobre a Dádiva afirma que a dádiva forma a atmosfera na qual a vida social se desenvolve.[166] Mauss parte do pressuposto de que a dádiva produz a aliança, seja aliança matrimonial, religiosa ou política. A vida social então, está baseada na tríplice obrigação de dar, receber e retribuir.
Nessa perspectiva dois grupos humanos podem ter duas opções ou se afastar e gerar desconfiança ou unirem-se e estabelecerem relações de dar, receber e restituir.  Ou se confia ou não se confia, ou ama ou não ama, qualquer reticência em dar faz com que se perca a confiança, como traz o livro da Revelação: ai de quem for morno! (cf. Ap 3, 16). Nesse processo da dádiva cria-se aliança porque “ao dar, dou sempre algo de mim mesmo. Ao aceitar, o recebedor aceita algo do doador. Ele deixa, ainda que momentaneamente, ser um outro; a dádiva aproxima-os, torna-os semelhantes”.[167]
            Afinal o que seria o Dom ou a Entrega? Segundo Alain Callé, Dom é “toda prestação de serviços ou de bens efetuada sem garantia de retribuição, com o intuito de criar, manter ou reconstituir o vínculo”.[168] Diante dos extremos do problema metodológico que de um lado se reduz ao individualismo que tenta explicar tudo pelo interesse consciente ou o holismo, que por outro lado procura explicar pela pressão social, a antropologia do Dom quer mostrar que as relações humanas alicerçam-se no Dom, na Entrega que estabelece vínculos que permanecem. 
            O Dom tem a pretensão de estabelecer aliança, todavia não se restringe ao seres humanos, mas transcende. O sacrifício é o Dom feito a seres superiores pela pessoa que o oferta.[169] O sacrifício procura estabelecer comunicação com o divino, por intermédio da vítima. Por isso, o sacrifício deve se tornar algo permanente, de tal modo que a Aliança estabelecida com Deus seja algo perene. Tal como os santos e santas, que doam a vida aos irmãos por amor a Deus, para transformar a morte em vida, fazem sacrifício sem uma visão utilitarista, tentando receber algo em troca, mas a entrega que fazem legitima o sacrifício que oferecem.
            Temos então no sacrifício, Entrega que se torna vida, um valor eterno. Se nos entregamos para gerar vida e estabelecer vínculo, tal vínculo ancora-se no eterno através do sacrifício. Somente num prisma de eternidade pode-se amar verdadeiramente. Porque somente um amor assim, transcende toda diversidade das pessoas e ama o próximo pelo que ele é. A eternidade purifica o amor de qualquer desespero ou predileção, e propicia uma igualdade perfeita. Enfim, “a relação com Deus é a marca pela qual se conhece se o amor aos homens é autêntico. Faz parte de uma relação de amor a triplicidade; o amante, o amado, o amor; mas o amor é Deus. E por isso, amar uma outra pessoa é ajudá-la a amar a Deus, e ser amado consiste em ser ajudado”.[170]
            Portanto, amar como Entrega que gera vida no próximo, estabelece vínculo, que tem peso eterno e é a essência da Aliança com Deus. Isto é o fazer a vontade de Deus para conseguir a vida eterna, conforme a resposta do jurista.      

2.2 O homem livre ama o próximo necessitado
            Em primeiro lugar, o homem para amar precisa ser livre. O Samaritano não estava preso a preconceitos ou limitações que o impedisse de ir ao encontro da necessidade de um outro ser humano. Nesse ponto o amor cristão exige um coração puro (cf. Mt 5, 8), um coração livre que não tenha nenhuma consideração de pessoas e possa assim se entregar livremente, um coração que se “joga no prazer da entrega de si”.[171] Na medida que o Samaritano é um homem com o coração livre e abdicado, sua motivação ao doar-se é que o outro também seja um ser humano livre, por isso “dar é deixar a pessoa que recebe num estado em que ela não precisa mais da nossa doação”.[172]
            Em segundo lugar, o homem livre ama o seu próximo. O legista queria utilizando-se da lei, escolher o seu próximo, Jesus por sua vez quer trabalhar a idéia de tornar-se próximo. Nesse ponto, amar o próximo é amar toda e qualquer pessoa, amando as pessoas a quem podemos, ou amando o esposo ou a esposa e se amo essas pessoas de verdade, nelas amar todas as outras. Amar até o inimigo (Cf. Lc 6, 27), porque diante de toda alteridade deve-se perceber a essência humana, não há diferença, afinal amar o próximo é aceitar a eterna igualdade. Por que tudo isso? Porque amar é pressupor amor na outra pessoa, bem como que todo ser humano ama a si mesmo. Ninguém pode colocar amor no coração do próximo, mas a partir do fundamento do amor que existe na outra pessoa edificar o amor, pois “o homem amoroso que edifica só tem um único método, pressupor o amor; o que haveria de resto por fazer só poderia ser constantemente obrigar-se a sempre pressupor o amor. É assim que ele favorece a eclosão do bem, ele faz crescer com amor o amor, ele edifica”.[173]   
            Por fim, o homem livre ama o próximo necessitado. O homem livre consciente de sua própria solidão, por princípio sabe-se necessitado do amor divino e da ajuda de outras pessoas, ele tem consciência de sua própria debilidade.  O homem livre sabe-se um necessitado, um pobre. O próprio Jesus identificou em si esta necessidade de ser amado por um ser humano (Cf. Jo 21, 16). Esta consciência da própria pobreza é que faz com que o Samaritano vá ao encontro da necessidade do próximo, sejam tais necessidades corporais, psicológicas, afetivas ou espirituais. O homem que ama procura então, satisfazer a necessidade do outro, não suas vontades, mas as suas verdadeiras necessidades, isto é, aquelas destinadas a propiciar a maturidade humana.
            Concluindo, o homem livre sabe-se pobre, vê o próximo, pressupõe nele o amor e vai ao encontro de sua necessidade, para que este também se torne um homem livre e possa amar.   

2.3 Amor cristão é Entrega
            Deus é a fonte do amor, esse amor divino é um amor-entrega por excelência, porque em Deus não há necessidade, mas somente abundância que quer entregar-se. A razão da criação é o amor que faz cada criatura existir. Por sermos imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26), a nossa vocação é também se entregar e a realização humana está nesse doar-se. O amor natural, o eros, a amizade, a afeição são assumidos pelo Absoluto e transformados pela graça em caridade, em doar-se ao próximo.[174]
            O que seria esse “se entregar” ? O Samaritano doa uma parte de sua vida, de seu tempo, de suas energias para que o próximo pudesse ter vida. Faz isso, não para aparecer ou para ser reconhecido pelos homens (cf. Mt 5, 43-46), e muito menos para ser um escravo ou ter um escravo, mas o faz simplesmente para que o outro pudesse viver e se tornar uma pessoa livre, isto é, manter-se por si só. Não coloca limites ou determinantes em sua doação.
O ser do homem é estruturalmente um ser com os outros, está estruturalmente aberto ao amor. Quando o homem ama é um ser para o outro. Por isso, o amante vive literalmente para o ser do amado.[175]
Nesse processo de Entrega, o sofrimento aparece, como para surgir a companheira de Adão foi preciso tirar a costela, sempre no processo da doação é preciso retirar algo do homem antes de lhe dar.[176] A caridade, o doar-se, nos torna vulneráveis, por isso é preciso que a caridade seja paciente, prestativa, tudo desculpe, tudo creia, tudo espere e tudo suporte (cf. 1 Cor 13, 7).
A Entrega não está presa somente aquele ato de amor e depois abandona o necessitado. O Samaritano leva o necessitado até a hospedaria e coloca-se a disposição mesmo quando parte (cf. Lc 10, 35). Amar é estar à disposição. Ao contrário de Caim que questiona a Deus: “Acaso sou guarda do meu irmão?” (Gn 4, 9), o amoroso preocupa-se com o necessitado. A Entrega não é feita somente com os atos, mas com o estar a disposição, com o ouvir ativamente o outro, prestar atenção a sua situação, mesmo quando não se pode fazer nada, a exemplo de Cristo, estar presente a cada instante na vida do necessitado, ser presença total. “Ouvir alguém não significa que concordamos com o que foi dito, mas que estamos interessados em compreender suas motivações”.[177]
O amor como Entrega consiste em primeiro lugar em ver, em estar atento à realidade do outro. Depois se mover de compaixão, todo o nosso ser estar voltado para auxiliar o outro em sua real necessidade, doar a nossa vida, tempo e qualidades para satisfazer as verdadeiras necessidades do próximo, para que o necessitado tenha vida e possa tornar-se assim um ser humano livre. É preciso estar sempre à disposição, estar presente a cada instante na vida do necessitado. Mas nesse processo estar conscientes do sofrimento que isso gera e assumir tal sofrimento na Cruz do Senhor Jesus Cristo. A Entrega gera vínculos que perduram pela eternidade, uma aliança eterna em Cristo que satisfaz o coração humano. Esse amor-entrega, que procura fazer o bem (cf. At 10, 38), é graça de Deus e é o fundamento da motivação humana, isto é, do mover do coração humano (cf. Lc 10, 33).

3. A dominação
            Atualmente os catequistas encontram problemas profundos no relacionamento com os seus catequizandos. Estes, muitas vezes, advindos de famílias destroçadas, ambientes promíscuos, ou de um indiferentismo atroz. Sejam os catequizandos nas paróquias, ou os seminaristas na formação presbiteral, ou ainda os jovens que procuram se casar, carregam feridas profundas no coração. Corações feridos que não sabem amar e não conseguem deixar Deus e o próximo os amarem. Tais feridas podem transformar-se em um processo de dominação, que neste trabalho tomamos como conseqüência do pecado e a antítese do amor cristão.
            Durante séculos a dominação foi o flagelo que submeteu muitos seres humanos. Advinda do século XX, a nossa sociedade está marcada por duas guerras mundiais, por regimes totalitários aceitos passivamente por pessoas de bem, crueldades sem par, torturas perpetradas por governos despóticos numa insensibilidade sem fim. Tudo isso nasceu do coração humano (cf. Mt 15, 19). Propomos neste trabalho, o amor como princípio meta-metodológico da catequese, mas nesse processo de ensinar a amar, cada catequista precisa ter a consciência de que está lidando com pessoas marcadas pela dominação. Portanto, se o amor é a tese, a dominação é antítese do processo da implantação do Reino. Catequizar é ensinar a amar, mas o catequista deve ter também a voz profética de ir contra a dominação e como Jesus dizer: “Entre vós não deverá ser assim” (Mt 20, 26).
            Neste item queremos, como fizemos no item anterior com o conceito de amor, chegar à definição de dominação, para isso tomamos por paradigma a parábola do devedor implacável (Mt 18, 21-35) e a parábola dos vinhateiros homicidas (Mt 21, 33-46; Mc 12, 1-12; Lc 20, 9 -19).
            A primeira parábola é introduzida por uma pergunta de Pedro: “Quantas vezes devo perdoar ao irmão que pecar contra mim?” (Mt 18, 21) A resposta de Jesus é perdoar sempre. Então Jesus conta a parábola do devedor implacável. O Reino de Deus é semelhante a um rei que chama os seus servos e começa a fazer o acerto. Diante de um servo que devia uma enorme quantia, dez mil talentos, o patrão manda vendê-lo, bem como toda a sua família. O servo implora por um prazo e sua dívida é perdoada (cf. Mt 18, 23-26).
O servo perdoado por seu patrão, no seu egoísmo não entende o ato de misericórdia deste, sob a ótica da honra, deixa-se dominar pelo medo do poder de seu patrão e enterra o dom da caridade (cf. Mt 25, 24-25). E ainda mais, fechado em sua própria hipocrisia interpreta o ato misericordioso do seu patrão como uma desonra para si. Por isso, ao encontrar um companheiro de servidão que lhe devia uma pequena quantia, um denário, sufoca-o, quer tirar-lhe o sopro de vida. O devedor implacável, não abranda o coração, não perdoa e quer submeter o outro (cf. Mt 18, 26-28).
            O devedor implacável diante da súplica do seu companheiro de servidão, que lhe pedia o perdão, fecha o coração. Não o ouviu, fechou-se à súplica do outro, e o mandou para prisão. O implacável não tem compaixão e não se coloca no lugar do outro, vê e trata o outro como uma coisa (cf. Mt. 18, 28-35).
            Na segunda parábola, a história conta a revolta de vinhateiros contra o dono de uma vinha que envia servos para buscar os frutos da vinha, vinhateiros que por fim matam o filho-herdeiro, quer significar a missão de Jesus, “enviado por Deus como última possibilidade de salvação para Israel, é rejeitado e levado à morte por um povo incrédulo”.[178]
            Neste trabalho, porém, queremos enfocar a atitude dos vinhateiros. A vinha representa o povo de Deus (cf. Is 5, 2ss), bem como o Reino de Deus, isto é, “a realidade divina de salvação presente na vida humana”.[179] No tempo de Jesus uma vinha pertencente a um estrangeiro, poderia ser arrendada a vinhateiros. Os vinhateiros da parábola são seres humanos, limitados, necessitados, em dívida de fidelidade para com o proprietário da vinha (Deus). Ao invés de abrirem-se à fidelidade da Aliança, os vinhateiros fecham-se em si mesmos, encastelam-se e tentam, numa atitude autoritária tomar posse dos frutos da vinha que não lhe pertencem.
            Na parábola a dominação é demonstrada na perspectiva da História da Salvação. Os servos são os profetas que ao anunciarem a fidelidade à Aliança foram espancados, insultados e feridos (cf. Lc 20, 11-12). Os vinhateiros, dominados pela própria necessidades e fechados ao amor a Deus e ao próximo, não vivem a Aliança. Ao invés de viverem o amor como essência da Aliança, os vinhateiros tentam submeter pela força.
            Ao verem o herdeiro os vinhateiros raciocinavam: “Este é o herdeiro; matemo-lo, para que a herança fique para nós” (Lc 20, 14). A absolutização das próprias necessidades pode chegar a ponto de instrumentalizar o outro, desprezando a sua vida, para assim tomar posse da herança.     

3.1 Dominar é encastelar-se
            O ser humano é um ser necessitado, uma pessoa limitada, por isso muitas vezes em dívida com o outro e com Deus. A dívida é o próprio símbolo que expressa a situação negativa do homem diante de Deus e diante de seu próximo. Nessa situação de necessidade, a primeira medida é entrar na dinâmica do amor e deixar-se amar por Deus e pelo próximo, permitindo o atendimento das próprias necessidades, das próprias “dívidas”, como foi visto no item anterior.
            Porém, muitas vezes, essa abertura não acontece. O ser humano na sua necessidade e fragilidade perene, nos seus relacionamentos pode sofrer ofensas e machucaduras. Tudo isso causa um sofrimento muito grande que começa no nascimento, ao se desprender da mãe à qual se acha estreitamente ligado. Esse sofrimento pode provocar um fechamento da pessoa, esta cria defesas que evitem qualquer machucadura no relacionamento com o outro. É o processo do encastelar-se.[180] O ser humano constrói um castelo no qual se fecha para se proteger.[181]
            Essa proteção vai se tornando cada vez mais forte e vai fazendo com que o ser humano isole-se do mundo. Começa um processo de criação de máscaras para poder cada vez mais se defender. A defesa acontece, só que uma enorme solidão invade o coração humano, este coração passa a desconfiar das pessoas e não aceita o amor humano. Em primeiro lugar, não se ama, porque, como cria uma casca protetora, passa a achar que esta casca, esse castelo é a realidade e, portanto não se conhece verdadeiramente. Ao contrário do amor, não aceita a própria fragilidade e por isso não se ama. A partir disso, não ama o próximo, porque não confia, e por conseqüência não ama a Deus.[182]
            O ser humano somente realiza-se como pessoa “na consecução da união interpessoal, da fusão com outra pessoa, no amor. Esse desejo de fusão interpessoal é o impulso mais poderoso que há no homem”.[183] Como o dominador não consegue essa união por manter um castelo que o protege, ele busca esta união através da submissão. O dominador para escapar de sua solidão suprema dentro de seu castelo, quer tornar um outro indivíduo parte de si. Ele se exalta a ponto de incorporar o outro na sua própria personalidade. No dizer de Erich Fromm, o dominador, “o indivíduo sádico é dependente do indivíduo submisso, assim como este é dele; um não pode viver sem o outro. A diferença está apenas em que o sádico comanda, explora, fere, humilha, e o masoquista é comandado, explorado, ferido e humilhado”.[184]
            Assim também mostra a Sagrada Escritura. O ser humano sabendo-se pó, necessitado, limitado (cf. Gn 3, 19), numa autodefesa procura dominar. Essa dominação é enquadrada no Evangelho como hipocrisia. O relacionamento consigo mesmo (jejum), com o outro (esmola) e com Deus (oração), ao invés de se tornar um processo de entrega, de ir ao encontro do outro, o hipócrita esvazia o sentido dessas ações, subordinando o amor ao egoísmo. A hipocrisia ao converter ações caritativas em espetáculo procura a própria glória, procura subordinar o outro a si, busca dominar através da mentira um outro ser humano (cf. Mt 6, 1-6.16-18).
            O princípio da dominação é o ser humano que não aprendendo a amar, não aceita a própria condição de necessitado, e encastela-se no próprio egoísmo. A vocação de comunhão é transformada em dominação que procura subordinar o outro, absorver o outro em sua própria vida. O dominador coloca o castelo como verdade e vive a mentira da hipocrisia.   

3.2 O dominador escravizado quer escravizar o próximo dependente
            No processo da socialização do ser humano é incutido habitus. Nessa formação da disposição humana para o jogo simbólico no relacionamento social, são inscritas também estruturas de dominação. No jogo simbólico o dominador procura acumular capital simbólico, isto é, o poder que possibilita o reconhecimento social: a honra.[185] Essa imposição da dominação acontece através da violência simbólica, isto é, da imposição de categorias do mundo social pelos dominantes e aceitas como naturais pelos dominados.[186] Um exemplo para clarificar esse conceito é a dominação masculina. As mulheres são educadas desde criança na família, na escola e na igreja, para serem submissas à dominação do homem. São inculcadas tais disposições de tal maneira, que essa dominação doce se torne “natural”. As mulheres se tornam um objeto simbólico, elas são colocadas numa dependência simbólica: “elas existem primeiro pelo, e para, o olhar dos outros, ou seja, enquanto objetos receptivos, atraentes, disponíveis”.[187] A Sagrada Escritura traduz isso como conseqüência do pecado, o desejo da mulher a impelirá ao marido e ele a dominará (cf. Gn 3, 16). Esse processo de dominação se exerce também, na relação brancos com negros, ou superior com subordinado etc.
            Como foi dito neste item, nesse jogo simbólico, o dominado aplica as categorias recebidas através das estruturas de dominação inculcadas num processo de reprodução efetuado por agentes específicos (família, igreja e escola) de tal forma que a submissão ao dominador torna-se natural. Isto é feito de tal modo que dominantes e dominados partilham esquemas comuns de percepção da sociedade, de tal forma que levem os dominados a adotar, sobre os dominantes e sobre si mesmos, o ponto de vista dos dominantes.[188] Por outro lado, o dominador torna-se prisioneiro da representação dominante, sempre tendo que manter a honra, busca a aprovação do grupo e vive o medo de perder a estima do mesmo.[189] Tudo isso torna o dominador inflexível, como o devedor implacável ou os vinhateiros homicidas, sem complacência para compreender os outros, ele busca o que é próprio dele, “a fim de dizer diante de tudo o que ele designa: eis minha imagem, eis meu pensamento, eis minha vontade [...] despoticamente, não quer sair de si mesmo, despoticamente quer triturar a característica particular da outra pessoa ou atormentá-la até a morte”.[190] 
            As estruturas de pecado existentes na sociedade são estruturas de dominação que aprisionam dominador e dominado. O dominador inconsciente da própria necessidade fabrica máscaras de hipocrisia para viver em sociedade. Como Caim (cf. Gn 4, 5-6), escravizado pela honra que deve transparecer em sociedade procura escravizar o outro incorporando-o a sua própria personalidade. Por outro lado, nessa estrutura de dominação, o dominado aceita essa realidade como natural e se submete. A dominação acontece então quando o dominador escravizado pela própria necessidade e pela honra quer escravizar o próximo em sua necessidade.  

3.3 Dominar é instrumentalizar o outro
            O ser humano como ser limitado e necessitado está submetido a um jogo de forças do cosmos em torno de sua própria sobrevivência (tempestades, furacões, terremotos etc). Além disso, o ser humano está imerso num cosmos baseado na morte para poder sobreviver (a cadeia alimentar). Diferente desses quadros, somente o ser humano entra no mundo da violência de modo racional, de tal forma que pode aplicar a força para preservar a vida, mas pode também aplicar a força para se sobrepor ao outro.
            Nesse último ponto surge a dominação. Dominação como submeter o outro a seu poder, coagir para fazer a própria vontade ou enfim possuir o outro.   
            A negação do amor é a dominação, como uma experiência de autodestruição. Enquanto o amor é gratuito, a dominação é apropriar-se do ser do outro para si mesmo. Nesse processo de apropriação está o desejo do ser humano de vencer sua própria indigência, de dominar sua própria pobreza ontológica. Sentindo-se limitado o ser humano procura compensar a própria carência agregando ao próprio ser o ser do outro, fazendo o ser do outro um ser para si, com a finalidade de suprir o que falta em sua própria existência. Por isso, surge o desejo insaciável pelo poder, que se torna a negação do amor e também a denegação da existência mesma.[191]
Dominação é possuir, instrumentalizar o outro para suprir a própria necessidade. Nesse ponto o dominador manipula a outra pessoa em seu benefício pessoal. Ao contrário do amor que busca a unidade com o outro na liberdade, o dominador para escapar da solidão dentro de seu castelo, “ele exagera e exalta a si mesmo incorporando o outro indivíduo, que o adora”.[192] É uma fusão sem integridade. A vontade do dominador de descobrir o segredo da vida o faz utilizar o poder completo sobre o outro para descobrir esse segredo. Mesmo que para isso o dominador possa destruir o outro.
            Entretanto, a dominação não é tão clara, ela se utiliza do manto do amor para poder ser exercida, como segue:
            A dominação pode parecer amor-doação. O instinto materno tem um amor-doação que precisa dar, precisa ser necessário para o próprio filho. Esse amor deveria doar-se até que o outro pudesse se tornar livre, viver por si só. Entretanto, às vezes, isso não acontece, ao invés da abdicação que faz com que a mãe se torne supérflua, ela procura ser cada vez mais necessária e procura através de mecanismos do apego tornar o objeto amado em constante necessidade, mesmo se tal necessidade for imaginária. É um “entreguismo” no qual a ilusão hipócrita faz com que a pessoa nessa situação pense ainda que vive um amor abnegado.[193] Numa perspectiva da antropologia do Dom, no dom há sempre um interesse, esse interesse deve privilegiar a aliança, porém o que na dinâmica do dom se deve ser totalmente contra é a intenção instrumental, na verdade o dom subordina os interesses instrumentais aos interesses não instrumentais.[194] 
            Outra forma é o ciúme, no qual o amante tomado pela insegurança de ser ou não ser amado, “ansiosamente torturado pela ocupação consigo mesmo, nem ele ousa confiar totalmente na pessoa amada, nem se entregar inteiramente, a fim de não dar demais”.[195] O ciumento confunde amor com posse da pessoa amada, no seu coração julga: “ou possuir o amado ou morrer”.
Nesse processo não há um amor, mas sim uma idolatria na qual um adora e o outro é adorado, nisso se exclui a igualdade eterna do amor ao próximo, nessa relação entre dominador e dominado, se desconhece qualquer outra expressão para a relação senão a de se prostrar e se abandonar a si mesmo.[196] Nessa perspectiva o Papa Bento XVI, alerta que o eros degradado a puro sexo, “torna-se mercadoria, torna-se simplesmente uma ‘coisa’ que se pode comprar e vender; antes, o próprio homem torna-se mercadoria”.[197]
O cume da dominação é o totalitarismo, no qual o dominado em troca da sua subordinação absoluta ao dominador, em troca de seu sacrifício virtual, adquire o direito de massacrar o outro, numa lógica utilitarista faz do crime útil virtude e obrigação.[198] Isso se registrou historicamente nos regimes totalitários da Segunda Guerra Mundial. O domínio total, que caracterizava esses regimes, buscava formar uma humanidade que privava toda liberdade do indivíduo de ser ele mesmo. Assim poder-se-ia reduzir o homem a uma coisa, que pudesse ser manipulada. O domínio total quer transformar toda a personalidade e pessoalidade humana em um nada existencial. Com isso o domínio total sistematiza a infinita pluralidade e diferenciações dos seres humanos como se a humanidade fosse um indivíduo, transforma o povo em massa, através da doutrinação e do terror absoluto.[199] O domínio total usurpa a dignidade humana do direito a qualquer individualidade. “Morta a individualidade, nada resta senão horríveis marionetes com rostos de homens, todas com o mesmo comportamento de cão de Pavlov, todas reagindo com perfeita previsibilidade mesmo quando marcham para morte”.[200]
            Diante da pergunta da mãe de Tiago e João, de poderem se assentar à direita e à esquerda no Reino, e da indignação dos outros dez apóstolos, Jesus diz “Sabeis que os governadores das nações as dominam e os grandes as tiranizam. Entre vós não deverá ser assim” (Mt 20, 26). Para Jesus, a dominação é contrária à essência do Reino de Deus, que é o servir, a Entrega para o bem do próximo.
Concluímos que, a dominação surge no coração do ser humano que, não aprendendo amar e ser amado, não aceita a sua condição de necessitado e encastela-se. O dominador procura subordinar o outro, absorvê-lo, numa busca de uma falsa união através da hipocrisia. Essa dominação, que pode se transvestir de amor, caracteriza-se principalmente em instrumentalizar o outro na falsa tentativa de satisfazer as próprias necessidades. Tudo isso gera nas relações humanas desconfiança e por fim separação.
            Ao encerrar este capítulo no qual pretendemos definir que o amor é Entrega e por isso dimensão fundamental e motivação primeira do ser humano numa visão sócio-antropológica; queremos citar o sociólogo Pierre Bourdieu, que diante da dominação masculina, coloca como única solução o amor. Bourdieu afirma que
[...] baseado na suspensão da luta pelo poder simbólico que a busca do reconhecimento e a tentação correlativa de dominar suscitam, o reconhecimento mútuo pelo qual cada um se reconhece no outro e o reconhece também como tal pode levar, em sua perfeita reflexividade, para além da alternativa do egoísmo e do altruísmo ou até da distinção do sujeito e do objeto, a um estado de fusão e de comunhão, muitas vezes evocado em metáforas próximas às do místico, em que dois seres podem ‘perder-se um no outro’ sem se perder. Conseguindo sair da instabilidade e da insegurança característica da dialética da honra que, embora baseada em uma postulação de igualdade, está sempre exposta ao impulso do dominador da escalada, o sujeito amoroso só pode obter o reconhecimento de um outro sujeito, mas que abdique, como ele o fez, da intenção de dominar. Ele entrega livremente sua liberdade a um dono que lhe entrega igualmente a sua, coincidindo com ele em um ato de livre alienação indefinidamente afirmado (através da repetição, sem redundâncias, do “eu te amo”).  [201]
            Diante desse amor que é base da motivação humana, e antídoto contra toda dominação, queremos no próximo capítulo analisá-lo como essencial à revelação de Jesus Cristo, motivação básica do seu sacerdócio, da sua Entrega pela salvação da humanidade. 


Capítulo IV – A dimensão de Entrega da Pedagogia Divina na Revelação do Mistério: uma análise teológico-sistemática

        

            A finalidade primeira da catequese é aprofundar o primeiro anúncio e fazer com que o catequizando possa conhecer, acolher, celebrar e vivenciar o Mistério de Deus revelado em Jesus Cristo. De tal modo que o catequizando entregue seu coração a Deus e entre na comunhão da Trindade e da Igreja.[202]
            Para que essa comunhão aconteça é necessário a transmissão da mensagem evangélica. Tal mensagem é centrada num cristianismo trinitário de tal modo que a mensagem seja estruturada de modo orgânico, constituindo uma síntese coerente da fé. Tal síntese é representada pelo Catecismo como uma exposição orgânica e sintética da doutrina católica.
            A finalidade da catequese é ensinar o catequizando a vivenciar o Mistério Revelado da comunhão da Trindade oferecida ao ser humano. Vemos no amor como Entrega o centro desse Mistério Revelado e da mensagem evangélica. É a partir do conteúdo que provém o método,  [203] e este como está a serviço do conteúdo, queremos traçar o princípio do amor-entrega como o centro do Mistério Revelado, da mensagem evangélica e por conseqüência princípio meta-metodológico da pedagogia catequética.
O amor como Entrega para a vida do próximo é a motivação primeira do ser humano, sua realização como pessoa. Neste capítulo queremos demonstrar que esse amor é o centro da Revelação. Mas além disso, queremos demonstrar também que é a essência do sacerdócio de Cristo, e é a participação, a comunhão nesse sacerdócio que propicia a Salvação.  Como vimos, a pedagogia de Deus na História tem por princípio o amor, a Entrega para salvação do ser humano. Portanto, a catequese, é a transmissão da Revelação e da comunhão no Sacerdócio de Cristo, que têm por essência o Amor-Entrega.
           
1. O amor eros e o amor como Entrega no ser humano uno
Como foi dito o ser humano é um ser uno, ama não somente com o corpo ou somente com a alma. No processo de socialização, o ser humano como um ser “corpalma” aprende a amar e a se entregar. Nesse mesmo processo de socialização surgem conteúdos de dominação que são incutidos e que podem se tornar princípio da decisão humana. Obviamente, isso não é totalmente distinto, está mesclado em cada ser humano. A missão da catequese é ensinar a amar, ajudando o catequizando, diante da Revelação, a identificar em si estruturas de dominação, ou de pecado, bem como estruturas de entrega, para assim optar pela Verdade do encontro com Deus.
Entretanto um problema que sempre permeou o anúncio do Evangelho é a separação entre corpo e alma, advinda da influência platônica. Essa separação também influenciou na visão de amor que permeou a sociedade. O amor era visto somente como eros ou somente como uma entrega espiritualizada.
No primeiro caso, o ser humano entregue somente ao eros vê o amor com o satisfazer de suas necessidades, sejam elas, psicológicas, físicas, espirituais, etc. O ser humano fecha-se sobre si mesmo e está pronta a base para desenvolver-se a dominação como vimos no capítulo anterior.
Uma catequese desenvolvida nesses termos seria uma catequese que incentivasse a imaturidade do catequizando, na qual se ensinaria a ver a salvação somente como um satisfazer das próprias necessidades. Nesses termos, as agremiações cristãs que têm por estribo a chamada “Teologia da Prosperidade” trabalham nessa linha. Tais agremiações propõem a instrumentalização de Deus através do dízimo para satisfazer a necessidade do ser humano por bens materiais ou a satisfação no campo amoroso através da dominação do outro, não respeitando a liberdade humana. O amor é reduzido a eros puro. Em tal visão o sofrimento advindo da aprendizagem da entrega é visto como negativo e por isso é execrado.  O poder de Deus é de tal modo enfatizado que a dominação é vista como princípio da divindade.    
No segundo caso, a visão espiritualizante do amor, desencarnada, faz com que aconteça também o endurecimento do coração. O ser humano não é visto como um ser necessitado, mas como um ser que precisa aprender a sofrer e esperar a vida eterna que o libertará do corpo. As necessidades são vistas como conseqüência do ser humano como ser corpóreo e que sempre podem se tornar princípios de pecado.
A catequese nessa linha espiritualizante torna-se desencarnada, não inculturada, repleta de idéias abstratas e promete um mundo futuro que virá somente na libertação do corpo pela morte. Na história sempre houve movimentos que se inspiraram nessa visão pessimista do corpo como cátaros, albigenses, jansenistas, dentre outros. Ainda hoje permanece em alguns setores do Cristianismo tal visão. O corpo precisa ser domado. A penitência torna-se instrumento primeiro de santificação. A penitência ao invés de ser um instrumento de sensibilização para a necessidade do outro e para com Deus, um processo de transformar o coração de pedra em um coração de carne (cf. Ez 36, 26), torna-se um processo de desprezo e de ódio pelo corpo. Também tal visão incentiva um individualismo religioso, a salvação individual é enfatizada em detrimento da salvação do outro. O poder de Deus é visto também como dominação que advirá para destruir toda a carne e promover um reino que será espiritual, e nessa visão, desprovido de corpo.
Somos a religião do Ressuscitado, daquele que imergiu na Trindade a carne humana. Queremos propor uma visão de amor como Entrega, mas que integre perfeitamente a dimensão eros do ser humano, que foi criada por Deus e que foi assumida pelo Verbo encarnado e ressuscitado.
Para se conseguir esse equilíbrio entre corpo e espírito no ato de amor, isto é, ato de ir ao encontro da necessidade do outro, é necessário estar consciente de que em nós existe o amor eros e o amor ágape.
Amor eros, como maravilhosamente nos recorda o Papa Bento XVI, é o desejo de possuir o que lhe falta, em busca da união interpessoal.[204] Essa busca do outro para satisfazer as próprias necessidades é inerente ao ser humano e necessita ser elevada ao amor ágape, ou amor-entrega.
Como vimos, uma visão espiritualizante do amor pode fazer crer que é necessário simplesmente aniquilar o amor eros. Essa tentativa de aniquilar a dimensão corporal do ser humano pode levar as pessoas a um processo de angelização, isto é, de pensarem que não são humanas e de se tornarem anjos que amam somente com o pensamento e não com o corpo, como conseqüência o coração torna-se endurecido. O Papa Bento XVI é claro nesse sentido, “se o homem aspira a ser somente espírito e quer rejeitar a carne como uma herança apenas animalesca, então espírito e corpo perdem a sua dignidade”.[205]
Obviamente, a outra concepção que deseja um amor somente corporal e que hoje está em voga, afirma a exaltação do amor eros de tal forma que a necessidade individual é idolatrada. Nesse sentido, eros é degradado a mercadoria, a uma coisa, o ser humano é instrumentalizado.
Eros necessita ser disciplinado, e aqui é que acontecem os problemas e é aqui também que a catequese necessita agir. A disciplina do eros não pode acontecer sem que uma verdadeira afetividade aconteça, sem que tratemos o ser humano como um ser corporal e espiritual. Se isso não acontecer pode-se cair nas duas concepções acima, ou se trata o ser humano com um ser apenas espiritual, e aparece uma disciplina do eros que parece muitas vezes uma maneira de tortura seja corporal ou psicológica, ou se trata o ser humano como um ser apenas corporal que necessita satisfazer suas necessidades, num processo que o torna escravo de si mesmo.
A catequese, também quando se trata do amor eros, deve entender a disposição interior do outro, dar a atenção devida a suas necessidades afetivas, entender a formação da afetividade do outro, os problemas que surgiram nessa formação. E não simplesmente fingir que tudo está bem e que se se ensinar a pessoa o amor ágape, o amor eros automaticamente, como num passe de mágica, se enquadrará àquele.
O amor ágape, ou amor-entrega, “indica o oblativo de quem procura exclusivamente o bem do próximo”.[206] A partir do amor eros ergue-se o amor-entrega, tal itinerário é descrito pelo Papa, “à medida que se aproxima do outro, far-se-á cada vez menos perguntas sobre si próprio, procurará sempre mais a felicidade do outro, preocupar-se-á cada vez mais dele, doar-se-á e desejará « existir para » o outro”.[207]
A Entrega acontece na medida em que a pessoa saiba se amar, na medida que ela sentiu em sua vida a satisfação das próprias necessidades pelas outras pessoas. E se isso não aconteceu, a família, a sociedade, e no nosso caso a Igreja, também pela catequese deve buscar educar o amor eros, para que este seja a base para o amor-entrega acontecer.
Essa é uma opção preferencial pelos pobres, por aqueles desprovidos do amor, desprovidos de atenção, afeto e aprovação do próximo e necessitam de pessoas em suas vidas que os ajudem a sair dessa pobreza. Essa opção não exclui ninguém, nem os inimigos. A sensibilidade pela fraqueza do outro, pela vulnerabilidade do próximo, acontece na medida da consciência da própria pobreza. Essa sensibilidade é primeiramente afetiva, isto é, advinda do amor eros, que faz com que a pessoa se abra à necessidade, indo ao encontro dela no amor-entrega. 
Por isso, afirmar que uma pessoa ou uma categoria de pessoas está desprovida da capacidade de amar vai contra a sã doutrina.
A Igreja necessita de uma espiritualidade de comunhão,[208] reflexo do amor da Trindade, experimentada e infundida no ser humano a partir do amor eros para se chegar no amor-entrega. Espiritualidade vivida pelo clero e pelos leigos, por casados e celibatários, por todos aqueles que se dizem cristãos e por todos os homens e mulheres de boa vontade.
A Igreja imergida numa Espiritualidade de Comunhão pratica e testemunha verdadeiramente o amor. Torna-se assim o rosto da Trindade no mundo e por conseqüência a família de Deus no mundo.
Deus nos ama com amor eros e amor-entrega.[209] Amor que é essência de Deus e que o levou a entregar-se por nosso amor. No primeiro capítulo deste trabalho vimos de forma diacrônica como esse amor se manifestou na História da Salvação através da Pedagogia Divina. No próximo item, através de uma análise sincrônica, queremos demonstrar o Amor, eros e ágape, como essência da Trindade e da Revelação, por conseqüência, princípio meta-metodológico de uma catequese inculturada.

2. O amor-entrega: uma análise teológico-sistemática
Deus se revela a Israel na experiência do êxodo como aquele que está junto do seu povo para o libertar da escravidão do Egito, da dominação do faraó que instrumentaliza uma nação em nome de seus interesses. Nessa revelação Deus não escolhe o caminho dos senhores, não fica do lado do poder. Enquanto o ídolo representa o poder do déspota e dá respaldo a toda ação de domínio, o Deus de Israel rejeita a dominação e vem ao encontro da dor dos oprimidos para realizar a felicidade humana da liberdade (cf. Ex 3, 7- 8).[210]
            Nesse contexto exodal, o Sinai é o cume da experiência do Deus de Israel. Essa experiência é caracterizada pelo Deus que se doa revelando a sua vontade. A Aliança é a Lei que expressa a vontade de um Deus que quer a construção de uma sociedade justa e fraterna. Não basta a libertação da opressão, o povo é convidado a viver essa liberdade no relacionamento mútuo. A verdadeira atitude religiosa está em viver a justiça, em entregar-se para o bem do próximo sem qualquer tipo de dominação (cf. Ex. 20 1-17).[211]
            Os profetas surgem sempre para recordar ao povo a experiência primeira do Deus de Israel. Quando o povo seduzido pelo ídolo cai na tentação da dominação, surgem profetas para denunciar a opressão e anunciar a eterna Aliança que se realiza em Jesus Cristo.
            O Verbo Encarnado é a Revelação de Deus, que vulnerável, despojado, se entrega ao seres humanos na figura de uma criança. Não se apresenta poderoso e revestido de domínio, mas pobre e frágil, quer atrair-nos pelo amor, atração cujo cume são os braços abertos na cruz (cf. Jo 12, 32). Jesus é um ser humano real e inteiramente a partir de Deus, Deus que está conosco, o Emanuel (cf. Mt 1, 23). Jesus, Deus e Homem, é a autocomunicação, a auto-entrega encarnada de Deus.[212]
            O ser humano criado a imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26) é capacitado a viver em comunhão com Deus na sociabilidade humana e vocacionado a reinar, isto é, a exercer um governo pastoril sobre a criação para manter as bases da vida humana. A nova criação inaugurada por Cristo visa consumar a criação levando a comunhão vivida no amor à perfeição, comunhão entre Deus, os seres humanos e as criaturas.[213] 
Para que isso aconteça, Jesus adentra à miséria humana advinda do pecado. Pecado que representa o distanciamento entre o ser humano e Deus é preenchido por Jesus. Com sua auto-Entrega amorosa o Verbo Encarnado em si preenche o abismo da separação humana de Deus com a sua criatura.[214]
            A morte e ressurreição de Cristo abarcam perpetuamente esse relacionamento entre a humanidade e Deus. Portanto, Deus adentra pela Encarnação a história do sofrimento humano para implantar nela seu amor redentor, cujo cume é a auto-oferta de Jesus na cruz.    
O relacionamento de Entrega entre Pai e Filho na Trindade agora pode ser participado por cada ser humano. Deus é o Abba (cf. Gl 4, 1-7), o pai que está próximo de seus filhos em suas necessidades. Jesus, o Filho Unigênito de Deus, o Messias ungido pelo Espírito e exaltado na ressurreição, realiza o Senhorio régio de Deus e torna-se o doador do Espírito Santo. O ser humano pode então no Espírito de Cristo viver essa experiência de filho para com Deus.
            Nessa autocomunicação de Deus na História é revelado o Deus Triúno. Em Jesus é nos revelado a vivência íntima da Santíssima Trindade. A economia salvífica é, portanto, a economia da auto-oferta de Deus na História. Essa autocomunicação de Deus na História está em perfeita consonância com a essência divina, isto é, a lógica do amor determina essa autocomunicação. O centro da Revelação é pois Deus que em seu Filho e no Espírito comunica a si mesmo, se Entrega, para que o ser humano possa comungar da essência da Trindade. Deus se entrega aos seres humanos para que estes possam participar da sua comunhão redentora (cf. Jo 17, 21 – 23).[215]  
            Nesse evento autocomunicativo é nos apresentado o evento constitutivo intradivino da auto-oferta de Deus: a comunhão essencial das três hipóstases. Nesse evento pericorético, nessa auto-relacionalidade absoluta e ilimitada capacidade de relacionar-se acontece o desprendimento de si mesmo como conseqüência do amor divino.[216]
O Mistério do amor divino é essa vontade de relacionar-se que dá origem à criação cujo cume é o ser humano. Vontade que não é impedida pelo pecado, mas cujo relacionamento tem seu ápice em Jesus Cristo, no Deus Encarnado. Nele Deus abre aos pecadores a comunhão de vida consigo mesmo.[217]
Deus se revela como em-si tripessoal. A comunhão é vivida pelas três pessoas da Trindade. Ser pessoa é estar consigo mesmo no outro. Como o Pai que é com o Filho, se entrega a ele, se identifica sem reservas, o Filho se entrega totalmente ao Pai e vive para fazer a vontade dEle. O Espírito permite que o Pai esteja no Filho e vice-versa, e envolve os crentes nesse evento relacional.[218] 
O Espírito é então o espaço no qual Pai e Filho ultrapassam a si mesmos e vincula para formar a unidade em amor, a Koinonia. No Espírito o Pai e o Filho, cada um a sua maneira, saem de si indo em direção ao outro. O Pai, do qual procede o Espírito, é assim, desde a eternidade no Espírito, assim como o Filho é no Espírito, desde a eternidade, o Filho do Pai.[219]
O Espírito presentifica na História o amor de Deus cujo cume é o Cristo. No Antigo Testamento, desde o Ruah, como força vital dinâmica que mantém a vida, passando pela monarquia, na qual o rei é ungido para servir o povo e anunciar a vontade de Deus, prenúncio do Messias, o Rei Salvífico (cf. Is 11, 2). Bem como os profetas que anunciam a nova comunhão com Deus (cf. Ez 36) e o surgimento do povo profético (cf. Nm 11, 29) que conhecerá perfeitamente a vontade de Deus (cf. Jl 3, 1-5).
            O Espírito do crucificado-ressuscitado toma o ser humano na sua fragilidade que muitas vezes o leva a justificar-se pelas obras da Lei (Cf. Gl 2, 11 – 4, 11), a escravizar-se a si mesmo e a se entregar ao egoísmo (cf. Gl 5), conduz esse ser humano a abrir-se a ação de Deus numa existência espiritual (cf. Gl 2, 20), a não se vangloriar a si mesmo, mas receber na fé a justiça de Deus (cf. Gl 3, 16-21), a deixar-se libertar para a liberdade (cf. Gl 5, 1) para viver uma vida santificadora e curativa na Entrega aos irmãos (cf. Gl 5, 13- 26).  
            Resumidamente, o Espírito leva o crente a viver a Lei de Cristo cumprida a partir da liberdade do serviço mútuo (cf. Gl 5, 13), no amor que se concretiza na liberdade do Espírito e resume toda a Lei (cf. 1 Cor 13).[220]
            Através do Espírito de Cristo é que se tem acesso à comunhão da Trindade. Esse acesso é nos dado pela graça.
            O vocábulo hebraico hesed, proveniente de hanam, quer dizer afeição, benevolência, por fim graça. É Deus que como um pai se volta para o seu povo e, disposto à relação, Deus oferece aliança ao ser humano.[221]
            “Se, no tocante à própria conduta, as pessoas, o próprio Israel, povo de Javé, tinham que contar com a possibilidade de que Deus abandonasse definitivamente sua criatura infiel”, [222] em Jesus cumpre-se a promessa da Eterna Aliança (cf. Jr 31, 31), Deus não retiraria seu gracioso sim às pessoas. O ano da graça veio para permanecer (cf. Lc 4, 19). Na graça, o Espírito Santo atinge o ser humano no centro de sua decisão (cf. Ez 37, 28). Nele o ser humano experimenta a graciosa dedicação de Deus.
O Espírito de Cristo liberta o ser humano para a liberdade (cf. 2 Cor 3, 17). Na verdadeira liberdade, a nova Lei é inscrita no coração humano e deve levar a formação da comunhão dos chamados (cf. 2 Cor 3, 2). O Espírito reúne na comunhão da graça a comunidade-igreja dos resgatados da escravidão do pecado e são acolhidos como filhos adotivos de Deus.[223]
            A Igreja é no Espírito o sinal da atuação da graça. Nessa comunhão do Espírito, realizada pela Palavra e pelos sacramentos, a Igreja é enviada ao mundo a fim de reunir todos os seres humanos na comunhão com Deus.
            A Igreja realiza essa comunhão através da Martyria, do testemunho que é fruto da Palavra, da Leiturgia, na qual se celebra a comunhão através dos sacramentos, principalmente da Eucaristia, e através da Diaconia realiza a comunhão fraterna no serviço ao próximo.[224]
            O Mistério da união de Cristo com a Igreja (cf. Ef 5, 25) manifesta-se nos sacramentos, como atos de encontro historicamente constatáveis, sinais da proximidade de Deus do ser humano. Através de palavras e gestos o ser humano pode experimentar o amor de Deus e viver a comunhão da Trindade, levando-o a celebrar na vida o verdadeiro culto espiritual na Entrega ao outro.[225]
            No batismo os seres humanos são inseridos como filhos adotivos de Deus, configurados como testemunhas do amor de Deus pela Confirmação, o cristão é alimentado pela Entrega sacramental do Corpo e do Sangue de Cristo na Eucaristia. Nesse sacramento o crente recebe na partilha da mesa a vida do Salvador e é construída a comunhão eclesial. Na ameaça fundamental à vida e ao relacionamento, a proximidade de Deus vem fortalecer a fragilidade humana na Unção dos Enfermos e na Penitência. Enfim, no Matrimônio e na Ordem o cristão é constituído agente de comunhão de acordo com a especificidade de cada sacramento.
            Enfim, o Espírito do ressuscitado atua no coração humano para vivificá-lo. Essa vida o liberta de qualquer inclinação à dominação e leva o ser humano a dar espaço à outra vida, respeitá-la e promover a liberdade. Na liberdade do Espírito o ser humano vive em relação com Deus, consigo mesmo e com o próximo na Entrega santificadora e curativa a toda criatura escravizada até a consumação da Nova Criação.[226]       
A missão da catequese é fazer com que o catequizando possa descobrir essa vocação fundamental: é chamado a viver a comunhão da Trindade, a voltar à fonte da vida de Deus que se entrega em seu Filho Jesus Cristo no Espírito. Essa comunhão, na qual o ser humano é convidado a entrega-se a Deus é o centro estruturador da fé cristã. “O fim último de toda a Economia divina é a entrada das criaturas na unidade perfeita da Santíssima Trindade”.[227]
A Entrega é portanto essencial à vida íntima da Trindade, está impregnada na criação e é a lei da Nova Criação inaugurada por Jesus Cristo no Espírito. O ser humano é chamado a participar pela graça recebida nos sacramentos da comunhão da Trindade formando a comunhão dos chamados, a Igreja.
O acesso a essa comunhão nos é propiciada por Jesus Cristo no Espírito, neles podemos viver a Entrega perfeita ao Pai. Afirmamos que especificamente a participação nessa entrega se dá através do sacerdócio de Cristo, isto é, através da participação na Entrega eterna do Ressuscitado ao Pai no Espírito, como veremos no próximo item.
        
3. A participação na dimensão de Entrega da Trindade: o sacerdócio de Cristo
            O sacerdote aparece em várias épocas e lugares na história humana. Chamado a oferecer sacrifícios e ajudar o homem a aproximar-se de Deus, o sacerdote é chamado a ser o mediador entre as dimensões sagrada e profana do ser humano. Nessa mediação o fazer sagrado ou o dar o sagrado ao seres humano é reservado ao sacerdote.[228]
            Na aproximação de Deus no sacrifício o sacerdote precisa separar-se do mundo profano para entrar no sagrado. Como ele não consegue fazer em si essa separação, o sacerdote escolhe um animal, uma vítima para que esta totalmente separada do mundo pela morte, isto é, sacrificada, possa, num processo de substituição propiciar a comunhão com o sagrado. “Por trás desse movimento ascendente de separações, esperava-se outro movimento descendente de bênçãos”.[229] Nesse movimento, o papel do sacerdote era exatamente ir ao encontro da aspiração profunda do ser humano que é viver em comunhão com Deus e com o outro.
            Israel é influenciado pela mentalidade sacerdotal. No livro do Êxodo aparece a tribo de Levi, como uma tribo sacerdotal, em Deuteronômio há a denominação de sacerdócio levita (cf. Dt 18, 1). A monarquia faz com que o sacrifício concentre-se em Jerusalém, e por conseqüência o sacerdócio, nesse período a ligação entre monarquia e sacerdócio é muito profunda. Por outro lado, os profetas distanciam-se do sacerdócio e criticavam o formalismo e o ritualismo que exigia a submissão a Deus. Como o profeta Oséias que proclamava que as imolações ritualísticas Deus prefere atos de misericórdia, isto é abertura para com as pessoas (cf. Os 6, 6).
            Além de oferecer sacrifícios a função sacerdotal também era de revelar a vontade de Deus através de oráculos (cf. Dt. 33, 7-11) e a instrução na lei (cf. Dt 33, 10). O sacerdote era chamado a guiar o povo até Deus não somente através da comunhão sacrifical, mas também através do conhecimento da vontade de Deus.
            Nos Evangelhos, a designação de sacerdócio somente aplica-se aos sacerdotes judeus, nunca a Jesus. A ênfase dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos, quando se refere a sacerdotes é a sua autoridade e não mostra o sacerdote em culto. Não se consegue separar o aspecto de autoridade religiosa, poder político, da função religiosa. Por isso a função sacerdotal está muito ligada a dominação e ao poder. Nesse caso era muito difícil identificar Jesus como sacerdote.
            Como escrito do Novo Testamento a chamada Carta aos Hebreus é que fornece toda uma base para reflexão de Jesus como sacerdote. A partir de sua análise e de outros escritos do Novo Testamento queremos comprovar que a essência do sacerdócio de Cristo é a Entrega num sacrifício perfeito na comunhão perfeita com Deus. Cristo é apresentado como aquele que atinge aquilo que é primordial no sacerdócio, oferecer sacrifícios para propiciar a comunhão com Deus e com o outro e realizar a vontade de Deus na própria vida. Participar do sacerdócio de Cristo é participar plenamente de sua Entrega ao Pai no Espírito.
            O autor de Hebreus aplica a Cristo as categorias sacerdotais. Jesus é constituído como semelhante aos seres humanos, mas ao mesmo tempo habilitado perante Deus como sacerdote, portanto um verdadeiro sacerdote, misericordioso e fiel, que vem para expiar os pecados do povo (cf. Hb 2, 17). Com a eliminação do obstáculo do pecado restabelece-se a comunicação de Deus com o seu povo (cf. Hb 5, 1-3) realizando assim a função primeira do sacerdócio.
            Como se efetua esse processo de comunicação?
            O autor da carta aos Hebreus ao contemplar a paixão de Jesus compõe uma nova imagem de sacerdócio. A Paixão é vista como caminho do sacerdócio, porque leva à perfeição na sua humanidade a dupla relação da mediação sacerdotal, isto é, “graças a sua oração suplicante e a sua adesão dolorosa, à ação transformadora de Deus, que pode, conseqüentemente, criar nele um homem novo”. [230] Uma consagração sacerdotal (cf. Hb 5, 5), na qual Cristo não oferece sacrifícios exteriores, mas realiza o seu sacerdócio a partir da própria fraqueza na obediência ao Pai (cf. Fl 2, 8), oferecendo assim um sacrifício pessoal e existencial.[231]
            Nesse fazer sagrado, Cristo foi ao mesmo tempo ativo e passivo, foi oferecido e foi aquele que oferecia, foi sacerdote e vítima. Portanto, a sua morte sacrifical estabelece aliança entre Deus e o homem e ao mesmo tempo solidariedade dos homens entre si através da oferta de si mesmo a Deus pela salvação dos homens. 
            A Paixão e a Morte de Cristo é o cume de seu sacerdócio, mas não se reduz a estas o seu sacerdócio.[232] A sua Entrega existencial, oferta e sacrifício, perpassa por toda a sua vida através do amor que o leva a entrega-se a si mesmo ao próximo. O cume dessa Entrega por amor e em solidariedade total aos seres humanos é a cruz.
            A morte do Cordeiro de Deus produz a sua glorificação de sumo sacerdote porque é um ato de obediência filial para com Deus efetuada na solidariedade fraternal com os homens. Como Messias Glorioso, Cristo torna-se o perfeito sacerdote, isto é, o perfeito mediador entre Deus e os seres humanos.  
            Jesus é perfeito sacerdote porque é solidário com os seres humanos. Experimentando a existência humana, menos o pecado (cf. Hb 4, 15) Cristo possui a experiência das dificuldades humana, conhece o ser humano a partir do seu interior e possui uma profunda compaixão por ter padecido na condição humana. Cristo através da oferta de si mesmo liberta o ser humano do pecado e torna a fraqueza humana lugar privilegiado do nosso encontro com Deus.[233]          
            Jesus é perfeito sacerdote porque é perfeitamente obediente ao Pai. Pela sua obediência ao Pai, Cristo é admitido na presença de Deus (cf. Ap 5, 7). Em seu sacrifício e sacerdócio, Cristo torna-se o verdadeiro mediador entre Deus e os seres humanos. Como mediador é admitido na presença de Deus e pode exercer continuamente sua intercessão sacerdotal (cf. Hb 7, 23-25). Somente Cristo possui o sacerdócio em plenitude e concede aos seres humanos a participação nesse mesmo sacerdócio.[234]
O ser humano necessitava de um sacerdote fiel e misericordioso. Não adiantaria que o sacerdote estivesse na presença de Deus e não fosse solidário com os seres humanos, não abriria o canal de comunicação com Deus. Por outro lado, não serviria um sacerdote solidário mas que não fosse agradável a Deus, o seu sacrifício não teria valor. O sumo sacerdote Jesus Cristo é solidário com os seres humanos e acreditado junto a Deus.
O sacerdócio de Cristo é perfeito porque restabelece definitivamente a via de encontro entre Deus e os seres humanos quebrada pelo pecado e a morte. O sacerdócio glorificado adquire para os seres humanos uma nova capacidade de relacionamento entre Deus e os seres humanos e a comunhão dos homens entre si. A Entrega glorificada torna-se a via privilegiada de comunhão. Pois “o objetivo ou meta de qualquer instituição religiosa e cultual é o encontro salvador com Deus, o que só pode ocorrer no nível profundo, que é onde se enraíza a liberdade e o amor”.[235] 
Nesse processo de morte e glorificação, constituído verdadeiro sacerdote como solidário aos homens e mediador perfeito perante Deus, é realizada a eterna aliança (cf. Jr. 31, 31). Em sua auto-oferta na morte, Cristo é transformado radicalmente, e essa transformação atinge a interioridade de todos os fiéis. Nesse ato de solidariedade e obediência, o ressuscitado introduziu a humanidade na comunhão definitiva com Deus. Na pessoa do sacerdote Jesus Cristo acontece então o alcance pleno da aliança, a comunhão definitiva com Deus. O sacerdócio de Cristo está aberto à participação, é o processo da graça, no qual tomamos parte da Entrega de Cristo ao Pai.
 A morte redentora de Cristo lava os pecados dos seres humanos e os tornam sacerdotes para Deus. O sacerdócio de Cristo torna-se princípio da vida cristã. O ponto de partida de uma vocação sacerdotal cristã é a participação pessoal no destino do Cordeiro sacrificado para a realização plena da pessoa.[236]
             Mais especificamente, participar do sacerdócio de Cristo é participar de sua Entrega ao Pai. A Aliança eterna em Cristo abre a todos os fiéis a comunhão com Deus. Cristo transformado em oferta permanente, por ser sacerdotal estende tal oferta a todos os seres humanos (cf. Hb 10, 1-18). A transformação obtida por Cristo por sua Entrega ao Pai está aberta à participação de todos os seres humanos, basta aderir a Cristo na obediência da fé (cf. Hb 5, 9). Os fiéis pois são consagrados no sacramento do Batismo como sacerdotes batismais e são consagrados, isto é, associados ao estatuto ou condição sacerdotal de Jesus Cristo, à sua Entrega obediente ao Pai.[237]     
            A dimensão real de Cristo advém da dimensão sacerdotal. O poder lhe é dado tendo em vista a sua doação para a salvação daqueles que o Pai lhe deu como irmãos. O fiel, a semelhança de Cristo sacerdote, profeta e rei, exerce o sacerdócio recebido no batismo a medida em que aderindo perfeitamente a vontade de Deus (dimensão profética) é levado à solidariedade fraternal com os semelhantes. O fiel vive assim as duas dimensões do amor evangélico, o amor a Deus e o amor aos homens, movido pelo Espírito Santo, a força da caridade. O fiel é chamado como Cristo a deixar-se transformar pelo amor de Deus. “Ao arder de caridade, Cristo foi transformado em um sacrifício agradável a Deus”.[238] 
A liturgia é o momento do exercício do sacerdócio de Cristo.[239] A liturgia não é mais culto externo, não é mais ritualismo vazio, mas celebração do mistério pascal, atualização do amor transformante de Deus no interior de cada fiel. Na auto-entrega de Jesus a relação do ser humano com Deus e com o próximo unem-se no novo culto. A vida cristã passa a ser um culto oferecido a Deus, o fiel unido à auto-oferta de Jesus na liturgia está habilitado a oferecer a própria vida a Deus no amor ao próximo, torna a sua própria vida um sacrifício de louvor (cf. Rm 12, 1). Acontece a união realeza e sacerdócio, surge o sacerdócio real, a vida do fiel unida ao sacrifício redentor produz obras de amor em favor dos irmãos e culto agradável a Deus. A Eucaristia é o centro de toda a doação sacerdotal de Cristo na liturgia, no qual cada fiel une-se ao sacrifício de Cristo e a fazer sacrifícios existenciais a Deus e aos irmãos, vivendo a perfeita liturgia. Este é o verdadeiro culto sacrifical, no qual a existência humana é transformada por meio do amor que vem de Deus, que leva o fiel ao testemunho, isto é, mudar a vida ao redor de si propagando a luz da fé e o dinamismo do amor. Portanto exercendo o sacerdócio.[240] 
A vocação do ser humano é o amor como Entrega. Cristo em sua vida mortal ofereceu-se a Deus e ao próximo em obras de amor num verdadeiro sacerdócio, cujo cume é a Cruz e a Ressurreição. Esse sacerdócio não é cumprido num ritual mas em transformar a existência real, abrindo-a a ação do Espírito Santo e aos impulsos do amor divino. Na auto-entrega de Cristo, em seu sacrifício, os seres humanos realizam a sua vocação de comunhão plena com Deus e com o próximo. Torna-se o fiel plenamente sacerdote, isto é, consagrado a Deus, abrindo a sua existência à ação transformadora do amor de Deus, a graça. Uma vez transformado pelo dinamismo do amor de Deus, o povo de Deus propaga pelo mundo o amor de Deus, transformando por obras de amor os seres humanos e a sua relação com Deus. Tudo isso, graças a mediação de Cristo, que comunica o Espírito Santo, para fazer do ser humano uma perfeita oferenda a Deus na obediência filial e Entrega fraternal aos seres humanos.[241]
     Como vimos[242] a Entrega é essencial à Trindade, e a sua revelação na História. A participação nesse amor-entrega é através da participação no sacerdócio de Cristo que abre a via de comunhão com Deus e com todos os seres humanos. Essa participação torna o ser humano um sacrifício vivo, um sacerdote real que oferece a Deus sacrifícios agradáveis através de obras de amor. O verdadeiro culto: “o que Deus quer é a oferta do próprio homem”.[243]
O desejo da Catequese Renovada é que o catequizando possa unir fé e vida. Por isso, a partir do princípio meta-metodológico do amor como Entrega, queremos nesse trabalho fornecer à catequese o instrumental para auxiliar esse mesmo catequizando a unir fé e vida, isto é, através da participação no sacerdócio de Cristo, na sua Entrega, vivê-la na Entrega aos irmãos. 
Todo o ser humano é chamado a participar no sacerdócio de Cristo, na sua Entrega ao Pai pelo Espírito. No próximo capítulo veremos como a Entrega que faz parte integrante do ser humano, essencial ao Mistério Revelado, torna-se princípio da inculturação da mensagem evangélica. O princípio meta-metodológico do amor-entrega é também princípio de inculturação ao contemplarmos as sementes do Verbo de Deus no amor que cada povo professa e vive.

Capítulo V - A Mistagogia Motivacional como metodologia catequética inculturada


            Neste capítulo queremos apresentar a Mistagogia Motivacional como um instrumento metodológico válido na catequese inculturada. Para tal intento, num primeiro momento analisamos o conceito de cultura, o processo de inculturação sob as óticas sociológica e teológica, e por fim a visão do Magistério da Igreja. Num segundo momento, aplicamos os pressupostos da Mistagogia Motivacional ao processo de uma catequese inculturada. Por fim, traçamos os passos metodológicos da catequese inculturada associados aos da Mistagogia Motivacional.

1. Inculturação
A inculturação é algo primordial no processo de Evangelização da América Latina, bem como no mundo inteiro. Se o é na Evangelização, não deixa de sê-lo na Catequese.
Porém, duas dificuldades surgem quando o assunto é inculturação do Evangelho. De um lado não se tem a noção correta de cultura e de como iniciar ou manter um diálogo com os membros de determinada cultura, por outro lado, como a inculturação visa levar as pessoas ao encontro com o Evangelho, com o próprio Deus revelado em Jesus Cristo, nesse ponto não se tem a correta dimensão do Mistério a ser proposto. 
O Papa Paulo VI, dez anos após o encerramento do Concílio Vaticano II afirmava que o drama da nossa época é a ruptura entre o Evangelho e a Cultura.[244] Por isso, ao propormos a Mistagogia Motivacional como metodologia catequética inculturada, queremos propor uma metodologia que parta do habitus do ser humano que faz cultura e ajude-o a mergulhar no Mistério Revelado.

1.1 Conceito de Cultura
            A palavra cultura é uma palavra antiga, vinda do latim significava cuidado dispensado ao campo e no final do século XIII designava uma parcela de terra cultivada. No século XVI, se forma o sentido figurado de “cultura” para designar a cultura de uma faculdade. Com o Iluminismo cultura passa a designar “formação”, cultura como estado do espírito cultivado pela instrução. Os iluministas concebiam a cultura como saberes acumulados e transmitidos pela humanidade e como um caráter distintivo da espécie humana.[245]
            A primeira definição etnológica de cultura é devida ao antropólogo britânico Edward Burnett Tylor (1832-1917), que concebia cultura como a expressão da totalidade da vida social do homem.[246] Nos Estados Unidos o conceito é aprofundado pela antropologia americana e é adotado pela psicologia e sociologia.[247]
            Diante desse processo de formação do conceito de cultura, pode-se cair em alguns extremos na conceituação de cultura. Alguns, a partir de uma visão reducionista de cultura, a concebem como saber acadêmico, cultura identificada com conhecimento, outros, concebem cultura como ideologia encobridora da realidade reflexo do mundo material ou econômico. Por outro lado, pode ocorrer uma conceituação maximalista de cultura, ao afirmar-se que tudo é cultura e nada existe fora dela, se confunde cultura com civilização, esta sendo o conjunto de valores e práticas que visam o bem comum da espécie humana e que se concretizam nas diferentes culturas.[248] Surge também o culturalismo que tem uma visão essencialista de cultura, ao concebê-la como uma realidade em si, como um nível autônomo do real que obedece a suas leis próprias.[249]
Pela palavra cultura
indicam-se todas as coisas com as quais o homem aperfeiçoa e desenvolve as variadas qualidades da alma e do corpo; procura submeter a seu poder pelo conhecimento e pelo trabalho o próprio orbe terrestre; torna a vida social mais humana, tanto na família quanto na comunidade civil, pelo progresso dos costumes e das instituições; enfim, exprime, comunica e conserva, em suas obras, no decurso dos tempos as grandes experiências espirituais e as aspirações, para que sirvam ao proveito de muitos e ainda de todo o gênero humano.[250]
            Nenhuma cultura é definitiva, todas estão num processo histórico de contínua transformação. Não existe cultura em “estado puro”, todas as culturas são resultado da justaposição de outras culturas. Tal processo de aculturação é um fenômeno universal. Toda cultura é um processo permanente de construção, desconstrução e reconstrução. Por isso, mais do que uma visão estática de cultura é necessário acentuar uma dimensão dinâmica de cultura, uma “culturação”.[251] À semelhança do processo de socialização é a inserção do ser humano numa cultura, a formação cultural de um ser humano. Nessa visão dinâmica de cultura queremos situar o processo de inculturação do Evangelho.



1.2 O processo de inculturação
            O termo “aculturação” foi criado em 1880 por J. W. Powell, que a compreendia como a transformação dos modos de vida e de pensamento dos imigrantes ao contato com a sociedade americana. O prefixo “a” advém do latim “ad” que indica um movimento de aproximação. A aculturação “é o conjunto de fenômenos que resultam de um contato contínuo e direto entre grupos de indivíduos de culturas diferentes e que provocam mudanças nos modelos culturais de um ou dos dois grupos”.[252] O conceito de aculturação como o contato entre indivíduos culturas diferentes foi utilizado pela Igreja para designar o que o neologismo “inculturação” posteriormente significaria.[253]
             O termo inculturação possui um prefixo “in” que significa um movimento de fora, na perspectiva do mistério da Encarnação, no sentido de que o Evangelho se encarna nas culturas para elevá-las e plenificá-las. Inculturação é um processo dinâmico, uma ação de transfigurar as culturas pelo Mistério de Cristo. Oferecer Jesus Cristo, o Evangelho, como dom aos povos e culturas, numa relação pluricultural, de comunicação gratuita no amor, deixando livremente ao outro o direito de aceitar ou não tal dom.[254]
            O Verbo de Deus antes da Encarnação já estava no mundo iluminando todo ser humano. Deus revelando-se ao Seu povo até à manifestação plena de Si no Filho encarnado, falou de acordo com a cultura própria de diversas épocas. A Igreja, seguindo os passos do Verbo encarnado, adotou os recursos das diversas culturas na pregação e no ensino da mensagem de Cristo para educar o ser humano para a liberdade interior. [255]
Por isso, numa catequese inculturada o catequista tentará descobrir nas pessoas as “sementes do Verbo”, os valores autênticos presentes na cultura, que sob uma perspectiva mistagógica é o amor-entrega o catalisador de todos os valores. Se tudo o que há de bom é preparação evangélica, quanto mais o amor-entrega          deve ser visto como o coroamento dessa preparação e ser assim aperfeiçoado para a glória de Deus.[256]
Conforme Agenor Brighenti, a metodologia do processo de inculturação caracteriza-se em primeiro lugar por uma evangelização implícita através da presença testemunhal, seguida de uma relação dialógica e de reconhecimento das “sementes do Verbo”. Em segundo lugar, por uma evangelização explícita caracterizada pelo anúncio amoroso da positividade cristã, mútua evangelização e assimilação sintética, por fim o surgimento de uma Igreja com um rosto próprio.[257]
O processo da inculturação se desenvolve a partir das entranhas de uma cultura, a partir dos matizes da própria cultura, nesse processo o evangelizador exerce o papel de mediador. O evangelizador ou o catequista não se dirige a sistemas, mas a pessoas concretas formadas pela cultura, a transformação dos sistemas será a partir dos sujeitos das culturas. O evangelizador, na perspectiva do que dissemos sobre Mistagogia Motivacional, conhecendo a própria formação cultural e como viveu o amor-entrega na sua cultura, identificará tal “semente do Verbo” na outra cultura, nos sujeitos concretos que vivem esse amor-entrega na sua respectiva cultura. Nesse processo também procurará transformar as relações de dominação e exploração que geram morte. Nessa interação entre as alteridades, nas diversidades das culturas, o evangelizador buscará identificar a afinidades dos valores evangélicos.[258] 
              
1.3 Inculturação no Magistério da Igreja
            A Igreja na sua história de exercício da pedagogia divina procurou inculturar o Evangelho no processo da evangelização dos povos. O Papa João Paulo II ao falar da evangelização dos povos eslavos toma o exemplo de São Cirilo e São Metódio, que no século IX adaptaram a Bíblia e a Liturgia aos povos evangelizados, valorizando os pontos de ligação com a mentalidade do povo e formam assim um novo povo reconciliado no amor. Por isso, o papa os coloca como “exemplo do que hoje se dá o nome de inculturação”.[259]
            A recente reforma conciliar procurou valorizar o que na época se chamava de adaptação[260] do Evangelho aos povos. Além do que foi dito acima sobre a valorização da cultura humana pelo Concílio, no Decreto sobre a atividade missionária da Igreja, o Concílio liga o paradigma da inculturação, a Encarnação, ao processo de anúncio do Reino de Deus, pois “Cristo, por Sua encarnação se ligou às condições sociais e culturais dos homens com quem conviveu, assim deve a Igreja inserir-se em todas essas sociedades, para que a todas possa oferecer o mistério da salvação e a vida trazida por Deus”.[261] Esse processo de adaptação deve ser vivido pela Igreja procurando assumir “em admirável intercâmbio todas as riquezas das nações, herança de Cristo”, e toma “tudo o que pode contribuir para glorificar o Criador” e “ordenar convenientemente a vida cristã”.[262]
            O papa Paulo VI afirma que o Evangelho não se confunde com nenhuma cultura, mas a “edificação do reino não pode deixar de servir-se de elementos da cultura e das culturas humanas”. Evangelizar, e também poderíamos afirmar catequizar, “a partir sempre da pessoa e fazendo continuamente apelo para as relações das pessoas entre si e com Deus”.[263] 
            O papa João Paulo II conceitua inculturação como “a encarnação do Evangelho nas culturas autóctones e, ao mesmo tempo, a introdução dessas culturas na vida da Igreja”.[264] Nesse processo de inculturação do Evangelho, o missionário deve servir o ser humano revelando-lhe o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo.[265] Pela inculturação a Igreja encarna o Evangelho nas diversas culturas e assume o que de bom nelas existe, e renovando-as a partir de dentro. No processo de inculturação, os missionários aprendam a língua do evangelizado, mas também as expressões mais significativas da cultura, descobrindo os valores por experiência direta, possibilitando assim aos povos conhecer o Mistério escondido.[266] Especificamente sobre a catequese, também esta leve a força do Evangelho ao coração da cultura e das culturas, tornando a força do Evangelho transformadora e regeneradora da cultura, sem entretanto alterar o Mistério Revelado. A catequese deve enriquecer as culturas, ajudando-as a superar os aspectos deficientes e comunicar aos valores autênticas das culturas a plenitude de Cristo.[267]
            No contexto da América Latina, os primeiros catequizadores buscaram tornar compreensível a doutrina cristã aos povos originários da América Latina. O esforço de José De Acosta, missionário Jesuíta, que em 1576 constitui um tratado De procuranda Indorum Salute para evangelização dos indígenas, base para o Catecismo Limense constituído como um compêndio de catequética inculturada. Após o Concílio Vaticano II a Conferência de Medellín (1968) propõe uma catequese fiel à realidade vital encarnada nos fatos da vida do homem de hoje. A Conferência de Puebla (1979) sinaliza que no processo de evangelização deve-se buscar a fidelidade aos sinais da presença e da ação do Espírito nos povos e nas culturas, que sejam expressão das aspirações legítimas dos homens. A Conferência de Santo Domingo (1992) propõe a inculturação não só da mensagem, mas também da vida da Igreja. Por fim, a II Semana de Catequese de Caracas, suas conclusões tem por título  “Rumo a uma catequese inculturada” , que tem por objeto da catequese inculturar Cristo em todos os ambientes da vida cotidiana.[268]
            A inculturação não é assunto somente para especialistas, ela acontece na vida da Igreja na América Latina e no mundo, por isso, apresentamos a seguir como a Catequese vive esse processo de inculturação e como a Mistagogia Motivacional pode auxiliar nesse processo.

2. Mistagogia Motivacional como instrumento de inculturação catequética
            Neste item queremos demonstrar como a Mistagogia Motivacional pode auxiliar no processo de inculturação da catequese.

2.1 Evangelização, catequese e cultura
            A encarnação do Evangelho nas culturas é inerente à missão da Igreja e a catequese é chamada também a encarnar a fé cristã nas culturas. Para isso, é necessário ter uma visão correta de cultura, do processo de socialização que incute a disposição pessoal nos membros de uma sociedade e de como o amor é o ponto catalisador desse processo.
            A Encarnação do Verbo é o paradigma da inculturação do Evangelho, e por conseqüência da catequese inculturada. Jesus assume a cultura, a língua e os costumes de um povo, e através de uma linguagem que atinge os pequeninos vai ao essencial da vida para anunciar a presença do Reino de Deus. Anuncia não somente por palavras, mas também pelo testemunho. Jesus é o modelo de pedagogia para a catequese inculturada.[269]
            O problema da relação entre o Evangelho e a Cultura apresentou-se ainda na Igreja Primitiva, quando da criação das primeiras comunidades locais. O encontro com o mundo helênico, como mostra o discurso de São Paulo no areópago de Atenas, (cf. At 17, 16-34) é o princípio de várias experiências de encontro da Igreja com as diversas culturas.  A experiência de uma Igreja pluricultural foi configurando durante os primeiros séculos as diversas Igrejas orientais e ocidentais, mesmo com a tentação de confundir a ação missionária com a multiplicação da própria imagem da Igreja em outras culturas. No decorrer da História, após o Edito de Milão de Constantino até o fim da Cristandade a Igreja difundirá um modelo de cristianismo monocultural. A questão da inculturação é antiga na Igreja, mas somente após o Concílio Vaticano II é que o vocábulo entrará na pastoral.[270]
            Na América Latina, na época dos descobrimentos, algumas missões seguem desconhecendo as diferenças culturais e confundindo evangelização com ocidentalização.[271] Por sua vez, missionários esforçaram-se por inculturar o Evangelho através do estudo das línguas indígenas e do apreço pelas suas culturas. Quanto ao método, muitos missionários empregaram o método da persuasão reconhecendo as “sementes do Verbo” presentes nas culturas e respeitando a liberdade dos indígenas para abrirem-se à mensagem do Evangelho. Enquanto, outros missionários utilizaram o método que aderia à dominação do sistema colonial, o método da tábula rasa, destruindo as culturas indígenas. Ao invés de propor, se impunha o Evangelho.[272]
            Hoje se pede catequistas que inculturem o Evangelho reconhecendo as “sementes do Verbo”, respeitando a liberdade dos catequizandos e os levem à adesão pessoal e definitiva à pessoa de Cristo. De tal modo que a Boa Nova do Reino de Deus seja comunicada por um testemunho alegre que tenha por conseqüência a transformação da realidade.[273]
            Um catequista que queira inculturar o Evangelho precisa conhecer o Mistério Revelado e também conhecer a cultura na qual ele está inserido.
            A realidade cultural hoje está marcada pela mundialização da cultura e pela globalização econômica. A sociedade é marcada pela racionalidade e cientificidade, os seres humanos são formados num ambiente de reflexão técnica e aberto às investigações científicas. Também há uma interação cultural muito grande proporcionada pela grande variedade de meios de comunicação social. Vivemos numa sociedade que possui valores da cultura democrática que procura incutir ideais de liberdade individual. Esse ambiente social cria um clima de relativismo cultural quanto a costumes e valores universais.
            Diante de tal situação há reações profundas marcadas pelo fundamentalismo religioso e pelo etnocentrismo. Grupos sociais com medo de perder a própria cultura reagem tentando conservá-la. Enquanto o etnocentrismo cria mecanismos de defesa diante do exterior.
            Não há diferença essencial entre os homens e as culturas, há sempre algo de nós no outro, porque a humanidade é uma só e existe uma Cultura em meio a tantas culturas, o universal está no interior do particular. Por isso, o relativismo cultural e o etnocentrismo são complementares. O catequista é convidado a entender que existe uma Cultura, isto é, uma identidade comum e ao mesmo tempo existe culturas que permitem a vivência das diferenças.[274]
Por outro lado, cada cultura possui símbolos, ritmos, músicas, festas, comidas, vestes, habitação e religiosidades próprias. Encontramos na catequese pessoas de idades diferentes. Tomamos contato com a linguagem dos estudantes, dos intelectuais, dos analfabetos e pessoas de cultura elementar.[275] Há famílias formadas pelo sacramento do matrimônio, mas também por mães solteiras, agrupamentos de vários níveis de parentesco ou o grande número de pessoas solitárias em nossas grandes cidades. Hoje a arte não pertence somente a uma elite: artes plásticas, música, cinema, literatura, está ao alcance de um número muito grande de pessoas. Diante de tamanha variedade cultural como anunciar o Evangelho de tal modo que atinja a motivação de pessoas tão diferentes?
Por exemplo, como traz o Diretório Nacional de Catequese, o catequista necessita “conhecer melhor cada cultura e entender os costumes brasileiros, a fim de apresentar o Evangelho de modo mais familiar e eficiente”.[276] Entender que existe uma etnia brasileira, que passa pela anulação das identificações étnicas de índios, africanos e europeus, e indiferente às várias formas de mestiçagem. Um povo que se reconhece como igual em alguma coisa tão substancial que anula suas diferenças. Dentro dessa sociedade cada pessoa permanece inconfundível, mas passa a incluir sua pertença a certa identidade coletiva.[277]
            O catequista no processo de inculturação do Evangelho precisa respeitar a inteligência do catequizando, compreendendo sua formação e seus relacionamentos. Entender que identidade e alteridade são ligadas e existem sempre numa relação dialética. A identidade conhece variações, como a cultura em si, a identidade se constrói, se desconstrói e se reconstrói segundo as situações.[278]
Portanto, nesse processo o catequista precisa entender o processo de formação cultural dos catequizandos, entender a dialética entre o cultural, os costumes e valores particulares adquiridos no processo de formação das disposições pessoais na sua família e nos grupos sociais a que pertence, e o Cultural, isto é, a identidade do povo ao qual ele pertence, o substrato cultural.
Porém, tudo isto é um processo extremamente complexo. Por isso, buscamos neste trabalho um fator que possa unir o cultural e o Cultural, unir a identidade cultural do catequizando e a etnia na qual ele está inserido e como fazer com que o Evangelho possa penetrar nessa identidade. Afirmamos, que o princípio meta-metodológico do amor-entrega permeia o cultural, o Cultural e o Evangelho, e através desse princípio o catequista pode ajudar o catequizando a partir de sua identidade cultural e de suas motivações mais profundas mergulhar no Mistério. Nesse contato com o Evangelho também identificar os traços de dominação presente na formação cultural. Pois, toda cultura deve estar subordinada “à perfeição humana, ao bem da comunidade e da humanidade inteira”.[279]
Obviamente, por primeiro é o catequista que deve entender esse processo em si mesmo, entender que o próprio processo de socialização foi marcado pelo amor-entrega e identificar esse amor com o Mistério Revelado, para poder então auxiliar outros nesse mesmo processo de encontro com o Evangelho.
           


2.2 Mistagogia Motivacional como princípio de uma catequese inculturada
Neste subitem queremos refletir sobre como a dimensão de Entrega do Mistério é essencial à missão da Igreja e por conseqüência à inculturação do Evangelho. E ao se identificar este amor-entrega na cultura pode-se promover a inculturação da catequese. 
O papa João Paulo II nos dá os traços fundamentais da fonte da missão da Igreja e por conseqüência o princípio de uma evangelização inculturada:
Deus, rico em misericórdia, é Aquele que Jesus Cristo nos revelou como Pai. Cristo é a encarnação da misericórdia do Pai e a salvação trazida por Cristo é acolher o mistério do Pai e de Seu amor por meio do Espírito. Um Pai cheio de amor que perdoa e dá gratuitamente os benefícios que Lhe pedem. O Deus que se revela em Jesus trata como amigos as vítimas da rejeição e do desprezo, procurando que se sentissem amados por Deus e revelando assim a imensa ternura pelos necessitados e pecadores. O Reino de Deus, preparado pelo Antigo Testamento, realizado por Cristo é anunciado pela Igreja. Esse Reino pretende transformar as relações entre os homens e realiza-se à medida que os seres humanos aprendem a amar, realizando a comunhão deles entre si e com Deus. O anúncio do Reino é feito em primeiro lugar pelo testemunho evangélico vivido pela Igreja e consiste na atenção às pessoas e na caridade em favor dos mais pobres. Esse anúncio tem de inserir-se no contexto vital do homem e dos povos, feito numa atitude de amor através de uma linguagem concreta e adaptada às circunstâncias.[280]
Para refletirmos sobre o amor-entrega como essência da inculturação, queremos tomar como paradigma o pensamento do Frei Bartolomeu de Las Casas para uma verdadeira inculturação do Evangelho na América Latina.
Frei Bartolomeu de Las Casas (1472-1566) nasceu em Sevilha, Espanha, filho de um comerciante modesto. Bartolomeu estava motivado pelo espírito aventureiro e explorador de riquezas, logo se adaptando ao estilo de vida dos colonizadores. Pequeno “encomendero” na América, Las Casas estava envolvido na engrenagem esmagadora de uma colonização que desconhecia os direitos dos indígenas. A 21 de Dezembro de 1511 escutou o célebre Sermão do Advento de Frei Antonio de Montesinos, no qual este defendia a dignidade dos indígenas. O profundo impacto daquela pregação levou-o a converter-se a tal causa. Em 1537 escreve o tratado “Único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião”, [281] no qual estuda os elementos essenciais para uma autêntica evangelização dos índios, exigindo métodos pacíficos para a pregação e a implantação da fé. Entusiasmado pela bula papal Sublimis Deus (1537), em defesa da liberdade dos índios e de seus direitos, Las Casas ofereceu-se, ao governador Maldonado a fim de pregar, pacificamente, o Evangelho a esses gentios. Após uma vida de lutas e perseguições, Las Casas morre em 1566 aos 92 anos, em Madrid, Espanha.[282]
            Las Casas parte do pressuposto que o único modo de evangelizar os indígenas é de forma branda, suave, razoável e doce. Por isso, denuncia o erro dos colonizadores e dominadores que queriam oprimir para evangelizar e deseja também a estes que descubram o caminho da retidão e da solidariedade. Frei Bartolomeu afirma que não há outro método senão aquele que Cristo ensinou e essa lei de Cristo deve ser obedecida, pois esse meio ou método deve ser comum a todos os homens do mundo, sem nenhuma discriminação, e “deve ser seguido com todos o mesmo e único modo de pregar”.[283]    
            Las Casas propõe sua tese fundamental:
O modo estabelecido pela divina Providência para ensinar aos homens a verdadeira religião foi único, exclusivo e idêntico para todo o mundo e todos os tempos, a saber: com razões persuadir o entendimento e com suavidade atrair e exortar a vontade. E deve ser comum a todos os habitantes da terra sem descriminação alguma em razão de seitas, erros ou costumes depravados.[284]
Las Casas traça toda uma teoria da motivação. Nesse “Único modo” a Providência de Deus procura mover os seres em seus atos de modo doce e suave, persuasivo para o entendimento e atrativo para a vontade. Las Casas detecta que o mover da vontade humana que brota do encontro com a doutrina da fé deve ser o mais semelhante, e jamais contrário, “ao movimento que a divina Sabedoria dispôs e estabeleceu para todos os seres criados”.[285] Tudo isso deve acontecer porque o ser humano nasce com a aptidão para ser movido, por causa da liberdade, de tal modo que voluntariamente escute e adira, com disposição natural ouça, aceite, creia e acolha o que lhe é anunciado. A vontade humana sendo livre não pode ser obrigada a crer, é necessário estimulá-la e atraí-la com delicadeza.[286] Fé e liberdade estão intrinsecamente unidas. A fé só tem um sentido: vivê-la como adesão livre e experimentá-la como um bem, e a catequese numa perspectiva motivacional precisa optar pela liberdade dos catequizandos e atraí-los para o bem, de modo que através de opções livres se tornem verdadeiramente adultos na fé. Nessa perspectiva a catequese respeitará a singularidade de cada pessoa, seus gostos e seus talentos, e a partir deles num jogo de liberdade mover os catequizandos ao encontro do Mistério.[287]
A aculturação, idéia que podemos aplicar à inculturação, precisa acontecer sem manipulações das realidades culturais. Num primeiro caso, a aculturação pode ser espontânea, neste caso a mudança acontece do simples jogo do contato, para cada uma das culturas presentes, segundo a lógica interna própria. Num segundo caso, a aculturação pode ser forçada, em benefício de um só grupo, como no caso da colonização. Há a vontade de modificar em curto prazo a cultura do grupo dominado para submetê-lo aos interesses dos dominadores.[288]
Frei Bartolomeu de Las Casas condena o princípio da colonização que quer fazer guerra àqueles a quem se quer anunciar a mensagem do amor. O pressuposto é que com ameaças e açoites, ou de modo imperioso e duro à mente humana se consternará e com medo das palavras duras se fechará ao Evangelho.[289] Os homens com medo passam a odiar a fé por causa de terríveis desconfortos recebidos e assistindo às ações tão nefastas dos cristãos, consideram a religião iníqua, injuriosa e decepcionante.[290]
Essa errada pedagogia do castigo foi adotada também por alguns missionários, que castigavam os índios por qualquer pecado cometido. Mas, se o missionário aplica penas com suas próprias mãos ou de outrem, é claro que os ouvintes odiarão a fé, não vão querer ouvir o missionário e nem vão querer crer no que foi dito e aceito em matéria de fé.[291]   
Essa perspectiva de dominação não acontece somente através de castigos. Os ouvintes precisam ver que os pregadores da fé não têm nenhuma intenção de adquirir domínio sobre eles com a pregação, pois isto é próprio de sedutores que pretendem invadir e dominar, que adulam para dominar. Cristo ordena aos discípulos enviados em missão que desejassem a paz à casa em que entrassem (cf. Lc 10, 5) e que não levassem bolsa ou alforje, mas acreditassem na Providência de Deus (cf. Lc 10, 4), isto é, que fossem missionários que anunciassem a paz, e não a guerra, e que tivessem o desapego total dos bens, mas que a motivação primeira seria o bem daqueles aos quais eles anunciam a Palavra de Deus. Pois a ambição de ter não move os apóstolos a pregar. [292]
“Afeiçoar-se a algo, assim como ele é, é amá-lo”.[293] Na evangelização, essa afeição nasce a medida que os seres humanos percebam a fé e a religião como convenientes e dignas de desejo e amor. Por isso, os pregadores apresentarão a fé de modo afável, humilde e amável. E principalmente sendo exemplos de suas palavras.
O motor da missão, bem como da inculturação do Evangelho, é o amor, de tal modo que seja o único critério para que tudo seja feito ou não.[294] O missionário deve ser o homem da caridade, anunciar o Deus que ama os seres humanos e levar a abertura e a amizade a todos os homens, em especial os pobres, superando fronteiras e divisões de raça, casta ou ideologia.[295]
Assim, São Paulo no elogio ao amor (1 Cor 13) apresenta o amor, não como um carisma a mais, mas como a virtude maior, como a via da experiência cristã que os Coríntios deveriam experimentar. O amor seria a verdadeira identidade do cristão, como perspectiva totalizante e unificativa do agir humano e também a expressão perfeita e definitiva da salvação divina. O amor é caracterizado por São Paulo pela sua ação, como força operativa, descreve como se relaciona a pessoa que é movida pelo amor. O amor é paciente, respeitoso, altruísta, suporta tudo, não se regozija com a injustiça, mas procura a verdade e sempre é dedicado ao outro (cf. 1 Cor 13, 4-7). Por fim, o amor é apresentado como a perfeição cristã (cf. 1 Cor 13, 9) e permanecerá na eternidade.[296]
Na tarefa da inculturação sempre se deve respeitar a liberdade daqueles aos quais vamos ao encontro com a evangelização. Apresentar o Mistério cristão de modo íntegro através da palavra e do exemplo, de modo afável, humilde e doce. Esse modo de evangelizar procura atrair a vontade, motivar os ouvintes, de tal modo que eles se abram ao Mistério Revelado, pois, na “tarefa da inculturação, o sentido e o conteúdo da fé só são autenticamente anunciados, se respaldados pela caridade, pelo amor, pelo testemunho, por uma experiência concreta da fé que se anuncia”.[297]
Entretanto, o amor como Entrega não é somente o modo de evangelizar, mas o centro do conteúdo, o princípio meta-metodológico da transmissão do Mistério. Hoje há uma certa convergência dos povos na recusa da violência, no respeito pela pessoa humana, no desejo de liberdade e justiça, [298] em ver o pobre, o realmente necessitado como destinatário da ação amorosa. Essa disposição de alma presente em cada pessoa humana é o ponto de partida para a inculturação do Evangelho. O missionário ou o catequista conhecendo como o seu catequizando ama, como ele quer o bem ao outro, a partir daí o catequista apresentará o Mistério cristão. Demonstrando que essa motivação primeira do ser humano, o amor-entrega, é o centro também de toda a Revelação. A evangelização acontecerá no encontro entre o amor presente na disposição interior do catequizando e do amor como centro do Mistério Revelado, lembrando sempre que o catequista já deve conhecer esse amor presente nele mesmo.
 
2.3 Por uma nova metodologia catequética
Diante de toda a história de vivência da pedagogia de Deus pela Igreja, que buscou encarnar o Evangelho nas culturas, o Diretório Nacional de Catequese, fornece alguns passos metodológicos da inculturação aplicáveis à catequese e que se coadunam com o objetivo deste trabalho:
- Conhecer a cultura específica de cada grupo humano e o grau de influência dessa cultura em suas vidas. O catequista procurará conhecer a disposição pessoal do catequizando formada pelo processo de socialização na cultura. Conhecendo como se formou a sua própria disposição, o catequista tendo por fulcro o amor-entrega, entenderá como foi formada a cultura do catequizando;
- Perceber na cultura o eco da Palavra de Deus. Consciente de que a graça o precede, o catequista procurará descobrir as “sementes do Verbo” presente nos catequizandos e na formação cultural deles;
- Discernir os valores evangélicos. Principalmente o amor, ajudando os catequizandos a seguir o caminho pedagógico do amor-eros até o amor-entrega, princípio da formação das disposições pessoais;
- Purificar o que está sob o signo do pecado. Detectando aquilo que é sentimentos de dominação no coração de seus catequizandos, e como isso foi incutido no processo de socialização pela cultura, o catequista através do anúncio da Palavra de Deus e pelo testemunho denunciará as estruturas de dominação, levando o catequizando a purificar a sua forma de amar.
- Manter íntegros os conteúdos da fé da Igreja. No anúncio do Mistério Revelado o catequista procurará manter a fidelidade ao amor Revelado em Jesus Cristo, que amou-nos até o fim (cf. Jo 13, 1) e nos exortou a amar como Ele nos amou, isto é, com um amor de entrega (cf. Jo 13, 34).
- Suscitar nos catequizandos atitudes de conversão radical. No processo permanente da catequese o catequizando deverá viver essa atitude de amor-entrega em sua vida, tornando-se um outro missionário do amor de Deus.[299]
            A inculturação do Evangelho precisa ser vivida pela catequese, de tal forma que esta parta da motivação das disposições pessoais formada pela cultura. Motivação que tem por centro o amor-entrega, tomado como a “semente do Verbo”. A partir do princípio meta-motodológico do amor-entrega o catequista anunciará o Mistério Revelado, que tem por centro o amor-entrega da Trindade, levando assim o catequizando a identificar nesse mesmo Mistério a realização plena de sua pessoa. A imersão do catequizando nesse Mistério de amor na Liturgia o levará a viver e testemunhar esse amor e tornar-se assim um outro missionário.


 Capítulo VI - Mistagogia Motivacional: Aplicação de uma nova metodologia catequética

 

            Um trabalho de pesquisa precisa ser aplicado na prática e ajudar catequistas e catequizandos a vivenciarem o Mistério Revelado em Jesus Cristo. Neste último capítulo traçamos a aplicação de alguns pontos metodológicos e sugestões para uma catequese verdadeiramente mistagógica e motivacional. Para tal intento tomamos por base o objeto e o sujeito da catequese, bem como a atividade catequética realizada na ação pastoral, nos movimentos e em outras realidades eclesiais.  

1. O objeto da catequese
            Neste item queremos demonstrar que a mistagogia-motivacinal como metodologia catequética vem auxiliar na transmissão do conteúdo do Mistério e ao mesmo tempo auxiliar o catequizando a mergulhar nesse mesmo Mistério.

1.1 O Mistério: objeto da catequese
            O Mistério de Deus revela-se na História da Salvação. Mistério que se revela na fé dos profetas e plenamente em Jesus Cristo. Muitos cristãos como mártires, teólogos, santos e santas, viveram esse Mistério através da experiência da fé na Liturgia e na vida.
            Na História, a introdução ao Mistério foi feita de várias maneiras, por catequeses muito diversas, em especial pela Mistagogia Patrística que através da narração das maravilhas de Deus procurava introduzir os catecúmenos de maneira vital no Mistério comunicado na Liturgia.
            Atualmente é recomendada à catequese uma dimensão mistagógica, a medida que o catecumenato batismal deve inspirar outras formas de catequese.[300] Processo catecumenal caracterizado pela evangelização, instrução catecumenal, experiência sacramental e entendimento da experiência pela mistagogia. Uma catequese assim estruturada procura levar os catecúmenos não somente ao conhecimento de dogmas ou preceitos, mas à íntima percepção do Mistério da salvação por aqueles que desejam participar da catequese.[301]
            Numa perspectiva mistagógica-motivacional propomos que o amor-entrega seja o eixo na transmissão da totalidade do Mistério e que vá ao mais íntimo da motivação humana, de tal modo que o mistério do homem seja plenamente revelado no Mistério de Cristo, [302] que não é um elemento junto aos demais, mas o centro a partir do qual todos os demais elementos se harmonizam e se iluminam.[303]
            Ao transmitir o conteúdo do Mistério através do Catecismo da Igreja Católica ou de um catecismo local adaptado ou inculturado, o catequista procura articular as quatro partes do catecismo em torno do eixo do amor-entrega. Sendo o catecismo uma exposição orgânica e sintética dos conteúdos essências e fundamentais da doutrina católica, [304] afirmamos que essa organicidade deve estar articulada em torno do Deus que se revela, mas que se revela como Deus que ama e vem para amar os seres humanos.
            No ensino da Revelação o catequista precisa demonstrar que Deus se doa em toda a História da Salvação por amor, entregando-se ao seres humanos através de uma ação paciente e pedagógica. Deus é Trindade e tem por essência o amor, que cria e chama a vida os seres humanos para participar nesse amor e que mesmo com o pecado Deus não desiste de seu projeto de amor. Em toda sua pedagogia procura formar o povo de Israel e manter aliança com ele, até a plenitude dos tempos quando no Verbo Encarnado revela-se em atitudes de amor e apreço pelos seres humanos cujo cume é a morte na Cruz e a sua ressurreição.
            Esse amor que dá a vida, a salvação realizada por Cristo Jesus e pelo Espírito Santo, se torna presente nos sacramentos e na Liturgia. O amor salvador pode tocar cada ser humano. Por isso, o catequista precisa mostrar os sacramentos como ações de Entrega salvífica de Deus aos seres humanos.
            Amor é graça que transforma o ser humano e o leva a agir reta e livremente, realizando em sua vida o duplo mandamento da caridade, desdobrado nos Dez Mandamentos de Deus.
            A oração torna-se trato de amizade com um Deus que ama, e o cristão deve experimentá-la como o relacionamento com o Pai que vem para atender o pedido de seus filhos e constituí-los em Igreja.
            Nessa mesma perspectiva pedagógica mistagógico-motivacional o catequista se preocupará tanto com a objetividade do Mistério Revelado, mas também em fazer ver ao catequizando que o Mistério plenifica o ser humano cumprindo assim o objetivo maior da metodologia da catequese que é “promover uma progressiva e coerente síntese entre a plena adesão do homem a Deus (fides qua) e os conteúdos da mensagem cristã (fides quae)” e “impulsionar a pessoa a se entregar ‘livre e totalmente a Deus’: inteligência, vontade, coração, memória”.[305]
            Em outras formas de apresentação do Mistério de Deus pode-se utilizar essa metodologia mistagógico-motivacional.
            Como por exemplo, no ensino teológico, ao invés de uma apresentação insossa ou desarticulada poder-se-ia apresentar a Teologia como um aprofundamento vital e orgânico do Mistério de Deus.
            Sendo a Teologia Dogmática a espinha dorsal do curso de Bacharel em Teologia, esta deveria ser apresentada tendo como o eixo o Deus que em si é amor e que se revela por amor.[306] No ensino da Sagrada Escritura demonstrar que a finalidade da Revelação é, A Aliança isto é, o convite de Deus para que o ser humano realize a comunhão com Ele, e assim o estudo da Sagrada Escritura se torna a alma da Sagrada Teologia.[307]
As outras disciplinas articuladas em torno do Mistério Revelado também deveriam demonstrar tal realidade de um Deus como ser em favor do seres humanos.
No estudo da Liturgia e da Teologia dos Sacramentos, não voltar ao rubricismo vazio ou ao verbalismo, mas procurar demonstrar que a salvação em ato acontece pela celebração do Mistério Pascal, o amor de Deus é efetivo e realiza a salvação hoje. Nessa perspectiva o desejo do Concílio pode assim realizar-se, isto é, de que os professores das demais disciplinas “ensinem o Mistério de Cristo e a história da salvação, de tal modo que transpareçam claramente a sua conexão com a Liturgia e a unidade da formação sacerdotal”.[308] 
Todas as disciplinas teológicas sejam restauradas por um contato mais vivo com o Mistério de Cristo e a história da Salvação. De tal modo que a Teologia Moral deveria evidenciar a vocação dos fiéis em Cristo e sua obrigação de produzir frutos de caridade, [309] bem como a Teologia Pastoral demonstrar que a ação da Igreja é realizada para ajudar os homens a viver na comunhão entre si e com Deus. A exposição do Direito Canônico como a Livro da vida da Igreja para ajudá-la a viver como Comunhão da Santíssima Trindade. A História da Igreja deve demonstrar como a pedagogia do amor de Deus continua na História. Disciplinas outras como Missiologia, Ecumenismo, Homilética, etc, devem ter por centro o amor-entrega e ser este a perspectiva que liga tais disciplinas com o Mistério Revelado.
O teólogo articula a reflexão sobre Revelação do Mistério de Deus na História, contida na Sagrada Escritura, Magistério e Tradição, com o agir teologal do Povo de Deus. Na sua reflexão o teólogo tem por ponto de convergência o amor-entrega presente na Revelação, no agir teologal do Povo de Deus e em sua própria pessoa.   
Enfim, outras formas de transmissão do Mistério podem ter na mistagogia-motivacional um princípio metodológico unificante e orgânico. 

1.2 Uma catequese Mistagógica
            O Mistério deve ser transmitido de forma orgânica e sistemática, mas essa transmissão não é algo estático. A dinâmica do processo catequético é representada pelo processo mistagógico, isto é, um conjunto de ações que conduzam o catequizando a experimentar o Mistério em sua vida e possa assim sentir Deus perto de si.
            Como traz o Documento de Aparecida a catequese precisa ser permanente, não se contentar em doutrinar na iniciação cristã, mas uma catequese que perpasse toda a vida do cristão.[310] Por isso, a Mistagogia Motivacional deve estar presente em toda atividade humana que supõe um processo de contato com o Mistério e que leve em conta a motivação do interlocutor.
            A Mistagogia Motivacional procura atingir todas as idades em suas motivações que brotam das diversas necessidades. Para as crianças a catequese deve adaptar-se a suas necessidade básicas, de tal modo que o rosto do Deus amoroso possa transparecer numa catequese lúdica que atinja a imaginação infantil. Na adolescência e na juventude, marcadas pela formação da identidade, a catequese procura mostrar ao adolescente e ao jovem que o Mistério cristão ilumina o amor humano e a busca da realização numa vocação. A Mistagogia Motivacional auxilia o adulto em sua necessidade constante de tomada de decisões para atender àqueles que Deus confiou aos seus cuidados, seja a esposa, os filhos, a comunidade, colegas de trabalho etc. No crepúsculo da vida a catequese Mistagógica Motivacional tenta iluminar o passado do idoso, mostrando o sentido de sua vida, e a necessidade da preparação para a última entrega a Deus na morte, esta não deve ser ocultada, mas vista sob a perspectiva da esperança cristã.
            O cristão é chamado a celebrar o Mistério Pascal em toda a sua vida. Como por exemplo, a celebração da Eucaristia como centro da vida do cristão, o sacramento da reconciliação ou a unção dos enfermos nas debilidades da vida ou as diversas bênçãos. Nessas celebrações, a homilia é um momento privilegiado de Mistagogia Motivacional.
A função da homilia é mistagógica, isto é, adequar as leituras à compreensão dos fiéis, para que estes não se detenham na letra, mas possam captar a mensagem. A homilia é veículo da Palavra, e deve estar atenta às finalidades que tal Palavra se propõe. O homiliasta para conseguir tal objetivo precisa conhecer as necessidades da assembléia, sua cultura e mentalidade, bem como o próprio estilo de comportamento motivacional para que entre em sintonia com a disposição pessoal dos fiéis.
A homilia deve se estruturar para ser um instrumento de motivação da disposição pessoal do fiel na celebração litúrgica. O presidente através da exortação temporal situa os fiéis na atualidade do Mistério celebrado.  Em seguida através da exortação anamnética faz memória do Mistério Pascal, baseando-se nas leituras e nos textos eucológicos. Através da exortação participativa procura levar os fiéis a participarem na ação salvífica do Senhor no hoje litúrgico e transformá-la em vida. Por fim, aponta no final da homilia para a celebração (exortação celebrativa), celebração que é fonte e cume da participação no Mistério do amor de Deus e que se realiza no hoje litúrgico.
            A Mistagogia Motivacional forma a fé nas diversas formas de catequese, leva o fiel a ser transformado na experiência litúrgica e por fim proporciona a transformação de vida do cristão de tal forma que sua nova forma de ser e de viver manifeste-se em todos os diversos níveis da existência como cristão: na oração, na vida em comunidade, no trabalho, no lazer, na vida matrimonial e familiar, e nas suas atividades econômicas e sociais.[311]   
            Por isso, a catequese numa perspectiva Mistagógica Motivacional procura formar o cristão para amar em todas as suas atividades de sua vida. Uma catequese que prepare o cristão para o ingresso no mundo do trabalho e possa exercer o labor no amor ao próximo e na promoção humana sempre em perspectiva ética. Mistagogia que auxilie o cristão a usufruir o tempo livre e o lazer suprindo as necessidades de descanso e ao mesmo tempo viver a comunhão com a natureza criada por Deus e com os outros seres humanos na alegria de viver. Catequese que auxilie a ver nos momentos de dor física ou moral a presença de Deus de amor junto àqueles que necessitam.
            Enfim, a Mistagogia Motivacional procurará nas diversas situações da vida auxiliar o cristão a se sensibilizar para com a presença do amor de Deus em sua história. Deus que vem ao encontro de suas necessidades. Fazendo com que esse catequizando pelo seu testemunho seja um evangelizador nessas mesmas situações junto às outras pessoas. 



2. O sujeito da catequese
            A catequese tem no Mistério seu objeto, mas tem no ser humano o sujeito da catequese. Neste item queremos estudar a catequese como relação entre catequista e catequizando. Também queremos analisar a base do relacionamento entre catequista e catequizando, que são o estilo de comportamento motivacional e as disposições pessoais motivadas.

2.1 Disposições pessoais motivadas do catequizando
            A catequese trabalha a identidade da experiência humana entre Jesus mestre e o discípulo. O catequista, a exemplo de Jesus, é chamado a propiciar a motivação dos catequizandos para viverem de acordo com os ensinamentos Dele e a plantar sementes de comunidade nas quais o catequizando vai viver a sua fé.[312]
            Para que a catequese seja verdadeiramente mistagógica é preciso que o catequista tenha a consciência de que sem a abertura motivacional dos catequizandos não se conseguirá introduzi-los no Mistério. Por isso, é preciso considerar que a catequese começa desde o ventre materno, desenvolve-se na comunidade e se solidifica no engajamento comunitário.[313]
            O catequista se esforçará para conhecer as disposições pessoais do catequizando na formação cultural, mas também auxiliará o mesmo catequizando a conhecer o próprio estilo de comportamento motivacional e perceber como o Mistério é a realização de todos os anseios humanos.
Numa perspectiva da Mistagogia Motivacional a relação entre catequista e catequizados deve ser matizada de acordo com o tipo de catequese.
A catequese missionária é caracterizada pelo primeiro anúncio. Nessa catequese o catequista procurará anunciar a verdade do amor de Deus que vem ao encontro da pessoa e demonstrar isso pelo seu testemunho. Há a catequese em preparação aos sacramentos da iniciação cristã, nessa catequese a prioridade é auxiliar o catequizando a formar a identidade católica: conhecer o Mistério, experimentá-lo na Liturgia e vivê-lo na vida.
            Na catequese com os migrantes, o catequista precisa ir ao encontro das suas necessidades, primeiramente valorizando a sua cultura e entendendo o modo como esse desterrado aprendeu a amar. Demonstrar que o migrante pode se sentir em casa na família de Deus é fundamental, e a partir dessa experiência, esse mesmo migrante possa auxiliar outros como ele que se sintam excluídos da cultura atual na qual vivem. Na catequese de pessoas com deficiência, não cair nos extremos, isto é, fingir que a deficiência não existe ou encarar a pessoa como deficiente, como uma pessoa cujo ser é restrito a sua deficiência. O catequista precisa auxiliar a pessoa com deficiência a integrar-se na comunidade, aceitando a sua própria condição de necessitado, mas conscientizando-se do potencial de dom e serviço para comunidade.
            Na catequese com os marginalizados, o catequista procura auxiliar a pessoa marginalizada a entender a própria história de exclusão, não para entrar numa autocompaixão e nem para cair na dominação do próximo, mas para compreender a própria necessidade, abrir-se ao amor da comunidade cristã e aprender a lidar com as limitações dos outros.
            Outras situações catequéticas podem surgir e em diversos ambientes e idades. O catequista precisa de uma formação adequada para entender a própria vocação, preparar-se para o relacionamento catequético e dar a atenção pessoal e espiritual aos catequizandos, para que indo ao encontro das necessidades destes fazê-los ver que o Mistério responde as suas mais profundas motivações.

2.2 Estilo de comportamento motivacional do catequista
            O catequista deve ser um agente de pastoral preparado para o relacionamento catequético. A formação é pois fundamental para que o catequista consiga conduzir o catequizando para o encontro com Deus.
            O estilo de comportamento motivacional é a direção que cada pessoa toma na busca dos seus próprios esquemas de fatores de satisfações, isto é, como a pessoa busca satisfazer suas próprias necessidades.[314]
            Na formação do catequista é fundamental que este conheça seu próprio estilo de comportamento motivacional, isto é, como ele próprio buscou o Mistério e como esse Mistério é fonte de realização pessoal em sua vida.
            Quando o catequista tem o conhecimento do próprio estilo de comportamento motivacional, este conhecimento torna-se guia para possibilitar com que o catequista auxilie a outros a mergulhar no Mistério.
            Nessa perspectiva a formação do catequista, recomendada pela Igreja em seus diversos documentos, pode ser ordenada numa perspectiva da Mistagogia Motivacional da seguinte maneira: conhecer o próprio estilo de comportamento motivacional e compreender o próprio processo da formação das disposições pessoais. Em seguida, o catequista procura compreender o Mistério Revelado, o processo de formação da identidade cristã e a importância da satisfação das necessidades das pessoas nesse processo. Por fim, o catequista precisa compreender como o amor como Entrega é fundamento da procura da satisfação das necessidades e a assimilação do Mistério pelas disposições pessoais. Tendo como objetivo último desse processo a vivência na comunidade cristã.
            Na Mistagogia Motivacional, as características da formação do catequista podem ser as seguintes:
- ter a maturidade da fé como objetivo da catequese;
- formar o catequista como agente de comunhão, pessoa de comunicação capaz de criar comunhão; [315]
- capacitar o catequista para o conhecimento do Mistério e sua essência: o amor como Entrega;
- capacitar o catequista para conhecer seus catequizandos, sua cultura e a respectiva formação da disposição pessoal;
- formar o catequista para a escolha da melhor metodologia para transmitir o Mistério, tendo o ponto meta-metodológico do amor como Entrega;
- fornecer os instrumentos ao catequista para que este auxilie o catequizando na iniciação à vida em comunidade.              
O objetivo final da formação é termos catequistas maduros na fé, com a identidade cristã consolidada e abertos a uma catequese permanente. 
Assim pode-se concretizar o que o Diretório Geral de Catequese pretende para a formação dos catequistas, isto é, que o catequista “‘se torne não apenas capaz de expor com exatidão a mensagem evangélica, mas que saiba também suscitar a recepção ativa desta mesma mensagem, por parte dos catequizandos, e que saiba distinguir, no itinerário espiritual dos mesmos, aquilo que é conforme a fé”.[316]
            Finalmente, não se pode esquecer que ser catequista é uma vocação e a realização pessoal do catequista como cristão e agente de pastoral é fundamental para que na alegria ele possa transmitir o Mistério e sua experiência. Por isso, numa perspectiva mistagógica-motivacional a vocação do catequista segue os seguintes princípios:
- o catequista se vê como um cristão realizado, porque procura conhecer o Mistério Revelado e entende que o Mistério satisfaz plenamente a motivação das próprias disposições pessoais;
- numa vida espiritual profunda, perante Deus e os seres humanos, está num processo de autoconhecimento. Conhece a própria disposição pessoal e seu processo de motivação;
- o catequista sabe-se agente de comunhão, porque vê no amor como Entrega a essência do Mistério Revelado e o pináculo da realização humana, para si, para seus catequizandos e para todo e qualquer ser humano;
- mestre do amor de Deus, em primeiro lugar em seu testemunho como cristão, mas, além disso, quer que seus catequizandos aprendam a amar e saibam distinguir entre o amor como Entrega e os princípios de dominação presente nas disposições pessoais;
- motivado pelo amor o catequista se torna um animador responsável, um semeador que confia na Palavra e conhece a sua eficácia;
- o catequista tem uma atenção profunda para com cada pessoa em suas necessidades;
- descobrindo a alegria do seguimento de Cristo, o catequista procura suscitar vocações de novos catequistas que livremente amando possam na alegria verdadeira auxiliar outros a se encontrarem no Mistério Revelado.
            “Na escola de Jesus Mestre, o catequista une estreitamente a sua ação de pessoa responsável, com a ação misteriosa da graça de Deus”.[317] O catequista somente pode catequizar na medida em que compreende o processo da conversão, da motivação das disposições pessoais na ordem da graça, e a partir das disposições pessoais dos catequizandos propiciar o encontro dos mesmos com o Mistério, possibilitando a própria realização humana e a dos seus catequizandos.
2.3 O encontro catequético: a relação catequista e catequizando
            A catequese por princípio é uma relação amorosa entre catequista e catequizando. Por isso, seria ingenuidade tornar a transmissão do Mistério de tal modo objetiva que se desprezariam as pessoas, ou por outro lado absolutizar as pessoas em detrimento da Revelação.
            É na relação entre catequista e catequizando que o Mistério é transmitido. Por isso o catequista precisa assumir as práticas da pedagogia de Jesus para que o Mistério possa atingir a disposição pessoal do catequizando. Uma pedagogia do acolhimento das pessoas, um acolhimento físico que gera um clima de afetividade cristã, um acolhimento da história e dificuldades de cada catequizando, de tal modo que crie também um clima de acolhimento mútuo entre estes. A atenção às necessidades concretas dos catequizandos, de tal modo que se sintam amados por Deus e se abram à mudança em suas vidas.[318]
            O catequista fundamenta a sua pedagogia na pedagogia divina a partir da motivação do catequizando, levá-lo a reconhecer os princípios da dominação presente em seu coração e o amor que o mesmo catequizando aprendeu em sua vida, tal autoconhecimento o leva ser uma pessoa livre, para que assim o catequizando em sua disposição pessoal possa ter uma motivação amorosa, a gratuidade segundo o plano de Deus.          
Muitas vezes se afirma que a catequese não deve reduzir-se a aula ou se tornar uma escola de religião. Por isso, o encontro catequético deve ter características familiares e criar vínculos de amor entre catequista e catequizando, catequistas entre si e catequizandos entre si. Tornarem-se células fraternas de convivência de tal modo que possibilite a abertura ao Mistério Revelado e a vivência desse mesmo Mistério.
            A catequese, como aprofundamento vital na fé, pode ser assumida por uma diversidade de catequistas, tais como, catequistas dos sacramentos, agentes de pastoral, formadores de seminário ou da vida religiosa, clero, religiosos, líderes de comunidade, etc. Nas várias etapas da vida, o catequizando procurará continuar crescendo no conhecimento do Mistério, experimentá-lo na Liturgia e vivenciá-lo no cotidiano. Pois a maturidade da fé não pode ser alcançada num momento determinado da vida humana de maneira total, por isso levar em conta que as pessoas sempre estarão crescendo na fé e sempre haverá necessidade da práxis catequética.[319]
            Em todas as formas de catequese, do nascimento à morte, ministrada por todos os tipos de agente, na escolha livre de uma metodologia, o Mistério Revelado deve ser transmitido e assimilado pelo catequizando tendo como linha mestra o princípio meta-metodológico do amor como Entrega. Isto dará à catequese a unicidade e organicidade necessárias para que o catequista possa ser sempre um catequizando, e sempre procure compreender o Mistério que se revela na História a cada instante e numa relação empática com os catequizandos ajudá-los a experimentar o Mistério. 
            Enfim, a Mistagogia Motivacional procura auxiliar a catequese na busca de um princípio vital que possibilite uma unidade entre metodologia, conteúdo e experiência cristã, de tal modo que o princípio da união entre fé e vida que nos trouxe a Catequese Renovada,[320] tenha na Mistagogia Motivacional um princípio meta-metodológico que possibilite com clareza esse processo de união.

3. Sugestões para uma catequese inculturada
            No capítulo cinco desta tese já tratamos sobre alguns aspectos da aplicação da Mistagogia Motivacional à catequese de tal modo que possamos obter uma metodologia catequética inculturada.
            Neste item queremos fornecer algumas sugestões práticas para auxiliar os catequistas na tarefa da inculturação da catequese.
            No processo de inculturação da catequese o conteúdo do Mistério deve ser preservado. Um primeiro elemento de inculturação é o catecismo local que mesmo sendo adaptado à realidade do catequizando precisa manter a integridade do Mistério Revelado. Posto isto, o catequista precisa entender o amor-entrega como centro e fio condutor na transmissão do Mistério, para que em cada encontro catequético, seja qual for o tema do dia, o catequista possa demonstrar o amor de Deus que vem ao encontro do ser humano em resposta aos seus anseios na sua cultura específica.
            O destinatário do anúncio do Evangelho é “um homem concreto e histórico, sempre radicado em determinada situação, sempre influenciado, conscientemente ou não, por condicionamentos psicológicos, sociais, culturais e religiosos”.[321] Por isso, o conhecimento da cultura não pode ser relegado somente a especialistas ou antropólogos, mas o catequista precisa conhecer a própria cultura e a cultura do catequizando. Em primeiro lugar, como foi dito, pelo entendimento do próprio estilo de comportamento motivacional. Feito isto, o conhecimento da cultura começa por ouvir atentamente o catequizando para compreender seus relacionamentos, seus sentimentos, sua família, etc. O conhecimento da realidade deve ser feito também através de uma observação muito acurada, para que o catequista compreenda os relacionamentos sociais existentes entre as pessoas. Por fim, o catequista necessita também participar ativamente da vida da comunidade, de tal modo que esse conhecimento cultural seja também experencial. Porém, o conhecimento da cultura seja por um ouvir atento, ou pela observação ou pela participação na comunidade deve ter como ponto de vista do observador, que no caso é o catequista, o amor como Entrega. A experiência da cultura precisa ser feita de tal modo, que o catequista saiba, entenda e compreenda como aquelas pessoas amam e a partir desse amor anunciar o Mistério Revelado.
            O catequista precisa perceber na cultura o eco da Palavra de Deus e os valores evangélicos como sementes do Verbo de Deus. Essa percepção não se restringe à experiência cristã, mas se estende a toda sociedade e a vivência comunitária. Na sociedade o catequista encontra novos aerópagos para o anúncio do Evangelho, por isso procurará conhecer a literatura, a dança, o esporte, a educação, a música, as novelas, o cinema, a arquitetura, e outras expressões da arte, bem como conhecer a política e a estrutura econômica da sociedade, através dos diversos meios de comunicação, em todas essas instâncias o catequista não deverá cair num processo de se locupletar de informações, mas pelo crivo do amor-entrega perceber a Palavra de Deus e as sementes do Verbo de Deus presente nas diversas realidades culturais.[322] A comunidade é influenciada pela cultura da sociedade, por isso o catequista procurará verificar como ocorre essa influência nas relações familiares, de amizades, entre vizinhos, nos matrimônios, namoros, educação de filhos etc.
            Entretanto a cultura carrega também manchas do pecado. Por isso, num processo de inculturação catequética é necessário purificar o que está sob o signo do pecado. Em tudo o que foi dito nos parágrafos anteriores sobre a atitude do catequista na cultura: seja o ouvir atentamente os membros da comunidade, ou o experienciar a vida da comunidade ou o conhecimento das artes e outras expressões culturais, seja o participar nos diversos tipos de relacionamentos culturais, o catequista precisa detectar as raízes do pecado, que neste trabalho queremos designar como o processo de dominação que está presente nas diversas realidades culturais. Portanto, o catequista é chamado a anunciar a presença do Reino de Deus na cultura, mas também denunciar a tendência de dominação presente na mesma cultura para que o catequizando seja liberto da influência do pecado e mergulhando no Mistério Revelado aprenda a amar.
            Por fim, o catequista precisa suscitar nos catequizandos atitudes de conversão radical. Numa perspectiva de inculturação esse suscitar passa pela compreensão das aspirações humanas, isto é, compreender os desejos e motivações presentes nos corações dos catequizandos. Também o ambiente catequético deve ser estruturado de tal maneira que propicie a abertura do catequizando para a experiência do Mistério. O catequista através de atividades simples, tais como jogos, partilhas, conversas, passeios, procura promover relacionamentos verdadeiramente humanos e propiciar situações de autoconhecimento para o catequizando. Enfim, o catequista é aquele que promoverá a ponte entre o catequizando e a vida na comunidade paroquial, por isso procurará conhecer a história da comunidade, suas tradições e a ajudar o próprio catequizando a discernir os sinais do Reino de Deus.
            No processo de inculturação catequética a Mistagogia Motivacional quer propiciar uma ponte entre a motivação do catequizando formada na cultura e o Mistério que é anunciado pelo catequista. O conhecimento da cultura e do Mistério é essencial. O desconhecimento da primeira ocasionará escândalos ao indicar uma ligação de estruturas de dominação com o Mistério Revelado, e o desconhecimento do segundo não se anunciará o Evangelho.
            Por fim, sem uma inculturação prática, a catequese poderá ser eficiente, mas não será eficaz, isto é, o catequizando não mergulha no Mistério e não é transformado no cerne de sua vida.



4. Aplicação da Mistagogia Motivacional a outras realidades eclesiais
            O processo catequético está presente não somente na pastoral da catequese, mas deve estar presente na ação pastoral da Igreja, nos movimentos e em novas iniciativas comunitárias e de evangelização que surgem na mesma Igreja. Neste item queremos demonstrar que o objetivo final da Mistagogia Motivacional é auxiliar o cristão a viver em comunidade, por isso auxiliar com que o cristão encontre o seu lugar na Igreja e viva o amor-entrega.

4.1 Pastorais
            Jesus veio ao encontro da necessidade humana, representada no Evangelho como os coxos, os cegos, os enfermos, os pecadores e os pobres, para assim realizar o Reino de Deus em meio à humanidade. A ação de Jesus torna-se paradigma da ação pastoral da Igreja, pois “é toda a Igreja que, animada pelo Espírito Santo, proclama a ressurreição, anuncia a boa notícia aos pobres, renova-se a si mesma a partir da comunhão trinitária e com os irmãos, e trata de construir o Reino”.[323]
            A ação da Igreja é expressa na pastoral de conjunto, não como um conjunto de pastorais, mas na “análise da realidade social, conjunção de projetos, meios e agentes, e a Igreja diocesana como unidade pastoral”.[324]
            Para obter essa unidade pastoral, a pastoral de conjunto, numa visão mistagógico-motivacional, articula-se em três eixos distintos: em primeiro lugar o anuncio do Evangelho da vida, tendo como centro o amor-entrega, forma a disposição pessoal do fiel, vai ao encontro das motivações humanas mais profundas, em segundo lugar a celebração da Liturgia leva o mesmo fiel a encontrar-se com Deus no Mistério Revelado e por fim em sua existência, a viver o Evangelho na Entrega ao próximo para construir comunidade.[325]  
            Portanto, temos na Mistagogia Motivacional uma metodologia que pode auxiliar na unificação da pastoral de conjunto.
            No anúncio da Palavra a pastoral catequética poderia articular-se em torno dos três eixos, tendo como clara a sua missão de formar a disposição pessoal do fiel para encontrar-se com o Mistério e vivê-lo na comunidade. Assim, as pastorais da catequese de primeira Eucaristia, confirmação, batismo etc, não teriam a frente somente o sacramento em si, mas todo o processo mistagógico-motivacional. Por exemplo, a pastoral da preparação para o matrimônio anuncia aos noivos a centralidade do amor-entrega, a graça do Mistério que vem para auxiliar na vivência desse amor e por fim o casal é convidado a viver não somente a dois, mas a abrir o dom do amor-entrega a toda a comunidade.
            Na vivência do Mistério nos sacramentos, a pastoral litúrgica procurará sempre ter a frente que a disposição do fiel nunca está totalmente formada e que sempre pela proclamação da Palavra e pela homilia tal disposição deve ser formada. A Liturgia é fonte e cume de toda a ação pastoral da Igreja, [326] nessa perspectiva o encontro com Mistério deverá ser preparado de tal forma que seja um verdadeiro encontro com Deus que se revela com todo amor em seu Filho Jesus no Espírito Santo, para que com a graça desse amor o fiel possa viver o relacionamento comunitário.
              Por fim, outras iniciativas pastorais devem procurar a partir do anúncio do Evangelho do Amor de Deus e da experiência do Mistério na Liturgia, ensinar e viver o amor-entrega na Igreja. Sejam todas as pastorais sociais, a pastoral da comunicação, a pastoral ecumênica, a pastoral da saúde, a pastoral familiar e outras tantas, são instrumentos para auxiliar o fiel na vivência comunitária, de tal modo que na salvação anunciada e experimentada, o fiel fica ciente de que Deus através dos irmãos vem ao encontro de sua necessidade e o torna livre para amar. Esse mesmo fiel procurará viver o amor como Entrega para auxiliar os outros a viverem essa liberdade no amor.
            Nessa perspectiva as diversas teologias da libertação podem ter na mistagogia-motivacional também um princípio meta-metodológico. O ser humano sabendo-se pobre, reconhecendo a própria necessidade, abre-se para o Mistério do Deus amor anunciado na Palavra e celebrado na Liturgia, que vem para satisfazer as verdadeiras necessidades e motivações do ser humano. A partir dessa experiência fica evidente a opção preferencial pelos pobres, isto é ir ao encontro daqueles que estão ameaçados em sua condição de vida. A teologia da libertação, conforme Jon Sobrino, tem no intellectus amoris o seu princípio, isto é, como inteligência da reação da misericórdia diante dos pobres e do amor que nos torna afins à realidade de Deus.[327]
            Por fim, neste subitem não seria possível aplicar integralmente a Mistagogia Motivacional a cada realidade pastoral, mas a finalidade é apontar a conscientização de cada agente de todo o processo mistagógico motivacional na sua ação pastoral, para contribuir assim para a eficácia da pastoral de conjunto.






4.2 Movimentos e associações
            A comunidade é a meta da catequese e o dom da comunhão é realizado historicamente na comunidade. A comunhão exprime a essência da Igreja universal e das Igrejas particulares.[328]
            Além das diversas pastorais, os movimentos cristãos e as associações são instrumentos da comunhão eclesial. Há uma variedade muito grande dessas agremiações eclesiais, que convergem no desejo dos leigos em contribuir para a levar o Evangelho como fonte de esperança e de renovação para a sociedade.[329] Porém, há a necessidade de claros critérios de reconhecimento de movimentos e associações, sendo que deve haver o testemunho de uma comunhão sólida e de profissão da fé católica.[330]
            Movimentos e associações são lugares de catequese, isto é, espaços comunitários nos quais a educação permanente na fé é realizada.[331] Por isso, essas agremiações eclesiais devem ter tempos reservados para a catequese e primeiramente educar “àquilo que é comum a todos os membros da Igreja para somente depois se deter no que é peculiar ou diversificante”.[332]
            Na catequese presente no movimento ou na associação é preciso articular o carisma próprio do movimento ou associação com o conjunto da Igreja, não se prendendo estes somente a uma evangelização querigmática.[333]
            Por isso, afirmamos neste trabalho que na perspectiva da Mistagogia Motivacional essa articulação é facilitada. O movimento cristão ou associação eclesial na sua catequese, nas formas catequéticas próprias à agremiação, procurará entender o próprio carisma em função do Mistério Revelado, tendo por mediação o amor como Entrega para que assim em seu carisma próprio transmitir e celebrar o Mistério Revelado. Bem como, a agremiação buscará entender como o próprio processo de evangelização vai ao encontro das verdadeiras necessidades das pessoas e satisfaz as motivações humanas. Por fim, o movimento ou associação em seu processo catequético ensinará seus membros a aprenderem a viver a comunhão na agremiação e na Igreja, no respeito à diversidade eclesial e compreendendo a essência da comunhão. 
            Associações e movimentos são instrumentos privilegiados de evangelização, mas precisam cada vez mais entender o próprio carisma na perspectiva mistagógica-motivacional, de tal modo que cada agremiação conheça o próprio carisma em articulação com o Mistério Revelado e a motivação humana para auxiliar na construção da Igreja. Também tais agremiações eclesiais precisam enquadrar a missão que surge do carisma nos três eixos da pastoral de conjunto: semear a Palavra no coração das pessoas, experenciar o carisma na Liturgia e transformá-lo em verdadeira prática eclesial.          

4.3 Novas iniciativas eclesiais
            Nos últimos tempos tem surgido na Igreja a experiência da vivência em pequenas comunidades, seja a experiência das comunidades eclesiais de base ou as novas comunidades que surgem a partir de diversos Movimentos ou Associações.
            A comunidade eclesial de base é a célula fundamental da estrutura eclesial, foco de evangelização e promoção humana. Os traços que a caracteriza é a dimensão comunitária, estruturas de coordenação, compromisso libertador na vivência dos sacramentos e na celebração da Palavra de Deus.[334]
            As chamadas novas comunidades são grupos compostos de homens e mulheres, clérigos e leigos, de casados e solteiros, que seguem um estilo particular de vida, numa aspiração intensa à vida comunitária, à pobreza e à oração. No governo das novas comunidades participam clérigos e leigos e o fim apostólico procura ir ao encontro da nova evangelização.[335] Alguns exemplos das novas comunidades seria a Comunidade Santo Egídio, Comunidade Shalom, Comunidade Nova Aliança e Comunidade Canção Nova.
            Tanto as comunidades eclesiais de base e as novas comunidades são muito díspares entre si nos objetivos, métodos e evangelização. No caminhar dessas comunidades surge muita criatividade na evangelização e no viver a comunhão. Porém, surgem também não poucas vezes tensões com a hierarquia, desafios internos na compreensão da própria missão e conflitos com outras realidades eclesiais.
            Diante de tanta diversidade o problema maior é a comunhão dentro das próprias comunidades e com a Igreja. Por isso, tendo por método a Mistagogia Motivacional, é necessário criar um meio de comunicação comum, mas que assegure o princípio básico da unidade na grande diversidade de comunidades.
            Cada comunidade, seja a comunidade eclesial de base ou a nova comunidade, a exemplo do que falamos sobre Movimento e Associações, precisa descobrir a conexão do próprio carisma e modo de evangelizar com a dinâmica do Mistério Revelado. Conhecer o próprio estilo de comportamento motivacional de cada membro, mas também da própria comunidade. Entender que a satisfação da motivação humana não pode restringir-se a necessidades básicas ou fisiológicas e nem a necessidades espirituais, mas que a satisfação da motivação humana está na satisfação das necessidades de auto-realização no amor-entrega, que leva à verdadeira vivência comunitária.
            É necessária a consciência de que a vivência em comunidade deve refletir a essência do Mistério e sua vivência integral. Vivência comunitária dos três eixos da unidade pastoral: o Evangelho que anuncia o Mistério e forma a disposição pessoal para o amor-entrega, a experiência do Mistério do amor na Liturgia e na convivência amorosa dentro de cada comunidade, mas também com toda a diversidade da Igreja de Deus no anúncio do Reino. 
            A comunhão, vivida na unidade e na diversidade pela comunidade eclesial de base ou pela nova comunidade, propiciará a comunicação mais perfeita do Mistério Revelado dentro da própria Igreja e para com todos os seres humanos, bem como construirá a comunhão desejada por Cristo (cf. Jo 17, 21), a partir da motivação humana até o mergulho eterno no Mistério da Santíssima Trindade. 


Conclusão

A catequese é educação, para que essa educação aconteça, como a etimologia da palavra mostra, deve possibilitar com que o catequizando possa ser conduzido para fora, conduzido para a participação na comunidade de fé numa espiritualidade de comunhão. Este trabalho quis contribuir nesse processo educacional através de uma metodologia que considere as disposições do catequizando, as suas motivações mais profundas advindas da cultura na qual este mesmo catequizando vive. Nesse processo não se perde de vista a objetividade do Mistério no qual acontece a comunhão e é o princípio da participação comunitária.
Por isso, postulamos que a Mistagogia Motivacional vem a ser uma metodologia catequética inculturada, que procura auxiliar catequista e catequizando no processo da educação da fé.
Ao concluir esta tese queremos esquematizar o processo mistagógico motivacional como metodologia catequética.
O Mistério revelado em Jesus Cristo é a essência da Revelação Divina. Jesus vem revelar que a Koinonia e Pericórese trinitárias mostram que o amor como Entrega é essencial à Trindade e princípio da vida humana. A Santíssima Trindade na Criação e na Redenção revela-se como Fonte da Vida do Universo e de todo ser humano. O ser humano pelo pecado afastou-se do Mistério e tornou-se insensível a sua presença. Toda a Pedagogia Divina vem mostrar ao ser humano o quanto ele é amado por Deus e que só em Deus há plena realização humana. O catequista encontra seres humanos refratários a esse processo pedagógico, por isso precisa educar o ser humano pelo anúncio da Palavra para a experiência simbólico-sacramental e sempre demonstrar que o Mistério vem ao encontro dos mais profundos anseios do coração humano e das mais profundas motivações humanas. O catequista no encontro catequético deve ter sempre a frente que o Espírito Santo move o coração humano e o dirige para Deus, dando-lhe a graça de consentir e de crer na verdade. Por fim, ter por princípio que a missão da catequese é auxiliar cada cristão a viver a comunhão da Trindade, a voltar à Fonte da Vida de Deus que se entrega em seu Filho Jesus Cristo no Espírito Santo. Comunhão realizada pela união do fiel à auto-oferta de Jesus na Liturgia e assim habilitado está a oferecer a própria vida a Deus e ao próximo num verdadeiro sacrifício de louvor.
“Deus é amor” (1 Jo 4, 8). A Entrega é essência da Trindade e é a essência do ser humano. Entrega que é amor verdadeiro, estar atento à realidade do outro, comover-se, todo o ser voltado para auxiliá-lo em sua real necessidade. Comoção que leva-nos a doar a vida para satisfazer as verdadeiras necessidades do próximo, para que assim este se torne um ser humano verdadeiramente livre e possa assim amar, gerando vínculos eternos. A Entrega torna-se assim o fundamento da motivação humana, isto é, do mover do coração humano.  
 Nessa perspectiva a catequese é uma formação orgânica e sistemática que procura um aprofundamento vital no Mistério revelado em Jesus Cristo, tendo no amor como Entrega o centro dessa Revelação. Na mesma linha, a catequese transmite o conteúdo do Mistério de forma orgânica em torno do amor como Entrega para que o catequizando possa ver na Revelação a solução para os mais profundos questionamentos de sua vida, sua motivação mais profunda.
            A Mistagogia tradicional compõe-se da narração da evolução do Mistério no tempo e no espaço, da celebração e inserção do batizado no Mistério e por fim pelo prolongamento desse mesmo Mistério na vida do fiel. Uma catequese mistagógica-motivacional parte das interrogações que surgem da disposição pessoal do catequizando e que estimulam o ser humano a um justo desejo de transformar a vida a luz do Evangelho. A Mistagogia Motivacional faz a conexão entre a natureza humana e suas aspirações mostrando que o encontro com o Mistério do Amor de Deus satisfaz plenamente o coração humano.
            A Entrega se torna o princípio meta-metodológico da catequese, isto é, um princípio guia de toda a metodologia cristã, que auxilia o catequista na escolha da metodologia, método ou técnica mais adequados para o encontro catequético. Se o método faz parte do conteúdo, o amor como Entrega é o princípio que demonstra a unicidade do Mistério, a unicidade da motivação humana e por isso, o princípio meta-metodológico da catequese.
            A Entrega é princípio também da socialização do indivíduo e por conseqüência é da disposição pessoal do mesmo indivíduo da qual surgem as motivações. Numa perspectiva mistagógico-motivacional o catequista no anúncio do Mistério precisa conhecer a disposição pessoal do catequizando formada na cultura, sabendo também que a graça age no sujeito em forma de disposição.
            O processo de formação da disposição pessoal é marcado pela busca humana em satisfazer necessidades. Satisfação que obedece a uma hierarquia primeiramente necessidades fisiológicas, depois necessidades de segurança, até chegar à satisfação de necessidades de auto-estima, e por fim a necessidades de auto-realização no amor. O ser humano deve ser atendido em suas necessidades básicas até a sua auto-realização que admitimos como amor como Entrega.
            É das disposições pessoais que surge a motivação humana, isto é, a força interior que leva o ser humano a agir. É o indivíduo como um todo que se motiva e não apenas uma parte dele, também a satisfação das necessidades deve abranger o indivíduo por inteiro e não somente parte dele. A missão de uma metodologia mistagógico-motivacional é cooperar para que a disposição pessoal seja motivada para levar o mesmo catequizando a imergir no Mistério.
            Porém, o processo da motivação não acontece de forma autoritária ou através de castigo e recompensa. A motivação acontece pela livre decisão da pessoa em satisfazer a própria necessidade. Por isso, o catequista entendendo como é o seu próprio processo de conversão, de busca no Mistério a satisfação de todas as suas necessidades, isto é, do próprio estilo de comportamento motivacional. Quando esse entendimento acontece o catequista compreenderá a direção que cada pessoa possa tomar na busca dos seus próprios esquemas produtores ou fatores de satisfação. E assim levar à motivação plena no encontro com o Mistério.
            Todo o processo de formação e motivação das disposições pessoais é presidido pelo Amor, mas quando o ser humano por razões várias não aprende amar e não aceita a sua condição de necessitado ele encastela-se. E procura assim instrumentalizar o outro, gerando a desconfiança nas relações humanas e por fim a separação.
            A Mistagogia Motivacional é um processo metodológico inculturado. Porque necessita do conhecimento da disposição pessoal do catequizando formada na cultura. Nessa conhecimento o catequista procura descobrir as “sementes do Verbo” e auxiliar o catequizando a discernir os valores evangélicos, sendo em primeiro lugar a seguir o caminho pedagógico do amor-eros até o Amor como Entrega. Nesse processo de inculturação também denunciar as estruturas de dominação, para que o catequizando purifique sua forma de amar. Enfim, no anúncio do Mistério o catequista sempre deverá manter a fidelidade ao amor Revelado em Jesus Cristo, tendo por meta final que o catequizando tenha atitudes de amor-entrega em sua vida, tornando-se um missionário do amor de Deus.
            Todo o processo catequético mistagógico-motivacional tem por objetivo fazer com que o catequizando possa descobrir sua vocação fundamental que é o amadurecimento na vida em comunidade. Ele é chamado a viver na Igreja a comunhão da Trindade, a voltar à Fonte da Vida de Deus, na Entrega ao Pai pelo seu Filho Jesus Cristo no Espírito Santo.
            Que a Mistagogia Motivacional possa iluminar a caminhada catequética de nossos irmãos e irmãs catequistas, para que assim descubram a alegria de servir aos irmãos e viver o Mistério na Eternidade. 
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2.2 Artigos publicados por meio eletrônico
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ZENIT, “Ensinar a amar”, objetivo da nova evangelização, explica Bento XVI. Disponível em Acesso em: 05 de maio de 2006, 15:04:33.
ZENIT. Para a Igreja, caridade não é simples assistência social, declara o Papa. Explica ao receber a duas associações beneficentes da Bélgica. Disponível em Acesso em: 31 de outubro de 2006, 19:45:07.
ZENIT. Ser missionário é anunciar que Deus é amor, assegura Bento XVI. Disponível em Acesso em: 02 de junho de 2006, 15:03:27.



[1] JOÃO PAULO II. Exortação apostólica Catechesi Tradendae, 1979. São Paulo: Paulinas, 1980, 18.
[2] “Por pedagogia divina entendemos aquela forma histórica que Deus seguiu ao longo do tempo para dar-se a conhecer, manifestar seu projeto libertador e chegar ao encontro com a humanidade”. In: Cf. CELAM. Manual de catequética. São Paulo: Paulus, 2007, p. 211.
[3] A escolha do vocábulo “entrega” se faz porque significa melhor a autocomunicação de Deus na criação e na salvação da humanidade e também a atitude de entrega amorosa do ser humano aos irmãos e a Deus. Nisto consiste o Mistério, no seu amor, Deus entregou seu Filho ao mundo, para que a humanidade pudesse assim se entregar ao Pai pelo Filho no Espírito Santo. Como no sentido paulino: “E vós maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou [paredwken] por ela” (Ef. 5, 25).
[4] Cf. ALBERICH, E. Catequese evangelizadora: Manual de catequética fundamental. São Paulo: Salesiana, 2004, p. 330.
[5] Cf. CELAM. Manual de catequética, p. 212.
[6] Cf. CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Diretório Nacional de Catequese, 2005. Brasília: CNBB, 2006, 13, d.
[7] Cf. SILVA, P. C. A Ética personalista de Karol Wojtyla: Ética sexual e problemas contemporâneos. Aparecida: Santuário, 2001, p. 147.
[8] Cf. KEARNS, L. Teologia do voto de castidade. 2ª ed. Aparecida: Santuário, 2004, p. 41-55.
[9] Cf. GUNNEWEG, A. H. J. Teologia bíblica do antigo testamento: Uma história da religião de Israel na perspectiva bíblica-teológica. São Paulo: Teológica-Loyola, 2005, p. 80-81.
[10] Cf. LATOURELLE, R. Revelação. In: Dicionário de teologia fundamental. Petrópolis: Vozes, 1994, p. 818.
[11] GUNNEWEG, A. H. J. Op. cit. p. 92.
[12] Cf. LATOURELLE, R. Op. cit. p. 819.
[13] Cf. LATOURELLE, R. Revelação. In: Dicionário de teologia fundamental, p. 819.
[14] Cf. CATECISMO da Igreja Católica, 1997. Petrópolis: Vozes, 1998, 516.
[15] Cf. FABRIS, R. O evangelho de Lucas. In: Os evangelhos II. São Paulo: Loyola, 1992, (Bíblica Loyola 2), p. 96.
[16] Cf. MAGGIONI, B. O evangelho de João. In: Os evangelhos II. São Paulo: Loyola, 1992, (Bíblica Loyola 2), p. 315.
[17] Cf. CONSTITUIÇÃO Sacrosanctum Concilium,1963. In: COMPÊNDIO VATICANO II: Constituições, decretos, declarações. KLOPPENBURG, B. (Org.). 18ª ed. Petrópolis: Vozes, 1986, 6.
[18] Do grego Catequein, que quer dizer ressoar, fazer ressoar.
[19] Cf. CONGREGAÇÃO PARA O CLERO. Diretório Geral para a Catequese, 1997. São Paulo: Loyola, 2003, 49,  60 e 62.
[20] Cf. Diretório Nacional de Catequese,140.
[21] Cf. Fl 3, 12; 1 Cor 9, 1 e Gl 1, 16.
[22] Cf. BIARD, P. A História da salvação no centro da catequese, p. 67-75. In: Instituto Superior de Pastoral Catequética. Introdução à catequética. Petrópolis: Vozes, 1965, p. 69.
[23] Cf. MURPHY-O’CONNOR, J. Paulo: Biografia crítica. São Paulo: Loyola, 2000, p. 18.
[24] Ib. p. 131.
[25] Ib. cf.  p. 136 e 140. 
[26] Cf. DANIÉLOU, J. A catequese na tradição patrística. In: Instituto Superior de Pastoral Catequética. Introdução à catequética. Petrópolis: Vozes, 1965, p. 36-44.
[27] BOLLIN, A.; GASPARINI, F. A catequese na vida da Igreja: Notas de História. São Paulo: Paulinas,1998, p. 51.
[28] Cf. MAZZA, E. La mistagogia: Le catechesi liturgiche della fine del quarto secolo e il loro metodo. Roma: CLV Edizioni Liturgiche, 1996, p. 17.
[29] Ib. cf.  p. 195-197.
[30] Cf. BOLLIN, A.; GASPARINI, F. A Catequese na vida da Igreja: Notas de História, p. 48.
[31] Cf. JUNGMANN, J. A. Catequética: Finalidade e método do ensino religioso. São Paulo: Herder, 1967, p. 20.
[32] Cf. AGOSTINHO. A instrução dos catecúmenos: Teoria e prática da catequese. Petrópolis: Vozes, 2005, p. 86-87.
[33] Ib. cf. p. 47.
[34] Cf. AGOSTINHO. A instrução dos catecúmenos: Teoria e prática da catequese, p. 43.
[35] Ib. cf. p. 41.
[36] Ib. cf. p. 49.
[37] A instrução dos catecúmenos: Teoria e prática da catequese, p. 72.
[38] Cf. BOLLIN, A.; GASPARINI, F. A catequese na vida da Igreja: Notas de História, p. 51.
[39] Cf. AGOSTINHO. Op. cit. p. 76-77.
[40] Cf. PAIVA, H. V. Introdução. In: AGOSTINHO. A instrução dos catecúmenos: Teoria e prática da catequese. Petrópolis: Vozes, 2005, p. 23.
[41] AGOSTINHO. A instrução dos catecúmenos: Teoria e prática da catequese, p. 51.
[42] O Edito de Milão.
[43] Cf. BOLLIN, A.; GASPARINI, F. A catequese na vida da Igreja: Notas de História, p. 66.
[44] Ib. cf. p. 84-85.
[45] Cf. BOLLIN, A.; GASPARINI, F. A catequese na vida da Igreja: Notas de História, p. 69.
[46] Cf. RODRIGO, A. M. História da catequese. In: PEDROSA, V. M. D et. alli. (Org.). Dicionário de catequética. São Paulo: Paulus, 2004, p. 567-568.
[47] Cf. JUNGMANN, J. A. Catequética: Finalidade e método do ensino religioso, p. 31.
[48] Cf. TORREL, J-P. Iniciação a Santo Tomás de Aquino: Sua pessoa e obra. São Paulo: Loyola, 1999, p. 173-185. 
[49] Ib. cf. p. 329-330. 
[50] Ib. cf. p. 86-88.
[51] Tota lex Christi pendet a caritate. Santo Tomás de Aquino. Collationes XI. In: TORREL, J. P. Les Collationes in decem preceptis de saint Thomas d’Aquin. Edition critique avec introduction et notes, RSPT 69 (1985), pp. 5-40 e 227-63, p. 227. Apud: Cf. TORREL, J-P. Iniciação a Santo Tomás de Aquino: Sua pessoa e obra, nota, p. 87.   
[52] Cf. JUNGMANN, J. A. Catequética: Finalidade e método do ensino religioso, p. 31-33.
[53] BOLLIN, A.; GASPARINI, F. A Catequese na vida da Igreja: Notas de História, p. 127.
[54] Cf. BOLLIN, A.; GASPARINI, F. A Catequese na vida da Igreja: Notas de História, p. 154.
[55] Ib. cf. p. 148-149.
[56] Ib. cf. p. 175-182.
[57] Cf. AZZI, R. Os primórdios da catequese: Arranjos do período colonial e imperial. In: PASSOS, M. (Org). Uma história no plural: 500 anos do movimento catequético brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1999, p. 29. 
[58] LUSTOSA, O. F. Catequese católica no Brasil: Para uma história da evangelização. São Paulo: Paulinas, 1992, p. 29.
[59] Cf. AZZI, R. Os primórdios da catequese: Arranjos do período colonial e imperial. In: PASSOS, M. (Org). Uma História no plural: 500 anos do movimento catequético brasileiro, p. 16-24. 
[60] Cf. LIBÂNIO, J. B. Catequese, catecismo e catequistas: Que história é essa? In: PASSOS, M. (Org). Uma História no plural: 500 anos do movimento catequético brasileiro, p. 214-215. 
[61] RODRIGO, A. M. História da catequese. In: PEDROSA, V. M. D et. alli. (Org.). Dicionário de catequética, p. 571.
[62] Cf. BOLLIN, A.; GASPARINI, F. A Catequese na vida da Igreja: Notas de História, p. 240.
[63] Cf. BOLLIN, A.; GASPARINI, F. A Catequese na vida da Igreja: Notas de História, p. 218-219.
[64] Cf. RODRIGO, A. M. História da Catequese. In: PEDROSA, V. M. D et alli. (Org.). Dicionário de catequética, p. 572-573.
[65] Ib. cf. p. 572.
[66] Cf. LUSTOSA, O. F. Catequese católica no Brasil: Para uma história da evangelização, p. 101-116.
[67] Cf. NERY, I. J. História da catequese no Brasil. In: PEDROSA, V. M. D et alli. (Org.). Dicionário de catequética. São Paulo: Paulus, 2004, p. 579.
[68] Cf. DECRETO Christus Dominus, 1965. In: COMPÊNDIO VATICANO II: Constituições, decretos, declarações. KLOPPENBURG, B. (Org.). 18ª ed. Petrópolis: Vozes, 1986, 44.
[69] Cf. OLIVEIRA, R. M. de. O Movimento catequético brasileiro saindo das sombras: O impulso do Vaticano II. In: PASSOS, M. (Org.). Uma história no plural: 500 anos do movimento catequético brasileiro, p. 72-75.
[70] Cf. LUSTOSA, O. F. Op.cit. p. 137-138.
[71] Cf. PAULO VI.  Exortação apostólica Evangelii Nuntiandi, 1975. São Paulo:  Paulinas, 1986, 44.
[72] Cf. Catechesi Tradendae, 7.
[73] Ib. cf. 17.
[74] Cf. LUSTOSA, O. F. Catequese católica no Brasil: Para uma história da evangelização, p. 142-151.
[75] Cf. CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Catequese renovada: Orientações e conteúdo, 1983. 8ª ed. São Paulo: Paulinas, 1984 (Documentos da CNBB 26), 30.
[76] Cf. VILELA, M. A Tradição da catequese no Brasil. In: BOLLIN, A.; GASPARINI, F. A catequese na vida da Igreja: Notas de história. São Paulo: Paulinas, 1998, p. 322-323.
[77] Cf. Catequese renovada: Orientações e conteúdo, 111.
[78] Ib. cf. 113.
[79] Cf. LIMA, L. A. Paisagem, gênese e significado do documento catequese renovada: Novas perspectivas. In: PASSOS, Mauro (Org.). Uma história no plural: 500 anos do movimento catequético brasileiro, p. 138.
[80] Cf. Diretório Geral para a Catequese, 82.
[81] Ib. cf. 114.
[82] Ib. cf. 115.
[83] Ib. cf. 116.
[84] Ib. cf. 118.
[85] Cf. BOLLIN, A.; GASPARINI, F. A catequese na vida da Igreja: Notas de História, p. 241.
[86] Cf. Diretório Nacional de Catequese, 152.

[87] Cf. Diretório Geral para a Catequese, 143.
[88] Cf. BAUMERT, N. Mulher e homem em Paulo. São Paulo: Loyola, 1999, p. 233-236.
[89] Ib. cf. p. 231.
[90] DAMÁSIO, A. R. O erro de Descartes: Emoção, razão e o cérebro humano. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 280. 
[91] Cf. CONSTITUIÇÃO Pastoral Gaudium et Spes, 1965. In: COMPÊNDIO VATICANO II: Constituições, decretos, declarações. KLOPPENBURG, B. (Org.). 18ª ed. Petrópolis: Vozes, 1986, 14.
[92] Cf. CATECISMO da Igreja Católica, 368.
[93] Cf. Diretório Geral para a Catequese, 55.
[94] Ib. cf. 78.
[95] VILA NOVA, S. Introdução à sociologia. São Paulo: Atlas, 1985, p. 31.
[96] Cf. Diretório Nacional de Catequese, 175.
[97] Esboço de uma teoria da prática. In: ORTIZ, R. (Org.). Pierre Bourdieu. São Paulo: Ática, 1994, p. 60-61.
[98] Cf. BOURDIEU, P. Esboço de uma teoria da prática, p. 46-81. In: ORTIZ, R. (Org.). Pierre Bourdieu, nota 20, p. 61.
[99] BONNEWITZ, P. Primeiras lições sobre a sociologia de P. Bourdieu. Petrópolis: Vozes, 1998, p. 77.
[100] Cf. BOURDIEU, P. Op. cit. p. 80.
[101] Cf. Diretório Geral para a Catequese, 69.
[102] Ib. 312.
[103] TOMÁS DE AQUINO. Dos hábitos em geral: Das virtudes. In: Summa theologiae I-II, q. 49, a. 2, p. 12. São Paulo: Faculdade de Filosofia Sedes Sapientiae, 1959.
[104] Cf. Sacrosanctum Concilium, 6.
[105] Ib. 11.
[106] RAHNER, K. Novo sacerdócio. São Paulo: Herder, 1968, p. 210.
[107] Cf. MONTEIRO LOPES, T. de V. Motivação no trabalho. Rio de Janeiro: Ed. da Fundação Getúlio Vargas, 1980, p. 1.
[108] Cf. MONTEIRO LOPES, T. de V. Motivação no trabalho, p. 2.
[109] Cf. PUENTE, M. de la. Introdução. In: Tendências contemporâneas em psicologia da motivaçãoPUENTE, M. de la (Org.). São Paulo: Cortez, 1982, p. 15-17.   
[110] Cf. MONTEIRO LOPES, T. de V. Op. cit. p. 72-73.
[111] Cf. MAITLAND, I. Como motivar pessoas.São Paulo: Nobel, 2002, p. 7-10.
[112] Cf. MOSCOVICI, F. Desenvolvimento interpessoal. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998, p. 76-77. 
[113] Ib. cf. p. 82-83. 
[114] Ib. cf. p. 84. 
[115] Cf. MONTEIRO LOPES, T. de V. Motivação no trabalho, p. 10.
[116] Ib. cf. p. 3-4.
[117] Ib. cf. p. 5-7.
[118] PUENTE, M. de la. Introdução. In: PUENTE, M. de la (Org.). Tendências contemporâneas em psicologia da motivação, p. 13.   
[119] Ib. cf. p. 13.    
[120] BERGAMINI, C. W. Motivação. São Paulo: Atlas, 1986, p. 106.
[121] MOSCOVICI, F. Desenvolvimento interpessoal, p. 77. 
[122] Ib. cf. p. 106.
[123]Diretório Nacional de Catequese, 143.
[124] Cf. Diretório Geral para a Catequese, 55.
[125] Ib. cf. 117.
[126] Cf. Diretório Nacional de Catequese, 169, nota 8.
[127] Ib. 109.
[128] Ib. cf. 109.
[129] Ib. cf. 203.
[130] Cf. Diretório Geral para a Catequese, 117.
[131] Ib. 55.
[132] Ib. cf. 55.
[133] Ib. cf. 204.
[134] Cf. PESENTI, G. G. Mistagogia. In: BORRIELLO, L. et alli. (Orgs.). Dicionário de mística. São Paulo: Loyola; Paulus, 2003, p. 702. 
[135]Diretório Geral para a Catequese, 107.
[136] Ib. cf. 41.
[137] Ib. cf. 85.
[138] Cf. Gaudium et Spes,  22.
[139] Cf. LÓPEZ. J. A. U. Mistério. In: PEDROSA, V. M. D. et alli. (Org.). Dicionário de catequética. São Paulo: Paulus, 2004, p. 759.
[140] SARTORE, D. Sinal/símbolo. In: SARTORE, D.; TRIACCA, A. M. (Orgs.). Dicionário de liturgia. São Paulo: Paulinas, 1992, p. 1150.
[141] Cf. Diretório Geral para a Catequese, 90-91.
[142] Cf. Diretório Nacional de Catequese, 275.
[143] Itens 4.1 e 4.2 deste capítulo.
[144] Cf. Diretório Geral para a Catequese, 66.
[145] Ib. cf. 130.
[146]Diretório Geral para a Catequese, 148.
[147] Ib. cf. 149.

[148] Cf. ALBERICH, E. Catequese evangelizadora: Manual de catequética fundamental, p. 148-186.
[149] Cf. CAILLÉ, A. Antropologia do dom: O terceiro paradigma. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 73.
[150] Cf. ALBERICH, Op. cit. p. 336-337.
[151] Cf. Diretório Geral para a Catequese, 148.
[152] ALBERICH, E. Catequese evangelizadora: Manual de catequética fundamental, p. 330.
[153] Metodologia é “a ciência do método, a reflexão teoria do método ou dos métodos”. In: Cf. CELAM. Manual de catequética, p. 233.
[154] Método pode ser descrito como “conjunto de procedimentos que se seguem de maneira sistemática e ordenada para atingir um fim determinado”. In: CELAM. Manual de catequética, p. 233.
[155] “Conjunto de procedimentos ligados a uma arte ou ciência. A parte material dessa arte ou ciência”. INSTITUTO ANTONIO HOUAISS. Dicionário Houaiss de língua portuguesa, p. 2683.
[156]Diretório Nacional de Catequese, 148.
[157] BENTO XVI. Carta encíclica Deus Caritas Est. São Paulo: Paulus-Loyola, 2006.
[158] ZENIT. Ser missionário é anunciar que Deus é amor, assegura Bento XVI. Disponível em Acesso em: 02 de junho de 2006, 15:03:27.
[159] ZENIT. “Ensinar a amar”, objetivo da nova evangelização, explica Bento XVI. Disponível em Acesso em: 05 de maio de 2006, 15:04:33.
[160] ZENIT. Ser missionário é anunciar que Deus é amor, assegura Bento XVI. Disponível em Acesso em: 13 de outubro de 2006, 16:10:27.
[161] ZENIT. Para a Igreja, caridade não é simples assistência social, declara o papa. Explica ao receber a duas associações beneficentes da Bélgica. Disponível em Acesso em: 31 de outubro de 2006, 19:45:07.
[162] ZENIT. Bento XVI apresenta no Domingo de Ramos a cruz como o segredo do amor. Disponível em Acesso em: 09 de abril 2006, 14:23:45.
[163] Cf. Gaudium et Spes, 45.
[164] Cf. nota 10, 29. In: BÍBLIA: Bíblia do peregrino, novo testamento. 2ª ed. São Paulo: Paulus, 2000, p. 231. 
[165] Do grego splagcnizomai, comover-se. A palavra motivação advém do latim movere, que significa mover.
[166] Ensaio sobre a dádiva. Lisboa: Edições 70, 1988, p. 185.
[167] LANNA, M.Nota sobre Marcel Mauss e o ensaio sobre a dádiva. Revista de sociologia e política, Curitiba, 14, [jun.] 2000. Disponível em Acesso em 21 de outubro de 2006, 14:05:45. 
[168] Antropologia do dom: o terceiro paradigma. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 142.
[169] Cf. CAILLÉ, A. Antropologia do dom: O terceiro paradigma, p. 168.
[170] KIERKEGAARD, S. As obras do amor: Algumas considerações cristãs em forma de discursos. Petrópolis: Bragança Paulista; Vozes: Editora Universitária São Francisco, 2005, p. 146.
[171] KIERKEGAARD, S. As obras do amor: Algumas considerações cristãs em forma de discursos, p. 177.
[172] LEWIS, C. S. Os quatro amores. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 71.  
[173] KIERKEGAARD, S.Op. cit. p. 248.

[174] Cf. LEWIS, C. S. Os quatro amores, p. 176-179.  
[175] Cf. WILHELMSEN, F. D. La metafísica del amor. Madrid: Rialp, 1964, p. 22-23.
[176] Cf. KIERKEGAARD, S. As obras do amor: Algumas considerações cristãs em forma de discursos, p. 182.
[177] HUNTER, J. C. Como se tornar um líder servidor: Os princípios de liderança de O monge e o Executivo. Rio de Janeiro: Sextante, 2006, p. 66.
[178] BARBAGLIO, G. O evangelho de Mateus. In: Os evangelhos I. São Paulo: Loyola, 1992, (Bíblica Loyola 1), p. 324.
[179] BARBAGLIO, G. O evangelho de Mateus. In: Os evangelhos I, p. 325.
[180] Encastelar. No sentido de prevenir-se contra alguém. In: INSTITUTO ANTONIO HOUAISS. Dicionário Houaiss de língua portuguesa, p. 1134.
[181] Cf. NOUWEN, H. J. M. Intimidade: Ensaios de psicologia pastoral. São Paulo: Loyola, 2001, p. 40.
[182] Cf. KIERKEGAARD, S. As Obras do amor: Algumas considerações cristãs em forma de discursos, p. 32.
[183] FROMM, E. A arte de amar. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p. 22-23.
[184] FROMM, E. A arte de amar, p. 25.
[185] Capital simbólico ou honra é um crédito posto à disposição de um agente pela adesão de outros agentes, que lhe reconhecem esta ou aquela propriedade valorizante. Trata-se, antes de tudo, de um ser reconhecido pelos outros, de adquirir importância e visibilidade. In: Cf. BONNEWITZ, P. Primeiras lições sobre a sociologia de P. Bourdieu, p. 103.
[186] Cf. BONNEWITZ, P. Primeiras lições sobre a sociologia de P. Bourdieu, p. 99.
[187] BOURDIEU, P. A dominação masculina. 2ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002, p. 82.
[188] Ib. cf. p. 54. 
[189] Ib. cf. p. 63 e 66. 
[190] KIERKEGAARD, S. As obras do amor: Algumas considerações cristãs em forma de discursos, p. 305.
[191] Cf. WILHELMSEN, F. D. La metafísica del amor, p. 23-25.
[192] FROMM, E. A arte de amar, p. 37.
[193] Cf. LEWIS, C. S. Os quatro amores, p. 71.  
[194] Cf. CAILLÉ, A. Antropologia do dom: O terceiro paradigma, p. 145.
[195] KIERKEGAARD, S. As obras do amor: Algumas considerações cristãs em forma de discursos, p. 56.
[196] Ib. cf. p. 151.
[197] Deus Caritas Est, 5.
[198] Cf. CAILLÉ, A. Op. cit. p. 257.
[199] Cf. ARENDT, A. Origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 488-489.
[200] Ib. p. 506.
[201] A dominação masculina, p. 132. 

[202] Cf.Diretório Nacional de Catequese, 43.
[203] Cf. ALBERICH, E. Catequese evangelizadora: Manual de catequética fundamental, p. 330.
[204] Cf. ZENIT. Mensagem de Bento XVI para a quaresma de 2007. Disponível em: Acesso em: 15 de fevereiro de 2007, 11:00:00.
[205] Deus Caritas Est, 5.
[206] Cf. ZENIT. Mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2007. Disponível em: Acesso em: 15 de fevereiro de 2007, 11:00:00.
[207] Deus Caritas Est, 7.
[208] Cf. JOÃO PAULO II, Carta apostólica Novo Millennio Ineunte do início do novo milênio, 2001. São Paulo: Paulinas, 2001, 43.
[209] Cf. ZENIT. Mensagem de Bento XVI para a quaresma de 2007. Disponível em: Acesso em: 15 de fevereiro de 2007, 11:00:00.

[210] Cf. BLANK, R. J. Deus na História. São Paulo: Paulinas, 2005, p. 9.
[211] Ib. cf. p. 131 e 133.
[212] Cf. KELLER, H. Cristologia. In: SCHNEIDER, T. (Org.). Manual de dogmática. 2ª ed. V.1. Petrópolis: Vozes, 2002,  p. 354.
[213] Cf. KELLER, H. Cristologia. In: SCHNEIDER, T. (Org.). Manual de dogmática. 2ª ed. V.1,  p. 386.
[214] Ib. cf. p. 387.
[215] Cf. WERBICK, J. Trindade. In: SCHNEIDER, T. (Org.). Manual de dogmática. 2ª ed. V.2. Petrópolis: Vozes, 2002,  p. 459.
[216] Ib. cf. p. 477.
[217] Ib. cf. p. 478 e 489.
[218] Ib. cf. p. 504.
[219] Cf. HILBERATH, B. J. Pneumatologia. In: SCHNEIDER, T. (Org.). Manual de dogmática. 2ª ed. V.1. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 488.
[220] Cf. HILBERATH, B. J. Pneumatologia. In: SCHNEIDER, T. (Org.). Manual de dogmática. 2ª ed. V.1,  p. 424-425.
[221] Cf. Id. Graça. In: SCHNEIDER, T. (Org.). Manual de dogmática. 2ª ed. V.2. Petrópolis: Vozes, 2002,  p. 16.

[222] Cf. HILBERATH, B. J. Graça. In: SCHNEIDER, T. (Org.). Manual de dogmática. 2ª ed. V.2,  p. 18.
[223] Ib. cf. p. 47-48.
[224] Cf. WIEDENHOFER, S. Eclesiologia. In: SCHNEIDER, T. (Org.). Manual de dogmática. 2ª ed. V.2. Petrópolis: Vozes, 2002,  p. 104.
[225] NOCKE, F-J. Doutrina geral dos sacramentos. In: SCHNEIDER, T. (Org.). Manual de dogmática. 2ª ed. V.2. Petrópolis: Vozes, 2002,  p. 174.
[226] Cf. HILBERATH, B. J. Pneumatologia. In: SCHNEIDER, T. (Org.). Manual de dogmática. 2ª ed. V.1,  p. 489-490.
[227] CATECISMO da Igreja Católica, 260.
[228] Sacerdote e sacerdócio. In: INSTITUTO ANTONIO HOUAISS. Dicionário Houaiss de língua portuguesa, p. 2492.
[229] VANHOYE, A. Sacerdotes antigos e sacerdote novo segundo o novo testamento. Santo André: Academia Cristã, 2006, p. 69.
[230] VANHOYE, A. Sacerdotes antigos e sacerdote novo segundo o novo testamento, p. 224.
[231] Ib. cf. p. 122.
[232] Ib. cf. p. 140.
[233] FABRIS, R. Carta aos hebreus. In: As cartas de Paulo III. São Paulo: Loyola, 1992, (Bíblica Loyola 6), p. 448.
[234] Cf. VANHOYE, A. Sacerdotes antigos e sacerdote novo segundo o novo testamento, p. 372.
[235] FABRIS, R. Op. cit. p. 447.
[236] Cf. VANHOYE, A. Sacerdotes antigos e sacerdote novo segundo o novo testamento, p. 472. 
[237] FABRIS, R. Carta aos hebreus. In: As cartas de Paulo III, p. 458.
[238] VANHOYE, A. Sacerdotes antigos e sacerdote novo segundo o novo testamento, p. 316.
[239] Cf. Sacrosanctum Concilium, 7.
[240] VANHOYE, A. Op. cit. p. 432.
[241] Cf. VANHOYE, A. Sacerdotes antigos e sacerdote novo segundo o novo testamento, p. 487-491.
[242] Item anterior.
[243] CONGAR, I. M. J. Os leigos na Igreja: Escalões para uma teologia do laicato. São Paulo: Herder, 1966, p. 168.
[244] Cf. Evangelii Nuntiandi, 20.
[245] Cf. CUCHE, D. A noção de cultura nas ciências sociais. Bauru: EDUSC, 2002, p. 19-21.
[246] Ib. cf. p. 35.
[247] Ib. cf. p. 65.
[248] Cf. BRIGHENTI, A. Por uma evangelização inculturada: Princípios pedagógicos e passos metodológicos. São Paulo: Paulinas 1998, p. 25-29.
[249] Cf. CUCHE, D. A noção de cultura nas ciências sociais, p. 87.
[250] Gaudium et Spes,  53.
[251] CUCHE, D. Op. cit. p. 137.
[252] CUCHE, D. A noção de cultura nas ciências sociais, p. 115.
[253] Cf. Catechesi Tradendae, 53.
[254] Cf. BRIGHENTI, A. Por uma evangelização inculturada: Princípios pedagógicos e passos metodológicos, p. 33.
[255] Cf. Gaudium et Spes, 57-58.
[256] Cf. CONSTITUIÇÃO dogmática Lumen Gentium. 1964. In: COMPÊNDIO VATICANO II: Constituições, decretos, declarações. KLOPPENBURG, B. (Org.). 18ª ed. Petrópolis: Vozes, 1986, 17.
[257] Cf. Por uma evangelização inculturada: Princípios pedagógicos e passos metodológicos, p. 66.
[258] Cf. BRIGHENTI, A. Por uma evangelização inculturada: Princípios pedagógicos e passos metodológicos, p. 35-38.
[259] JOÃO PAULO II. Carta encíclica Slavorum Apostoli, 1985. São Paulo: Paulinas, 1985, 21.
[260] Como por exemplo, no caso da Liturgia. Cf. Sacrosanctum Concilium, 40.
[261] DECRETO Ad gentes, 1965. In: COMPÊNDIO VATICANO II: Constituições, decretos, declarações. KLOPPENBURG, B. (Org.). 18ª ed. Petrópolis: Vozes, 1986, 10.
[262] Ad Gentes, 22.
[263] Evangelii Nuntiandi, 20.
[264] Slavorum Apostoli, 21.
[265] Cf. JOÃO PAULO II. Carta encíclica Redemptoris Missio: Sobre a validade permanente do mandato missionário, 1990. São Paulo: Paulinas, 1991, 2.
[266] Ib. cf. 52-53.
[267] Cf. Catechesi Tradendae, 53.
[268] Cf. HERNÁNDEZ, J. M. B. Catequese e inculturação da fé na América Latina. In: PEDROSA, V. M. D et. alli. (Org.). Dicionário de catequética. São Paulo: Paulus, 2004, p. 151-153.
[269] Cf. CONSEJO EPISCOPAL LATINOAMERICANO DEPARTAMENTO DE CATEQUESIS. Hacia una catequesis inculturada: Memorias de la II semana latinoamericana de catequesis Caracas. SANTAFÉ DE BOGOTÁ, ENERO 1995. Disponível em: <: www.scala-catequesis.org=""> Acesso em 22 de maio de 2007, 11:58:26,  91.
[270] Cf. BRIGHENTI, A. Por uma evangelização inculturada: Princípios pedagógicos e passos metodológicos, p. 10-14.
[271] Ib. cf. p. 15.
[272] Cf. CONSEJO EPISCOPAL LATINOAMERICANO. Op. cit. 76-78.
[273] Cf. Hacia una catequesis inculturada: Memorias de la II semana latinoamericana de catequesis Caracas, 42-43.
[274] Cf. CUCHE, D. A noção de cultura nas ciências sociais, p. 242-243.
[275] Cf. Diretório Nacional de Catequese, 227-230.
[276] Ib. 222.
[277] Cf. RIBEIRO, D. O povo brasileiro: A formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 133.
[278] Cf. RIBEIRO, D. O povo brasileiro: A formação e o sentido do Brasil, p. 183 e 196.
[279] Gaudium et Spes, 59.

[280] Cf. Redemptoris Missio, 11-44.
[281] LAS CASAS, B de. Único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião. São Paulo: Paulus, 2005 (Obras completas I).
[282] Cf. WIKIPEDIA. Bartolomé de las casas. Disponível em: Acesso em: 6 de junho de 2007, 8:10:00. E também. SCHLESINGER, H; PORTO, H. Líderes Religiosos da Humanidade. São Paulo: Paulinas, 1986, p. 149 (Tomo 1).
[283] LAS CASAS, B de. Op. cit. p. 219.
[284] LAS CASAS, B de. Único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião, p. 61.
[285] Ib. p. 62-63.
[286] Ib. cf. p. 64-69.
[287] Cf. FOSSION, A. Catequese e inculturação da fé no mundo ocidental, p. 156-160. In: PEDROSA, V. M. D et. alli. (Org.). Dicionário de catequética. São Paulo: Paulus, 2004, p. 158.
[288] Cf. CUCHE, D. A noção de cultura nas ciências sociais, p. 129.
[289] Cf. LAS CASAS, B de. Único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião, p. 75-76.
[290] Ib. cf. p. 279.
[291] Ib. cf. p. 297.
[292] Cf. LAS CASAS, B de. Único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião, p. 159.
[293] Ib. p. 74.
[294] Cf. Redemptoris Missio, 60.
[295] Ib. cf. 89.
[296] Cf. BARBAGLIO, G. As cartas de Paulo I. São Paulo: Loyola. 1989, (Bíblica Loyola 4),  p. 333-335.  

[297] BRIGHENTI, A. Por uma evangelização inculturada: Princípios pedagógicos e passos metodológicos, p. 44.
[298] Redemptoris Missio, 86.

[299] Cf. Diretório Nacional de Catequese, 224-225.
[300] Cf.Diretório Geral para a Catequese, 59.
[301] Cf. PAULO VI. Ritual da iniciação cristã de adultos, 1973. São Paulo: Paulus, 2001, p. 21.
[302] Cf. Diretório Geral para a Catequese, 116.
[303] Ib. cf. 41.
[304] Ib. cf. 121.

[305]Diretório Geral para a Catequese, 144.
[306] Cf. item 2 do capítulo IV desta tese.
[307] Cf. CONSTITUIÇÃO dogmática Dei Verbum, 1965. In: COMPÊNDIO VATICANO II: Constituições, decretos, declarações. KLOPPENBURG, B. (Org.). 18ª ed. Petrópolis: Vozes, 1986, 2 e 24.
[308] Sacrosanctum Concilium, 16.
[309] Cf. DECRETO OptatamTotius, 1965. In: COMPÊNDIO VATICANO II: Constituições, decretos, declarações. KLOPPENBURG, B. (Org.). 18ª ed. Petrópolis: Vozes, 1986, 16.
[310] Cf. CONFERÊNCIA GERAL DO EPISCOPADO LATINO-AMERICANO. Documento de Aparecida: Texto da V Conferência geral do episcopado latino-americano e do Caribe, 2007. Brasília: CNBB, 2007, 295.
[311] Cf. Diretório Geral para a Catequese, 55.
[312] Cf. Diretório Nacional de Catequese, 140.
[313] Ib. cf. 312.
[314] Cf. MOSCOVICI, F. Desenvolvimento interpessoal, p. 106.
[315] Cf.Diretório Nacional de Catequese, 268.
[316] Ib. 241, d.
[317] Diretório Geral para a Catequese, 138.
[318] Cf. Diretório Nacional de Catequese, 141.
[319] Cf. CELAM. Manual de catequética, p. 110.
[320] Cf. Catequese Renovada: Orientações e conteúdo, 30.
[321] Diretório Geral para a Catequese, 167.
[322] Cf. PONTIFÍCIO CONSELHO DA CULTURA. Para uma pastoral da cultura, 1999. Vaticano: Editora Vaticana, 1999, 11 a 18.
[323] GARCÍA, J. S. Teologia pastoral. In: PEDROSA, V. M. D et. alli. (Org.). Dicionário de catequética. São Paulo: Paulus, 2004, p. 1076-1077.
[324] Ib. p. 1077.
[325] Cf. JOÃO PAULO II. Carta encíclica Evangelium Vitae: Sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana, 1995. São Paulo: Loyola, 1995, 79.
[326] Cf. Sacrosanctum Concilium, 10.
[327] Cf. GARCÍA, J. S. Teologia pastoral. In: PEDROSA, V. M. D et. alli. (Org.). Dicionário de catequética, p. 1074.
[328] Cf. Diretório Geral para a Catequese, 253-254.
[329] Cf. JOÃO PAULO II. Exortação apostólica pós-sinodal Christifideles Laici: Sobre a vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo, 1988. 10ª ed. São Paulo: Paulinas, 2001, 29.
[330] Cf. Christifideles Laici, 30.
[331] Cf. Diretório Geral para a Catequese, 253.
[332] Ib. 261-262.
[333] Ib. cf. 306.
[334] Cf. GARCÍA, J. S. Teologia pastoral, p. 238-248. In: PEDROSA, V. M. D et. alli. (Org.). Dicionário de catequética, p. 239.
[335] Cf. JOÃO PAULO II. Exortação apostólica pós-sinodal Vita Consecrata: Sobre a vida consagrada e a sua missão na Igreja e no mundo, 1996. São Paulo: Paulinas, 1996, 62.